OUTRO LADO
Jamille Nascimento
Da Reportagem
Após 120 dias do acidente ocorrido no porto da Anglo American, em Santana, a mineradora concluiu esta semana a investigação divulgando o laudo que abona a responsabilidade da empresa. Segundo o diretor geral do Sistema Amapá, José Luís Martins, o acidente foi provocado por uma espécie de argila na base da estrutura, e que não havia sido detectada até então. "O solo onde os equipamentos estavam é muito resistente, por isso o peso do minério e os equipamentos não influenciaram", disse ele.
As declarações foram dadas durante entrevista coletiva no auditório da mineradora. Não faltaram críticas ao trabalho feito pela Polícia Científica, Politec, taxado de precipitado pela Anglo. "Não estou dizendo que no Amapá não tenha perito criminal competente, mas afirmo que na ocasião em que foi expedido o laudo, eles não tiveram acesso a documentos indispensáveis para concluir a investigação. Por isso houve um resultado diferente ao da empresa que contratamos".
De acordo com o relatório fornecido pela empresa, que não teve o nome divulgado, cerca de 500 mil metros cúbicos de material foram dragados para o rio, algo equivalente a 1 milhão de toneladas. "Muitos disseram que um dos motivos do acidente foi o peso do minério, mas não foi. Apenas uma pequena pilha de 15 mil toneladas de minério foi atingida", afirma José Luiz.
Famílias
Com relação às famílias das vítimas, a empresa diz que está dando todo o suporte necessário "Já fizemos um acordo indenizatório com elas e os pagamentos já estão sendo feitos, inclusive com os donos das embarcações atingidas no acidente. Não temos nenhuma pendência financeira e toda a assistência vai continuar até elas deixarem de necessitar do nosso suporte", esclareceu o diretor.
Ainda existem dois trabalhadores desaparecidos "Por dois meses, as autoridades e a empresa fizeram tudo que era possível para encontrar os corpos. Chegamos a contratar um helicóptero, lanchas e mergulhadores especializados em água barrenta. Navios da Marinha equipados com sonar e barcaças participaram das buscas. Tudo foi feito, mas sem resultado. Já se passou muito tempo e as famílias já estão entrando com pedido de morte presumida", explicou.
Retorno
Segundo o diretor José Martins, a solução definitiva para o porto voltar a operar ainda está longe de acontecer. "Nossa expectativa é para o segundo trimestre de 2014. Montaremos um píer de aço, que vai estar fixado no fundo do rio, por pilares de ferro e que terá a mesma capacidade de embarque que tínhamos antes do acidente, mas como não podemos ficar sem movimentação estamos planejando um esquema de solução provisória que tem previsão de começar a funcionar em novembro deste ano, após a obtenção das licenças necessárias". Esclareceu Martins. O minério será transportado com a utilização de barcaças, para a Companhia Docas de Santana (CDSA), e de lá, será transferido para os navios.
O custo da obra não foi informado na coletiva, mas segundo José Luiz, o lucro da empresa será pequeno. "Não podemos mais ficar só estocando minério. A empresa não irá ver lucro no primeiro momento, porém, temos que voltar a funcionar" concluiu.
Politec
Imprudência e negligência causaram acidente no porto da Anglo
O acidente ocorrido em março deste ano no terminal portuário da mineradora multinacional Anglo American, em Santana, no Amapá, onde quatro trabalhadores morreram e dois continuam desaparecidos foi fruto de negligência e imprudência da empresa. É o que diz o laudo pericial elaborado pelo Departamento de Criminalística da Polícia Técnico-Científica do Amapá (Politec).
No documento, cinco peritos apontam que o desmoronamento de parte do terreno onde a empresa armazena milhares de toneladas de minério de ferro foi causado por vários fatores, entre eles a sobrecarga de operações de transporte e embarque de minérios e o estoque de material próximo à margem do Rio Amazonas.
A principal causa, contudo, foi a ausência de estruturas de contenção adequadas junto à margem do terminal portuário. Segundo os peritos, essas estruturas serviriam para reforçar a estabilidade do solo e o talude construído pela empresa, uma espécie de contenção inclinada feita no próprio terreno. No acidente, foi justamente o talude, com altura variando entre 20 a 40 metros, que desmoronou.
Com o deslizamento, não só a terra mas parte da montanha de minério armazenado no topo do talude atingiu caminhões, guindastes, parte do escritório da empresa e arrastou para o fundo do rio seis trabalhadores que carregavam uma embarcação com destino à China. Ainda segundo o laudo, o pátio de estocagem tinha capacidade para armazenar 288 mil toneladas de minério.
O impacto da queda do material na água gerou uma onda que atingiu o píer e várias embarcações. Os peritos foram taxativos ao afirmar que, ao contrário do que a Anglo American divulgou inicialmente, o acidente não foi causado por fenômenos naturais. Eles também apontam que, até a conclusão do laudo, a empresa não havia entregado cópias dos projetos da obra portuária, da licença de construção e dos exames de ensaio de resistência do solo. Também não foram apresentados documentos ou registros atestando que os estudos prévios do solo, como testes de sondagem e de pesquisas geológicas tenham sido feitos.
