DECLARAÇÕES
Polícia Civil vive "sucateamento progressivo", diz delegado
José Marques Jardim
Da Editoria
Segundo ele, as viaturas usadas nas diligências estão há duas semanas sem combustível e que os trabalhos só não pararam devido os policiais estarem usando os próprios carros nesses trabalhos. Sávio ainda classificou como ato de corrupção o desrespeito da gestão com os policiais. Para ele, o que está havendo é uma política de estrangulamento promovida pelo não repasse de condições para que a polícia trabalhe.
A Polícia Civil, ou Polícia Judiciária atua diretamente em investigações, e para isso, precisa de estrutura. Nas condições atuais, colocadas pelo delegado, não há como sequer iniciar um inquérito que é o primeiro passo da investigação que culminará em um processo na esfera judicial. O sucateamento da estrutura policial foi atribuído à gestão estadual. Uma vez estrangulando o funcionamento da Polícia Civil, a administração do "aparelho", que é a Polícia Civil, fica inviável.
Dentro desse contexto não faltaram críticas ao orçamento destinado à segurança pública, muito inferior ao destinado à propaganda do governo, que chega a R$ 14 milhões hoje orquestrados pelo marqueteiro e publicitário Walter Júnior. Para Sávio Pinto, o recurso que chega à Polícia Civil "não dá para fazer quase nada". Sobre o pessoal, ele disse que não existe incentivo para capacitação o que obriga o policial a encerrar a carreira na mesma função que entrou. Não existem recursos para estudos ou treinamento fora do Amapá.
O delegado também não poupou certos policiais da corporação que ele classificou como "bajuladores", que para manter o cargo fazem "vista grossa" em cima de muita coisa. Para ele, o cargo é passageiro, mas a polícia vai permanecer.
Descontente
O delegado Sávio Pinto passou a ser conhecido quando assumiu o Departamento Estadual de Trânsito. As relações com parte da imprensa ficaram estremecidas quando um documento expedido pelo Detran do Sul do País foi divulgado no Amapá atestando que ele tinha problemas com a habilitação. O fato foi explicado em seguida, mas a reputação de "linha dura" continuou. Algum tempo depois, Sávio foi convidado a assumir a sub-secretaria de saúde, que teria como titular a enfermeira Olinda Consuelo. Ele aceitou, mas em pouco tempo não concordou com o modelo de administração implantado. O que chegou à imprensa, é que o delegado queria reunir um grupo para investigar os "acordos" que dispensam licitação e os "armários" da Sesa. "Engessado" diante de um sonoro não da gestão, pediu para sair e saiu.
O descontentamento, de certo, foi o motivo principal para as denúncias feitas contra o governo, que exibe com propaganda milionária nos canais de TV adestrados por Camilo Capiberibe, uma segurança pública encenada para mascarar a realidade. Longe dos devaneios de Walter Júnior, o "barão da propaganda" do governo do PSB, estão viaturas sem gasolina, pneus e peças de reposição, onde policiais fazem coleta para não deixar o trabalho parar, que como disse o delegado, pode ser este o objetivo.


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