sexta-feira, 20 de setembro de 2013






Informações do ranking universitário brasileiro



Está disponível no site do jornal Folha de S. Paulo o ranking de qualidade das universidades brasileiras no ano de 2013. Os aspectos de qualidade avaliados foram "ensino", "pesquisa", "mercado", "inovação" e "internacionalização". 

Esses cinco indicadores somados resultam em 100 pontos. Sendo, para o ensino, 32 pontos (considerando, dentre outros fatores, a porcentagem de professores da universidade que tem doutorado); para o mercado de trabalho, 18 pontos; para a inovação, 4 pontos; para a pesquisa, 40 pontos; e, para a internacionalização, 6 pontos. Foram avaliadas 192 instituições, abrangendo particulares e públicas. 

Munidos dessas informações, pode-se inferir bastante sobre o quadro educacional no Brasil. Apesar do perigoso fantasma do sucateamento que ronda muitas universidades públicas, as federais ainda possuem os mais elevados índices. O centro e berço do saber permanecem nas instituições do governo. São, portanto, as que abrigam os estudos mais profícuos e, consequentemente, são também as mais concorridas.
Para se ter ideia, a melhor universidade privada do Brasil, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO), só apareceu em 15º lugar no ranking. Muitos teimam hoje em usar, como descrédito às universidades públicas, o argumento da desorganização, ou do descaso, do engessamento, etc. Mas as instituições federais e estaduais permanecem alimentando o conhecimento em níveis nacional e internacional, além de formarem melhores pesquisadores, com base na produção científica computada para cada uma das universidades arroladas.

Além da reafirmação da considerável supremacia do ensino público universitário - o que contrasta duramente com o desgaste e a deficiência do ensino público nas escolas de primeiro grau e segundo graus financiadas pelo governo -, há também espaço para tristes constatações no ranking.
O Amapá, por exemplo, tem seus dois polos de saber - a universidade estadual e a universidade federal - em posições bastante distantes do topo. A Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) aparece em 163º lugar. A Universidade Estadual do Amapá (UEAP), por sua vez, ocupa a 190ª posição - ou seja, é a antepenúltima. 

Praticamente um país inteiro nos separa da primeira colocada, a federal USP (Universidade de São Paulo), que computou 96.89 pontos. 

Era de se esperar, de fato, que o Amapá não ficasse logo entre os primeiros, pois a medição envolve quase sempre quantidade de alunos, de professores, de trabalhos produzidos, etc. E sabemos que nosso Estado é um dos menores em número. Mas, ainda assim, aqui estamos, e esses baixos números assustam.
Contudo, não é momento de chorar, se desesperar ou pisotear a ideologia dos rankings ou coisa que valha, por mais falhos e relativizáveis que sejam. O momento é de mastigar os dados coletados e ruminar. 
Poderíamos ter algum destaque em fatores analisados pela tabela, mas o Amapá apareceu de maneira extremamente tímida, para não dizer vexada. "O que falta melhorar?", essa é a pergunta que devemos fazer.

Acima de tudo, antes de pensar de maneira global, devemos pensar em níveis pessoais, localizados. Além disso, não podemos esperar mudanças drásticas já para o próximo ano - o que resultaria apenas em esperanças frustradas. 

Mas podemos, sim, combater mentalidades educacionais retrógradas que ainda imperam em nossa sociedade e estimular cada vez mais a produção intelectual no Amapá. 
Como uma maneira até mesmo de expurgar nossa política, nossa economia, nossas crises, nossos dilemas amazônicos existenciais... E isso tudo começa no lar. A produção intelectual, quando estimulada, e bem aplicada, muda uma sociedade.
Devemos almejar essas mudanças partindo de detalhes. 

Incentivando o ingresso às universidades, seja em que área for. Nas Humanas, nas Biológicas, nas Exatas... Temos de lutar por desmistificar a ideia de que alguns cursos são mais nobres que outros. Todo conhecimento vale a pena.
Este é o momento para perseguirmos uma educação que seja, embora não alcançável por todos - atualmente -, pelo menos mais abrangente. Devemos nos importar e lutar, por exemplo, por condições de transporte, moradia e suporte educacional aos habitantes de municípios mais remotos que queiram ingressar nas universidades. 

Devemos mostrar à nossa população como o estudo aprimorado pode mudar tudo aquilo que, agora, nos empobrece, desaponta e entristece. Devemos usar esse ranking para pensar, dentro de nossas casas, o que é possível fazer a fim de estimular crianças, jovens e idosos a perseguirem sim uma carreira que termine por conquistar louros intelectuais que mudarão a vida pessoal deles e sua própria sociedade. 

É tempo de refletir e começar a planejar para o futuro aquilo que nos fará subir nesse ranking, e cada vez mais para cima, constante e firme, ainda que não instantaneamente. Não é tempo de utopias, estamos cansados delas. Mas é tempo de sonhar, projetar e alcançar.

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