Não temos uma política de Estado focada na prevenção às doenças
Quando se fala de saúde pública no Amapá, o debate político e técnico costuma limitar-se ao problema da insuficiência dos recursos públicos para pagar os custos da saúde. O debate desse problema é importante e precisa ser equacionado, porém há uma maneira bem mais simples de fazer render o "pouco" dinheiro disponível para cuidar da saúde pública do Estado.
Quero fazer referência à prevenção de doenças, matéria tão negligenciada por todos os Governadores do Amapá eleitos após a Constituição de 1988, quando o Amapá se tornou um Estado da República Federativa do Brasil.
Segundo dados do IBGE e do Ministério da Saúde, hoje as doenças e internações na rede pública de saúde do Estado do Amapá têm como principais causas: 1ª) Acidentes de trânsito; 2ª) Câncer; 3ª) Doenças cardiovasculares; e 4ª) Causas externas, preponderantemente provenientes da violência.
Como se depreende da lista, as doenças e internações na rede pública estadual são plenamente evitáveis, desde que o Governo do Amapá planeje e execute políticas de Estado (e não de órgãos ou instituições) para reduzir cada uma dessas causas.
Não precisa ser especialista na área da saúde para saber que os nossos hospitais estaduais têm seus leitos ocupados na sua grande maioria por pessoas vítimas de acidentes de trânsito. São muitos milhões de reais todos os anos com cirurgias, internações, pagamentos de profissionais (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, etc.), compra de próteses e medicamentos.
Como iniciativa governamental, vê-se um trabalho isolado e solitário do DETRAN, já que política de Estado para reduzir os acidentes de trânsito não existe. Caso existisse, as Secretarias de Estado da Saúde, da Segurança, da Educação, da Comunicação, da Cultura, do Esporte e Lazer e da Infraestrutura, por exemplo, estariam atuando de forma coordenada e focada na redução desses acidentes que tiram e mutilam tantas vidas no Estado do Amapá.
Caso tivéssemos uma política de Estado para reduzir esses acidentes, quantos leitos hospitalares não estariam desocupados nos nossos hospitais, quantas vidas não teriam sido salvas, quantos milhões de reais não teríamos economizado para investirmos em outras áreas da própria saúde?
O mesmo tratamento "amador" é dado à questão do câncer no Amapá. Por que o câncer aparece em destaque como causa de demanda da rede pública estadual? A resposta é simples: também não temos uma política de Estado de combate ao câncer, nem preventiva e nem curativa. Vamos completar em outubro vinte e cinco anos de existência como Estado do Amapá e até agora não temos o tratamento do câncer com radioterapia no Estado. O município de Santarém, no Pará, já tem. Por que lá é possível e aqui não?
Pasmem! Nesses vinte e cinco anos, os Governadores que administraram o nosso Estado não conseguiram sequer montar uma rede mínima de diagnóstico para prevenção do câncer. É por isso que o Padre Paulo Roberto, Presidente do IJOMA, não se conforma e não aceita essa humilhação a que são submetidas as pessoas portadoras de câncer no Amapá, pois essa humilhação é resultado da incompetência e da falta de compromisso dos nossos governantes.
Com relação às doenças cardiovasculares e às doenças resultantes da violência (causas externas), a situação é idêntica ao que já foi relatado acima.
Segundo o IBGE, o Amapá é um dos Estados com o maior índice de obesidade, circunstância que pode levar uma pessoa à hipertensão arterial (pressão alta), à diabetes, ao câncer, às doenças cardiovasculares e cérebro-vasculares, apneia do sono e osteoartrite (artrose).
A violência no Estado cresce a "olho nu", ceifando vidas e mutilando outras, inclusive com a incapacidade para o trabalho.
Política de Estado para combater a obesidade e a violência? Não. Isso não dá voto. Essa parece ser a visão daqueles que já tiveram a oportunidade de governar este Estado. Se não for isso, então é incompetência ou ignorância.
Ainda no campo da prevenção, também devemos lembrar o potencial de prevenção a doenças a realização do saneamento básico de nossas cidades, requisito quase inexistente no Amapá.
Como querem ter dinheiro suficiente e saúde pública de qualidade se não fazem o óbvio e o necessário?


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