sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

  
Calçadas: perigo a cada passo


Reinaldo Coelho
Da Reportagem


Por onde quer que se vá em Macapá é difícil encontrar calçadas regulares. Desníveis, inclinações e, muitas vezes, até buracos são um obstáculo para os pedestres da cidade. As calçadas da cidade estão repletas de desníveis, buracos e alterações que comprometem a segurança dos transeuntes. Além dos obstáculos estruturais, o lixo e o comércio informal irregular também dificultam o trânsito de pessoas.

É comum se perceber a falta de padronização das calçadas principalmente no centro da cidade onde o fluxo de pessoas é grande. O macapaense desaprova as calçadas da cidade, e, além disso, as consideram inseguras e de acessibilidade discutível. Muitos disseram já ter presenciado ou vivido uma situação de dificuldade em transitar pelas vias públicas da Capital. 

Se já é difícil caminhar pelas calçadas de Macapá, a situação ficou mais perigosa, quando carros e motos, além de jardins particulares ocupam as calçada, oferecendo riscos aos pedestres. "Eu quase caí um dia, quando estava andando no Centro, se não fosse uma moça me ajudar eu poderia ter me machucado. As calçadas estão muito feias, eu evito vir ao Centro por causa disso, venho só quando é realmente necessário. A gente tem que andar olhando para o chão para não cair", afirma a aposentada de 74 anos, Conceição Oliveira.

Responsabilidades



As calçadas não são privadas, apesar do direito de uso, devem seguir as normas para a sua construção, que nesse caso é o Plano Diretor de Macapá. Porém, o que se vê aqui é todo mundo fazendo calçadas de qualquer jeito, na altura que quiser e colocar o piso que entender.

A dona de casa Maria Antônia Lima moradora da Avenida Hildemar Maia, Bairro Santa Rita ao falar com reportagem comentou que "Ainda há poucos dias me acidentei em uma calçada pelo piso ser de cerâmica lisa imprópria para calçadas e como esta era de cor branca e brilhante, não vi que estava molhada e consequentemente fui ao chão machucando-me e traumatizando a região do tórax e quebrando os óculos, a quem responsabilizar o proprietário da residência ou a prefeitura por não fiscalizar esse tipo de obra? Uma vez que as calçadas deveriam ser obrigatoriamente padrão em sua altura, piso, em nome da tão famosa e linda palavra: Acessibilidade".

O que não devem sofrer os idosos que na maioria sofre com osteoporose e as pessoas que tem dificuldade de locomoção que se utilizam de andadores, cadeiras de rodas, como é difícil a acessibilidade para esse pessoal. 

Perigo aos pés

Andar ou passear nas calçadas, mais precisamente na Avenida FAB  uma das principais artérias de Macapá, é aventurar-se entre sacões de lixos, esgoto que vaza, desníveis no piso, camelôs, buracos, barracas, estandes e corpos apressados e o pior raízes de árvore que junto com os tapumes da obra de reforma do Hospital das Clinicas Alberto Lima que em uma deles tem mais de 30 cm de altura. São 900 metros de perigo, onde passear pode terminar em uma torção no pé; onde chegar, no fim da via, sem tropeçar, precisar invadir a rua ou fazer alguma acrobacia é uma proeza. "Caminhar aqui é esporte radical", brinca um dos transeuntes. 
"Nem sei quantos casos já vimos de mulheres que torcem os pés e de idosas que precisam ser socorridas ali, nas imediações com do hospital", relata Roberto Lima, moto taxista, que tem um ponto ali e ele ressalta que essas árvores que tem mais de cinquenta anos estão com "miolos" destruídos e podem cair a qualquer momento causando acidentes de piores proporções.

Se a situação pode ser infernizante para quem anda normalmente, ela é mesmo ultrajante às pessoas com necessidades especiais. "Alguém numa cadeira de rodas passa onde ali? Onde? Não passa!", critica o cadeirante André Baia Santos, apontando calçada e o meio-fio na dita Avenioda FAB. Até quando deficientes físicos serão negligenciados nas obras públicas?".

Na Rua São José, além de ter que caminhar pelas calçadas mal feitas, os pedestres precisam desviar dos tapumes de construções que ocupam, pelo menos, a metade das calçadas. " É bem difícil caminhar pelo Centro. A gente precisa estar atento. E fazer uma calçada não é complicado, mas o que falta é interesse das pessoas", explica o pedreiro João Batista.
O secretário de Desenvolvimento Urbano de Macapá informa que a manutenção de calçadas não é de responsabilidade do município e sim dos proprietários dos imóveis. "Apenas estruturas públicas são de competência da administração municipal. A municipalidade tem o papel de fiscalizar a implementação adequada". 

Beira rio

Os obstáculos atrapalham a circulação pela cidade, como na Avenida Beira Rio próximo ao Parque do Forte, os buracos e queda do muro de arrimo chegam a impedir a população de transitar nas calçadas, causando até mesmo traumas. 

O que é visto de calçadas  que podem ser uma armadilha para quem caminha distraidamente em Macapá e inacreditável. "As entradas de garagem são as piores, o desnível é muito diferente, a gente que usa salto alto para trabalhar precisa se cuidar para não virar o pé, a prefeitura deveria exigir que as calçadas fossem de qualidade, pelo menos aqui no centro", destaca a enfermeira Lindacy Lima.

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