Estava navegando no site do Yahoo! essa semana, quando me deparei com a matéria que contava como o jornal argentino Olé havia feito uma "brincadeira de mau gosto" com o Brasil. Isso aconteceu em uma de suas recentes manchetes, que anunciava na capa, após a vitória da seleção argentina contra o Paraguai e a consequente escalação para a Copa do Mundo: "Garotas, aí vamos nós!". E o subtítulo ainda complementava: "Comecem a guardar dinheiro, que no ano que vem disputaremos a Copa no Brasil". A alusão ao turismo sexual é clara, e o humor que impera nas publicações do periódico é sempre corroborado com gosto pelo diretor do diário.
Esta seria só mais uma manchete de provável mau gosto, e que passaria despercebida, não fosse o enxame que os brasileiros começaram a fazer, sentindo-se ofendidos com a insinuação do turismo sexual em nosso país. É claro, temos o direito de nos ofender. Mas a questão é a seguinte: na mesma medida em que ficamos indignados com a imagem que passamos para os outros, acabamos estimulando, celebrando, construindo e vendendo lá fora e aqui dentro os piores estereótipos possíveis sobre nós mesmos!
Prova disso encontrei, de novo, no próprio site do Yahoo! Brasil, no mesmo dia, na mesma página. Ao lado da notícia sobre a polêmica capa do jornal argentino, havia uma outra matéria que anunciava, entre fotos de famosas brasileiras com as nádegas expostas, o "troféu de 'melhor bumbum'". O que é isso, afinal? Como podemos exigir qualquer "respeito", se nós mesmos nos pintamos como um povo que, longe de "valorizar a mulher", trata o corpo feminino como um produto? Exportamos a coisificação feminina e, bem, o que fazer? Todo mundo compra a ideia. Nós somos os culpados.
O turismo sexual no Brasil é uma realidade, e triste. Dentro dele, pairam outras questão ainda mais sombrias, como o próprio tráfico de pessoas e a pedofilia. Mas também é triste o fato de que, enquanto fazemos birra por causa de um jornal argentino implicante, por outro lado estamos promovendo concursos de "Miss Bumbum" e elegendo mulheres-fruta.
O jornal Olé, mesmo em seu prazer declarado pela infâmia, não fez nada além de confirmar uma imagem que já existe, e é grave. Não incitaram comportamentos, ao contrário do que alguns afirmam, como se fossem eles os culpados exclusivos pelo mercado sexual em nosso país. Se turistas são atraídos para cá com esse intuito, é porque o sistema já existe e está bem solidificado. A culpa é nossa, volto a dizer.
E a coisa não é de agora. É histórica, cultural... Somos os culpados desde o "É O Tchan", quando estimulávamos as meninas a "descerem até a boquinha da garrafa" e "fazer a cobra subir", e até desde antes disso. Quem dançava esses hits eram crianças, que, apesar da idade, sempre foram estimuladas pela mídia, pelos pais, pela sociedade... E fazemos isso até hoje.
O maior problema do Brasil, que caminha junto com as próprias mazelas, é essa incoerência bruta, fatal. Queremos limpar nossa imagem com o mundo, mas, aqui dentro, a exploração sexual e a sensualização indiscriminada nos acompanham desde sempre, com certo grau de "normalidade". Estamos interessados em ajeitar a fachada do Brasil, mas guardar toda a sujeira sob a bandeira, sem nos livrar dela.
Somos um país que se prostitui das piores maneiras possíveis. E depois veste a bata de freira. Enquanto prosseguirmos nos ofendendo ridiculamente com aquilo que é veiculado sobre nós lá fora, mas ignorando o que acontece aqui dentro, e aplaudindo o show das poderosas bundas rebolantes, não podemos esperar nada além de manchetes escarnecedoras - e com razão! - da imprensa estrangeira.
Esta seria só mais uma manchete de provável mau gosto, e que passaria despercebida, não fosse o enxame que os brasileiros começaram a fazer, sentindo-se ofendidos com a insinuação do turismo sexual em nosso país. É claro, temos o direito de nos ofender. Mas a questão é a seguinte: na mesma medida em que ficamos indignados com a imagem que passamos para os outros, acabamos estimulando, celebrando, construindo e vendendo lá fora e aqui dentro os piores estereótipos possíveis sobre nós mesmos!
Prova disso encontrei, de novo, no próprio site do Yahoo! Brasil, no mesmo dia, na mesma página. Ao lado da notícia sobre a polêmica capa do jornal argentino, havia uma outra matéria que anunciava, entre fotos de famosas brasileiras com as nádegas expostas, o "troféu de 'melhor bumbum'". O que é isso, afinal? Como podemos exigir qualquer "respeito", se nós mesmos nos pintamos como um povo que, longe de "valorizar a mulher", trata o corpo feminino como um produto? Exportamos a coisificação feminina e, bem, o que fazer? Todo mundo compra a ideia. Nós somos os culpados.
O turismo sexual no Brasil é uma realidade, e triste. Dentro dele, pairam outras questão ainda mais sombrias, como o próprio tráfico de pessoas e a pedofilia. Mas também é triste o fato de que, enquanto fazemos birra por causa de um jornal argentino implicante, por outro lado estamos promovendo concursos de "Miss Bumbum" e elegendo mulheres-fruta.
O jornal Olé, mesmo em seu prazer declarado pela infâmia, não fez nada além de confirmar uma imagem que já existe, e é grave. Não incitaram comportamentos, ao contrário do que alguns afirmam, como se fossem eles os culpados exclusivos pelo mercado sexual em nosso país. Se turistas são atraídos para cá com esse intuito, é porque o sistema já existe e está bem solidificado. A culpa é nossa, volto a dizer.
E a coisa não é de agora. É histórica, cultural... Somos os culpados desde o "É O Tchan", quando estimulávamos as meninas a "descerem até a boquinha da garrafa" e "fazer a cobra subir", e até desde antes disso. Quem dançava esses hits eram crianças, que, apesar da idade, sempre foram estimuladas pela mídia, pelos pais, pela sociedade... E fazemos isso até hoje.
O maior problema do Brasil, que caminha junto com as próprias mazelas, é essa incoerência bruta, fatal. Queremos limpar nossa imagem com o mundo, mas, aqui dentro, a exploração sexual e a sensualização indiscriminada nos acompanham desde sempre, com certo grau de "normalidade". Estamos interessados em ajeitar a fachada do Brasil, mas guardar toda a sujeira sob a bandeira, sem nos livrar dela.
Somos um país que se prostitui das piores maneiras possíveis. E depois veste a bata de freira. Enquanto prosseguirmos nos ofendendo ridiculamente com aquilo que é veiculado sobre nós lá fora, mas ignorando o que acontece aqui dentro, e aplaudindo o show das poderosas bundas rebolantes, não podemos esperar nada além de manchetes escarnecedoras - e com razão! - da imprensa estrangeira.
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