Calçadas: perigo a cada passo
Reinaldo Coelho
Da Reportagem
Se já é difícil caminhar pelas calçadas de Macapá, a situação ficou mais perigosa, quando carros e motos, além de jardins particulares ocupam as calçada, oferecendo riscos aos pedestres. "Eu quase caí um dia, quando estava andando no Centro, se não fosse uma moça me ajudar eu poderia ter me machucado. As calçadas estão muito feias, eu evito vir ao Centro por causa disso, venho só quando é realmente necessário. A gente tem que andar olhando para o chão para não cair", afirma a aposentada de 74 anos, Conceição Oliveira.
Responsabilidades
As calçadas não são privadas, apesar do direito de uso, devem seguir as normas para a sua construção, que nesse caso é o Plano Diretor de Macapá. Porém, o que se vê aqui é todo mundo fazendo calçadas de qualquer jeito, na altura que quiser e colocar o piso que entender.
O que não devem sofrer os idosos que na maioria sofre com osteoporose e as pessoas que tem dificuldade de locomoção que se utilizam de andadores, cadeiras de rodas, como é difícil a acessibilidade para esse pessoal.
Perigo aos pés
Andar ou passear nas calçadas, mais precisamente na Avenida FAB uma das principais artérias de Macapá, é aventurar-se entre sacões de lixos, esgoto que vaza, desníveis no piso, camelôs, buracos, barracas, estandes e corpos apressados e o pior raízes de árvore que junto com os tapumes da obra de reforma do Hospital das Clinicas Alberto Lima que em uma deles tem mais de 30 cm de altura. São 900 metros de perigo, onde passear pode terminar em uma torção no pé; onde chegar, no fim da via, sem tropeçar, precisar invadir a rua ou fazer alguma acrobacia é uma proeza. "Caminhar aqui é esporte radical", brinca um dos transeuntes.
"Nem sei quantos casos já vimos de mulheres que torcem os pés e de idosas que precisam ser socorridas ali, nas imediações com do hospital", relata Roberto Lima, moto taxista, que tem um ponto ali e ele ressalta que essas árvores que tem mais de cinquenta anos estão com "miolos" destruídos e podem cair a qualquer momento causando acidentes de piores proporções.
Se a situação pode ser infernizante para quem anda normalmente, ela é mesmo ultrajante às pessoas com necessidades especiais. "Alguém numa cadeira de rodas passa onde ali? Onde? Não passa!", critica o cadeirante André Baia Santos, apontando calçada e o meio-fio na dita Avenioda FAB. Até quando deficientes físicos serão negligenciados nas obras públicas?".
Na Rua São José, além de ter que caminhar pelas calçadas mal feitas, os pedestres precisam desviar dos tapumes de construções que ocupam, pelo menos, a metade das calçadas. " É bem difícil caminhar pelo Centro. A gente precisa estar atento. E fazer uma calçada não é complicado, mas o que falta é interesse das pessoas", explica o pedreiro João Batista.
O secretário de Desenvolvimento Urbano de Macapá informa que a manutenção de calçadas não é de responsabilidade do município e sim dos proprietários dos imóveis. "Apenas estruturas públicas são de competência da administração municipal. A municipalidade tem o papel de fiscalizar a implementação adequada".
Beira rio
Os obstáculos atrapalham a circulação pela cidade, como na Avenida Beira Rio próximo ao Parque do Forte, os buracos e queda do muro de arrimo chegam a impedir a população de transitar nas calçadas, causando até mesmo traumas.
O que é visto de calçadas que podem ser uma armadilha para quem caminha distraidamente em Macapá e inacreditável. "As entradas de garagem são as piores, o desnível é muito diferente, a gente que usa salto alto para trabalhar precisa se cuidar para não virar o pé, a prefeitura deveria exigir que as calçadas fossem de qualidade, pelo menos aqui no centro", destaca a enfermeira Lindacy Lima.
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