Vivemos tempos difíceis para essa juventude. Ou talvez por causa dela. Se vitima ou vilã, ainda não sei ao certo. Mas a verdade é que os jovens se mostram cada vez mais frágeis, esvaziados, cansados, tontos... É afirmativa genérica, mas fruto de observação acurada.
Acontece que há poucos dias, sendo eu estudante de Letras, comecei a dar aulas de reforço em um curso de Fortaleza e passei a conviver intensamente com jovenzinhos entre 10 e 14 anos. E o que vejo é isto: uma juventude exaurida, pouco interessada. Em todas as crianças com as quais me relacionei até agora não vi muito além de um langoroso enfado e uma teimosa apatia.
Que juventude é essa que vem se erguendo tão desanimada? Tão cheia de tudo, e ao mesmo tempo tão pobre? Vejo agora esses adolescentes com uma montanha de aparelhos eletrônicos, por exemplo. Têm de tudo, e do melhor. "iPhones", "iPads", computadores e afins, baixando atualizações disso e daquilo... Não importa a idade, do mais novo ao mais velho. Suas atenções são sugadas por essa emergência em se corresponder com suas telas. As mentes deles estão em todo lugar, mas sempre lá fora, nunca do lado de dentro, nunca vivenciando de fato o momento presente.
Tenho a impressão de que a essas crianças, é quase impossível entusiasmá-las. O que as move? Em termos escolares, em termos de ensino, já estão desiludidas. Não aprenderam a gostar de aprender (não da maneira como hoje se ensina nas escolas). Lidam com as aulas como uma espécie de castigo. De fato, os colégios e suas provas podem ser como prisões. Mas há sempre o conhecimento, e ele não está aprisionado... Esses jovens, no entanto, não aprenderam (ainda?) a amar o saber. É triste constatar tais coisas, mas são verdades.
A meninada se ergue sobre um pedestal frágil de uma alegria que pode ser "comprada" com os inúmeros objetos portáteis que possuem, encaixando a monotonia da obrigação de aprender entre os milhares de outros afazeres da rotina. Não é que não se interessem por nada, agora vejo. Mas é que são forçados a se interessar por tudo. Observo esses filhos da classe média espremidos entre aulas de balé, jazz, futebol, inglês, academia, natação, reforço... E você imagina que são felizes, pois têm de quase tudo. Mas não. Se tornaram meros recipientes dos interesses dos pais e das demandas familiares que quase nunca atendem aos anseios saudáveis de uma criança.
Enfim, soube que um canal de TV a cabo - e a TV a cabo personifica bem o estilo de vida dessa classe média que pariu crianças privilegiadas, mas tão desinteressas - acabou de tirar da programação alguns episódios do desenho "Tom & Jerry", aquele do gato e do rato que se perseguiam e se esfolavam diariamente. Pois então, cerca de 100 episódios acabaram censurados, considerados "politicamente incorretos". As perseguições gatunas foram consideradas duras demais...
Mas eu pergunto: que geração é essa que não sobrevive ao Tom e ao Jerry? É uma fragilidade que não encontra amparo em nada. A essa juventude, parece que tudo é risco de destruição e calamidade. E os pais os encerram em redomas de cristal, dando-lhes de tudo, mas negando tantas outras experimentações..., ditando-lhes rotinas, amassando-lhes até extrair todo o sumo, sem perceber que, ao encerrá-los debaixo dessa exagerada proteção burguesa, acabam por sufocar qualquer embrião de vida, de ardor. Só resta mesmo a esses jovens a apatia de quem já tem tudo, tendo, no fundo, nada. Qual o meu papel? Qual o seu papel nesse melancólico drama juvenil?

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