sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pioneirismo

Pioneirismo



“Quando aqui chegamos, o Azevedo Costa, estava em campanha para a prefeitura de Macapá, o apoiamos e ele chegou a prefeitura. Alcindo começou a participar da política local. Fez amizade muito íntima com o então governador Comandante Aníbal Barcellos, que o tinha em grande apreço”. Alcindo (falecido) e Antonia Abdon.



Esta semana estamos trazendo para os leitores da editoria de Pioneirismo do Tribuna Amapaense, a história de um casal que veio para o Amapá na década de 70, com intuito de esquecer a política partidária paraense. Eles são Alcindo Alexandre Abdon (falecido) e Antonia Furtado Abdon, 88 anos. Paraenses de nascimento, Alcindo e Antonia têm uma história peculiar dos amazônidas. Ela nascida em Belém e ele em Chaves, município marajoara, se encontraram por simples decisão do destino.

Quem nos conta a epopeia dos Abdon é a viúva Antonia Furtado. “Meus pais foram trabalhar em Chaves, ele carpinteiro, porque a situação econômica em Belém estava em crise. Eu permaneci morando com uma tia, mas, meu pai resolveu que eu deveria ir para a cidade com eles. E lá chegando, com 13 anos de idade, conheci o Alcindo, filho de comerciante abastado do local. Para o casamento acontecer foi um pulo. Desse casamento tivemos 12 filhos. Hoje temos 28 netos, 18 bisnetos e 6 tataranetos”.
FAMILIA ABDON

Ela conta que três filhos nasceram em Belém e o restante em Chaves. A vida de Alcindo Abdon foi voltada para a política local (Chaves), ele era um militante do então Movimento Democrático Brasileiro (MDB), hoje PMDB e foi vereador por diversas legislaturas. “Ele era do grupo de Alexandre Chermon, foi vereador e em seguida foi Vice-prefeito. Foi quando ele colocou o nosso filho, Jorge Abdon como vereador e foi disputar a prefeitura do município em 1978. Porém, perdeu as eleições, ficou magoado e decidiu deixar o município”.

A família já conhecia o Amapá, tanto que tinha residência na Avenida FAB e o dentista João Abdon já casado com a professora Ester Abdon, tinha residência na Avenida Ernestino Borges desde 1969. Então, o patriarca da família decidiu vir para Macapá e fixar residência. Mas, a política que imperava nas veias de Alcindo, retornou com toda força passando a militar no PMDB/AP. “Quando chegamos aqui, o Azevedo Costa estava em plena campanha para a prefeitura de Macapá, o apoiamos, e ele chegou à prefeitura. Alcindo começou a participar da política local. Fez amizade muito estreita com o então governador, Comandante Anibal Barcellos, que o tinha em grande apreço”.
A política imigrou para os filhos, o João Abdon, dentista, disputou a Câmara Municipal de Macapá e foi eleito, depois se elegeu como deputado estadual. O próximo eleito a vereador pelo PMN, e fundado por Alcindo Abdon, foi o seu outro filho Jorge Alcindo Furtado Abdon, o “Zeca Diabo”, que estabeleceu um estilo próprio de fazer política, percorrendo os bairros macapaenses em uma charrete puxada a cavalo.

Empreendedor

Alcindo e Antonia Abdon trouxeram toda sua experiência de pecuaristas e comerciantes marajoara, pois tinham gado no Marajó e na Caviana. Percebendo a precariedade do rebanho local, viram a oportunidade de abastecer o mercado local, passando a comercializar gado em pé para os empresários rurais amapaenses. “Ele trazia gado do Marajó e comercializava com os fazendeiros locais e com os marchantes que vendiam carne bovina. Era grande a procura, principalmente, naquela época que os bancos de fomento estavam disponibilizando recursos para esse tipo de comércio”.

Uma das maiores decepção de Antonia Abdon foi à impossibilidade dos filhos estudarem. “Somente dois dos meus filhos se formaram, um como dentista e a outra como professora. Os outros ajudavam o pai na comercialização de gado”.

Amapá de antes

Dona Antonia Abdon relembra que quando aqui chegou, Macapá era uma cidade pequena e com um crescimento tímido, ela também destaca que é muito religiosa. “O que mais me deixa triste é que nenhum dos meus filhos seguiu meu caminho religioso, alguns abandonaram o catolicismo. Perdi meu esposo há 12 anos, mas ainda assim me sinto feliz pelo que minha família conseguiu aqui no Amapá, eles estão enraizados aqui. Eu procuro viajar e sempre nessas viagens conhecer mais os templos católicos. Mas, parei de viajar depois da morte do meu filho Ildo, pois adoeci e tive um pequeno AVC”.
Quanto a Macapá ela relata que: “as residências eram simples, bem interioranas. Hoje, temos uma cidade que cresce todo dia. Ela está evoluindo. Porém, eu tenho sentido que economicamente está estagnada”.




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