Reinaldo Coelho
Da Reportagem
Antes denominado Bairro da CEA, demarcava geograficamente um novo agrupamento familiar com a crescente expansão urbana de Macapá. E como todo bairro novo, possuía um enxame de moleques que logo procuravam fazer amizades e através deles as famílias se conheciam. O elo era a bola de futebol, que rolava nas ruas de piçarra do novo bairro. Foram muitos os craques que ali começaram a treinar os grandes passes que os fariam brilhar nos gramados nacionais.
Um garoto que fazia parte desse grupo, porém ainda não tinha escolhido a posição que deveria se posicionar e começou como cabeça de área e depois como não era muito bom nessa posição foi transferido para ser goleiro, ele é Camecran José da Silva. "Os colega do bairro optaram em me colocar no gol".
Logo em seguida o bairro passou a ser denominado Santa Rita e Camecran junto com os colegas tinham na Praça em frente a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, um campo para suas peladas. "Nessa época participei de todas as atividades educacionais, cívicas e religiosas. Fui Lobinho e o finado Ordorval que controlava as equipes que ali disputavam a "rechonchuda". Todos treinavam, porém no domingo quando era escalado os times, ele ficava na porta da igreja e ia anotando por vez de chegada e quanto completava 16 moleques eram titulares o restante ia para a reserva".
Camecran relembra que seu primeiro time foi do bairro, chamado "Reminho". "Nesse time eu jogava na cabeça de área, zagueiro e participamos de um torneio e nesse domingo o olheiro do Oratório Recreativo Clube era o Ordoval e por coincidência a equipe não tinha goleiro, foi quando os amigos me escalaram para essa posição. E a decisão da final foi em pênaltis que eu defendi e fomos Campeão. Então Ordoval disse: vou te levar para o Oratório".
Um detalhe que Camecran destaca que outros vizinhos seus também jogavam no Oratório entre eles o Gervásio Barbosa, Marcelino (Irmãos). "Pelo Gervásio eu ia para o Oratorio, porém o seu irmão Francisco, que hoje trabalha no TRE/AP, era dirigente do Independente Esporte Clube me levou para o clube santanense. Isso eu tinha 17 anos e comecei a treinar, e gostei do clube. Antes do campeonato, nos jogos treinos eu era o 1º goleiro dos seis que estavam disputando posição. Quando o técnico Lourival Lima, O Chibé, assumiu a equipe ele me colocou no banco num jogo entre Amapá Clube e Independente e então não gostei e disse vou para o Oratório, pois lá eu tenho vez. Assim comecei oficialmente as disputas pelo Oratório, onde passei três anos, onde fui tricampeão da segunda divisão".
A regra da Federação Amapaense de Futebol (FAF) era que o clube que ganhasse o titulo três vezes passaria para a primeira divisão, foi assim que o Oratório passou a disputar o Estadual amador. "Na minha primeira passagem pelo Oratório, que era um time de craques, Toco, Smith, Balalão, Roberto Gato, entre outros. Desse grupo o que foi jogar fora do estado foi o Roberto Gato, que passou pelo Remo, Rio Negro".
Em 1979 Camecran compôs a famosa Seleção Amapaense que em Boa Vista, conquistou o titulo, depois fui emprestado para o Trem para disputar o Copão da Amazônia (1980). "Aquele famoso Copão que o Trem perdeu nos 45 segundos para o Ferroviário, fui o goleiro emprestado".
No retorno foi para o Independente já como titular, conquistando o título amapaense e o Copão da Amazônia. "Retornei ao Oratório, porem antes tive um apequena passagem pelo MV13, onde joguei como centroavante e fiz três gols, porem perdemos de 5 x 4 para o Trem. Voltei para o Trem, joguei no Macapá e no Amapá Clube" risada.
Por motivo de continuar os estudos no Ensino Superior, Camecran encerrou a carreira em 1993 e se formou em Direito (CEAP) e Matemática (UNIFAP), nesse ínterim já atuava no serviço público como concursado desde 1984.
Desde 1991 que o futebol amapaense mudou para o profissional, e Camecran foi um dos primeiros campeões do 1º Campeonato de Futebol Profissional pelo Macapá Esporte Clube. "Naquela transição de amador para profissional, não sentimos muita diferença, porque a maioria dos clubes tinha atletas locais, formados em Macapá, mas vimos com o passar do tempo, e não sei o porquê os dirigentes entenderam que ser profissional tinha ter jogador de fora do estado e pararam de investir em categorias de base. Naquela tínhamos o Campeonato de Junior muito forte no Estado, em 1979 fomos campeão. Hoje temos uma serie de categorias, porem não temos nenhum destaque. Hoje está capitalizado, porém nem se compara com o nosso amador'.

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