Após o acidente, o empreendimento foi interditado por órgãos como o Ministério do Trabalho e Emprego, que constatou que o local oferecia risco aos trabalhadores. O Instituto do Meio Ambiente e Ordenamento Territorial do Estado do Amapá (Imap) multou a Anglo em R$ 20 milhões, alegando que houve alterações graves na natureza. A multinacional está recorrendo da multa.
As declarações foram dadas durante entrevista coletiva no auditório da mineradora. Não faltaram críticas ao trabalho feito pela Polícia Científica, Politec, taxado de precipitado pela Anglo. "Não estou dizendo que no Amapá não tenha perito criminal competente, mas afirmo que na ocasião em que foi expedido o laudo, eles não tiveram acesso a documentos indispensáveis para concluir a investigação. Por isso houve um resultado diferente ao da empresa que contratamos".
De acordo com o relatório fornecido pela empresa, que não teve o nome divulgado, cerca de 500 mil metros cúbicos de material foram dragados para o rio, algo equivalente a 1 milhão de toneladas. "Muitos disseram que um dos motivos do acidente foi o peso do minério, mas não foi. Apenas uma pequena pilha de 15 mil toneladas de minério foi atingida", afirma José Luiz.
Famílias
Com relação às famílias das vítimas, a empresa diz que está dando todo o suporte necessário "Já fizemos um acordo indenizatório com elas e os pagamentos já estão sendo feitos, inclusive com os donos das embarcações atingidas no acidente. Não temos nenhuma pendência financeira e toda a assistência vai continuar até elas deixarem de necessitar do nosso suporte", esclareceu o diretor.
Ainda existem dois trabalhadores desaparecidos "Por dois meses, as autoridades e a empresa fizeram tudo que era possível para encontrar os corpos. Chegamos a contratar um helicóptero, lanchas e mergulhadores especializados em água barrenta. Navios da Marinha equipados com sonar e barcaças participaram das buscas. Tudo foi feito, mas sem resultado. Já se passou muito tempo e as famílias já estão entrando com pedido de morte presumida", explicou.
Retorno
Segundo o diretor José Martins, a solução definitiva para o porto voltar a operar ainda está longe de acontecer. "Nossa expectativa é para o segundo trimestre de 2014. Montaremos um píer de aço, que vai estar fixado no fundo do rio, por pilares de ferro e que terá a mesma capacidade de embarque que tínhamos antes do acidente, mas como não podemos ficar sem movimentação estamos planejando um esquema de solução provisória que tem previsão de começar a funcionar em novembro deste ano, após a obtenção das licenças necessárias". Esclareceu Martins. O minério será transportado com a utilização de barcaças, para a Companhia Docas de Santana (CDSA), e de lá, será transferido para os navios.
O custo da obra não foi informado na coletiva, mas segundo José Luiz, o lucro da empresa será pequeno. "Não podemos mais ficar só estocando minério. A empresa não irá ver lucro no primeiro momento, porém, temos que voltar a funcionar" concluiu.
Politec
Imprudência e negligência causaram acidente no porto da Anglo
O acidente ocorrido em março deste ano no terminal portuário da mineradora multinacional Anglo American, em Santana, no Amapá, onde quatro trabalhadores morreram e dois continuam desaparecidos foi fruto de negligência e imprudência da empresa. É o que diz o laudo pericial elaborado pelo Departamento de Criminalística da Polícia Técnico-Científica do Amapá (Politec).
No documento, cinco peritos apontam que o desmoronamento de parte do terreno onde a empresa armazena milhares de toneladas de minério de ferro foi causado por vários fatores, entre eles a sobrecarga de operações de transporte e embarque de minérios e o estoque de material próximo à margem do Rio Amazonas.
A principal causa, contudo, foi a ausência de estruturas de contenção adequadas junto à margem do terminal portuário. Segundo os peritos, essas estruturas serviriam para reforçar a estabilidade do solo e o talude construído pela empresa, uma espécie de contenção inclinada feita no próprio terreno. No acidente, foi justamente o talude, com altura variando entre 20 a 40 metros, que desmoronou.
Com o deslizamento, não só a terra mas parte da montanha de minério armazenado no topo do talude atingiu caminhões, guindastes, parte do escritório da empresa e arrastou para o fundo do rio seis trabalhadores que carregavam uma embarcação com destino à China. Ainda segundo o laudo, o pátio de estocagem tinha capacidade para armazenar 288 mil toneladas de minério.
O impacto da queda do material na água gerou uma onda que atingiu o píer e várias embarcações. Os peritos foram taxativos ao afirmar que, ao contrário do que a Anglo American divulgou inicialmente, o acidente não foi causado por fenômenos naturais. Eles também apontam que, até a conclusão do laudo, a empresa não havia entregado cópias dos projetos da obra portuária, da licença de construção e dos exames de ensaio de resistência do solo. Também não foram apresentados documentos ou registros atestando que os estudos prévios do solo, como testes de sondagem e de pesquisas geológicas tenham sido feitos.
Após o acidente, o empreendimento foi interditado por órgãos como o Ministério do Trabalho e Emprego, que constatou que o local oferecia risco aos trabalhadores. O Instituto do Meio Ambiente e Ordenamento Territorial do Estado do Amapá (Imap) multou a Anglo em R$ 20 milhões, alegando que houve alterações graves na natureza. A multinacional está recorrendo da multa.




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