“Fui
um dos pioneiros no desbravamento das estradas amapaenses, que na época era
somente um risco no meio das florestas. A ICOMI estava instalando a Vila de
Serra do Navio e uma das obras era a Estação de Tratamento de Água e era
preciso de areia e seixos lavados. Eu fui cedido pela ICOMI a empresa Platon
Engenharia, que realizava a obra e passei um ano puxando seixo do Paredão, pois
eu conhecia o trajeto, era tudo piçarra”.
Luiz
Gonzaga Paiva – Motorista e Pecuarista
Luiz
Gonzaga Paiva é um desbravador. Na prática, aprendeu que a criatividade, a
inquietude e a curiosidade eram fatores que o fariam sobreviver. E assim foi.
Nasceu no distrito de Castanhal, no Pará, cidade próxima à capital paraense, em
1930. Em meio aos rigores da roça, ajudava seus pais,João Paiva e Marcolina
Viana Paiva, eram agricultores e pecuaristas. A família Paiva era composta por
sete pessoas,os pais e cinco irmãos: Luiz, Durval, Iracema, Maria da Conceição.
Luiz Paiva nosso pioneiro da semana, conta que
até os 14 anos de idade lidou com a enxada e o gado, porém um acidente o fez
mudar de ideia. Sua infância foi entre castanhal e no município de Vigia.
“Sofri um acidente, quando um pau caiu na minha cabeça e a rachou, então eu
decidi que aquilo não era para mim, tinha que correr atrás de outra atividade”.
O
caminho traçado o levou até o Amapá, em 1947, tinha acabado de ser criado o
novo Território Federal e as oportunidades eram grandes. Quando chegou, encontrou
os sócios Aurélio Dantas e Antonio Quintino de Menezes, proprietário de uma
empresa de transporte de cargas, onde passou a ser ajudante na firma. “Quando
cheguei em 1947 fui trabalhar em transporte, conheci o primeiro caminhão que
rodava aqui em Macapá, um Chevrolet/47,recém-adquirido pela empresa, que fazia
transporte de cargas para o então governo de Janary Nunes. Lembro-me que muitas
vezes levávamos professores para as escolas do interior, inclusive a professora
Zoraide Coelho do Nascimento que andou muitas vezes conosco”.
Ele
narra, que junto com os sócios da empresa ajudou a criar a União dos Motoristas
do Amapá. “Nessa mesma época ajudamos a fundar a União dos Motoristas do Amapá,
minha matrícula foi de número 93. A primeira sede ficava na Avenida Presidente
Vargas, nº 51, hoje está na Avenida Padre Júlio Maria Lombaerd”.
Começando a caminhar sozinho
Audacioso,
quando foi desfeita a sociedade entre Dantas e Quintino, ele assumiu a
responsabilidade pela frota junto com o irmão Durval Paiva que já estava em
Macapá e trabalhava em Serra do Navio. “Fiquei 17 anos nessa empresa. Depois
fui trabalhar na ICOMI, primeiro em Santana, durante dois anos na função de
controlador de empilhadeiras, passando dormentes”.
“Fui
um dos pioneiros no desbravamento das estradas amapaenses, que na época era
somente um risco no meio da floresta. A ICOMI estava instalando a Vila de Serra
do Navio e uma das obras era a Estação de Tratamento de Água e como era preciso
de areia e seixo lavado, eu fui cedido pela ICOMI à empresa Platon Engenharia,
que realizava a obra, onde passei um ano puxando seixo do Paredão, porque eu
conhecia o trajetoque era todo de piçarra”.
Logo
Luiz Paiva, foi transferido para a Serra do Navio onde ficou durante oito anos.
Mas, fez o mesmo caminho do pai anos atrás, em direção à pecuária. “Quando saí
de lá já tinha um bom ‘par de meias’ e voltei às origens, comprei uma fazenda
em Apurema, da família do Correia Soares. O nome da fazenda era Campo Verde e a
revitalizei passando a criar gado. Foi
uma luta ferrenha, pois naquela época tudo era mais difícil, o acesso era irregular,
as rodovias, estradas e ramais eram de uma precariedade enorme”.
