A Editoria do Atleta do Passado e de Ponta, mexendo nos arquivos do Tribuna Amapaense de 2006, encontrou na Edição 65 um artigo do articulista esportivo e um dos grandes nomes do futebol amapaense, Ademir França, que retratava a situação do esporte mais preferido dos brasileiros e fazia uma pergunta que mostra que essa realidade depois de sete anos ainda perdura, se não piorou, leia o artigo:
Amargamos um longo "jejum" no que se refere a exportação de bons jogadores de futebol para outros estados. Quando falamos em "bons jogadores", queremos dizer que em "idos" tempos, o jogador saia de Macapá, para ser titular em Remo (PA), Paissandu (PA), Atlético Mineiro (MG), Fluminense (RJ), Internacional (RS), Galícia (BA). Casos de Albano, Aldo, Bira, Criolo, Mareco, Marcelino, Celso, Roberto Gato, Baraquinha, Zezinho Macapá, Murica, Palintinho e outros. Os últimos que foram e tiveram algum destaque foram, Jardel (curtindo aposentadoria), e o zagueiro Edicleber, campeão desta temporada pelo Trem Desportivo Clube.
Na roda de amigos, surgiu a pergunta: - Por que não exportamos mais craques?
O Maranhão disse-me o seguinte: - Aldemir, o leque de opções de divertimentos para o garoto e adolescente cresceu muito, em relação ao que tínhamos em nossa época!
Tenho de concordar. Lembro-me que a Praça Nossa Senhora da Conceição tinha três campos de futebol. No primeiro funcionava a Cruzada comandada pelo "Seu" Dário. Quem não confessasse no sábado e marcasse o cartão da missa no domingo, estava fora do futebol e do cinema. Entretanto, nos três campos de terra batida, não ficava uma tarde onde a bola não estivesse rolando com uma galera esperando para entrar no jogo.
No segundo campo, treinava a Pré-Juvenil, um degrau a menos que a Juventude Oratoriana do Trem, onde se formavam a maioria dos jogadores do Ypiranga Clube.
Não havia televisão (só chegou em 1975), Internet, Estúdios de "games" e "por aí a fora", como diria novamente o velho comandante. Então, só nos restava o seguinte: estudar, namorar, assistir os seriados do "Falcão Negro" no Barracão e "jogar bola". Tudo isto, na devida ordem e disciplina para não levar uns "cascudos" do Padre Vitório. Com muita garotada jogando bola, grande foi o número de bons jogadores formados naquela época.
Minha mãe, Dona Hilma, tinha que trabalhar como professora de "corte-e-costura" na LBA. Tentando me segurar em casa, me amarrava pela perna direita em uma mesa de "acapú", deixando minha irmã Ida, como vigia. Ela piscava, eu me desvencilhava do "cabresto" e partia no rumo da praça. Quando não conseguia fugir da vigilância, pegava minha bola "Pelé" e fazia mais de mil "sola" - hoje chamam de "embaixada. Creio que foi desta forma que comecei a aprimorar a habilidade com a perna esquerda, pois a direita estava atrelada à perna da mesa.
Não se espante se, em uma sexta ou sábado qualquer, aí pelas quatro ou cinco da tarde, ao passar pela Praça Nossa Senhora da Conceição, hoje somente com um campo, este estiver sem ninguém jogando. Prossiga um pouco mais adiante, próximo a 6ª DP, existe um "Cyber" com todos os terminais lotados e uma galera esperando sua vez. As preferências estão invertidas em razão do maior leque de opções, o que não tínhamos em nosso tempo. Tens razão! Amigo Maranhão! Até rimou. Tenho dito. Até a próxima!

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