sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Antenados

                     
                         
                       AINDA SE BUSCAM AMIGOS



Um dos maiores problemas entre pais e filhos hoje permanece sendo a falta de diálogo. Se você for pai, vai pensar que esse texto talvez estejada estimamdo demais o valor de um papinho, ou que, na sua casa, falta de falar nunca foi problema. Entretanto, mesmo sendo pai ou mãe de um lar irrepreensível, continue lendo.

Não é que existam pais perfeitos. Mas existe um tipo especial, que é aquele que conversa. Não como coleguinha da mesma idade, mas como dois seres humanos que, apesar das diferenças, se entendem como amigos íntimos, que se amam profundamente.

"Os pais mais legais do mundo" não são necessariamente os melhores. A geração que nos pariu veio com a cabeça impregnada por uma aversão às posturas de seus próprios pais, e agora fazem de tudo para não imitá-las na criação de seus filhos, estes pertencentes à geração que nasce desde os anos 90 até hoje. Mas com a ânsia de corrigir erros do passado, nesse medo atávico, muitos repetem atitudes, comportamentos, tornando-os piores. 

Nossos pais reclamavam dizendo que nossos avós não conversavam, não lhes davam coisas, que tudo era difícil, nada veio facilmente... Então nos compram presentes, pagam as melhores escolas, bancam nossos eletrônicos, tornam sonhos realidade (os alcançáveis com cartão de crédito). Mas falta algo. Eles mesmos esqueceram. O diálogo que não tiveram, também não dão. Muitas vezes se fixam ao material, pois é mais fácil.

Pais, dar coisas não é precisamente dizer "eu te amo". Não crie o menino com a ideia de que o melhor é necessariamente aquilo que se compra. E não repreenda, não oprima seu filho quando ele toma coragem para dizer em sua cara que você não lhe demonstra amor. Ele não está sendo ingrato. Reconhece tudo o que você sacrificou por ele. Pedir mais afeto não é ingratidão. 

O diálogo é tão importante porque, sem ele, os pais não conhecem seus filhos, nem os filhos aos pais. Se os pais não conhecem suas criancas, dificilmente enxergarão aquilo que está indo errado com os pequenos. Não podem ajudá-los a mudar, a crescer. Muitos chegam a nunca conhecer seus filhos de verdade, mesmo nas melhores relações. Imagine só quando não há conversa alguma!

Vejamos o caso recente, ocorrido em São Paulo, do menino de treze anos suspeito de ter matado os pais, a avó e a tia-avó, suicidando-se depois. Quem teria previsto? Aquela família não o conhecia.

É claro, nem sempre os silêncios resultam em tragédias. A maioria de nós sobrevive ao lar, embora os resultados muitas vezes sejam ainda dolorosos. Criam-se crianças muito tristes, traumatizadas, fechadas, que não aprendem a lidar com problemas de forma segura, que fazem tudo em segredo, que não têm a quem recorrer na angústia. Não tiveram nos pais a imagem real de um amigo.


E assim também os filhos, sem conversa, não chegam a conhecer os pais. Têm medo daqueles seres incógnitos que pairam dentro de casa. Um medo nada sadio, que coloca os velhos num pedestal irreal, como super-heróis que nunca erram e que, portanto, não aceitarão erros por parte dos filhos. 
Quando esse pedestal se quebra, os filhos, que não sabiam quem eram aqueles seres inacessíveis e perfeitos que agora se mostram tão falhos, veem também se romper as últimas frágeis ligações que ainda os unia.
É verdade que todo mundo tem problemas e defeitos. Nem mesmo com a melhor cartilha alguém conseguiria criar um lar superior a todas as adversidades do dia a dia. Não somos máquinas, e isso é fascinante. Pais e filhos errarão sempre. Mas é tudo tão mais fácil quando podem contar uns com os outros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

ARTIGO DO GATO - Amapá no protagonismo

 Amapá no protagonismo Por Roberto Gato  Desde sua criação em 1988, o Amapá nunca esteve tão bem colocado no cenário político nacional. Arri...