Luiz
Paiva conta, que aproveitou o máximo da vida e era considerado muito
mulherengo, tanto que precisou casar as pressas, porque sua noiva Nair de Souza
Paiva estava grávida, e seu filho tinha que nascer com o pai ao lado. “Naquela
época, era um escândalo uma mãe solteira, tanto que a Nair fez aniversário no
dia 21 de março, no dia 23 nos casamos e minha filha nasceu no dia 9 de maio.
Desse enlace de 56 anos, tivemos quatro filhos. Um infelizmente morreu
recém-nascido e ficaram três meninas e um menino, Maria das Graças (falecida),Maricelia
(falecida),Marcolina (Advogada e Assessora Jurídica da presidência do TJT/8ª
Região) e Luiz Paiva Filhoque é empresário. Temos nove netos, dois delessão
amapaenses, Rômulo e Ramon que são pilotos de aviação comercial (TAM e GOL),
sendo que um faz viagem internacional e o outro dentro do País”.
Luiz
revela que antes do casamento teve uma filha, que mora em Icoracy, Margarida
dos Santos Paiva, que lhe deu dois netos.
O retorno às origens
Muitos
foram as justificativas para deixar o Amapá, uma delas com certeza foi a perda
das filhas em 1958, e Luiz retorna ao Pará. No entanto, o espírito de Luiz
Paiva seguia inquieto, e ele resolveu abrir sua própria empresa:“abri uma
concessionária de carros que é meu mitier”.
Luiz
Paiva, conta que durante a vida sempre zelou para ter felicidade e tranqüilidade,
sua e de sua família. Porém,um dos golpes em sua vida foia dor de perder duas
filhas e de seus pais. “Meus pais vinham muito ao Amapá, mas para o Apurema,
onde minha mãe adorava residir. Eles se alternavam nessas visitas. Minha mãe
teve um AVC e eu já residia em Belém, voltei aqui para começar seu tratamento
no Hospital São Camilo e depois a levei para Belém, para morar comigo. Mas, com
saudade de Apurema ela resolveu voltar, tendo outro AVC infelizmente. Agora,estáno
reino dos Céus junto com minhas duas filhas que me anteciparam”.
O
Desbravador é um filho das estradas, dificilmente permanece no mesmo lugar por
longo período. Está sempre viajando e explorando novos lugares. É o que fazLuiz
Paiva, que retornou ao Amapá este ano e veio rever os parentes e amigos que
aqui deixou, lembra que o Amapá lhe trouxe alegria e sucesso no que escolheu
aqui produzir, e se orgulha de ter sido um dos desbravadores das estradas e
rodovias locais. “Nós praticamente abrimos todas as estradas com carros,
fazendo as trilhas do que são hoje as BR 156 e 210. Entrávamos pelos campos e já
começava a demarcar os caminhos. Daqui para Porto Grande tinha um trecho
conhecido como Pororoca, pois atolávamos de quatro a cinco vezes até chegar.
Tínhamos que descarregar para passar o trecho e recarregar os caminhões. Quando
começamos a fazer linha para o município de Amapá, saíamos às duas horas da
madrugada,amanhecia e ainda não tínhamos chegado a Porto Grande, ou seja, eram
cinco horas de viagem, que hoje é feita em menos de duas horas. Era muito
sacrifício”.
Luiz
Paiva é testemunha da história amapaense, coloca que o Amapá foi uma obra de
Janary Nunes, pois aqui era um local esquecido pelo Pará. “Hoje o Amapá está
grande, cresceu. Macapá mudou muito, está espalhada em todas as direções. Eu
tenho minha participação neste crescimento, exerci minha
profissão, investi aqui o que ganhei isso sem prejudicar ninguém. Eu olho hoje
o Amapá e vejo um futuro muito grande. Eu tive uma passagem feliz no Amapá, os
transtornos a gente esquece”.
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