PIONEIRISMO
"Antigamente éramos respeitados pelos alunos e os pais nos apoiavam hoje, se repreendermos um aluno, eles partem para a violência e muitas vezes com ajuda paterna. A família se desestruturou, as drogas entraram nos lares e está respingando nas escolas" - Maria da Consolação Lins Côrte - professora aposentada
REINALDO COELHO
DA REPORTAGEM
Nesta semana teremos mais uma pioneira batalhadora pela Educação dos jovens amapaense, Maria da Consolação Lins Côrtes, que labutou cedo e hoje aposentada e ainda pensa nas crianças que necessitam frequentar uma escola. Porém, o tempo agora é de curtir o maridão Cezar Bernard que com quem estão 40 anos casados e os netos. Um destaque dessa semana nesta editoria é a viajem que faremos junto com a Consolação pelos lugares da adolescência e juventude de Macapá antiga.
Tal qual o dito "Mãe é aquela que cria, não aquela que dá a luz", ouso dizer que terra natal é aquela que nos acolhe, pano de fundo presente e indispensável em nossas lembranças. "Embora minha certidão de nascimento ateste nascida na capital paraense (Belém), filha de Carlos Cantidio Corte e Erotildes Lins Corte. Sou legitimamente amapaense. "E sou a quarta filha de uma prole de sete irmãos. Ela ficou em terras paraenses até os cinco anos de idade, quando seu pai que atuava em serviço farmacêutico, veio trabalhar para Macapá para trabalhar na farmácia de propriedade do empresário Serrano, depois ele entrou para o quadro do Governo do ex-Território Federal do Amapá. "Tudo começou com a vinda do meu cunhado Edvaldo Castro, casado com minha irmã mais velha, Maria Célia e que veio trabalhar na Rádio Difusora. A saudade da primogênita forçou a vinda da família para o Amapá".
Aqui chegando foi um périplo para fixar moradia. "Logo Chegamos e fomos morar no Laguinho. Depois moramos perto da Rádio Difusora e festejei meus 16 anos na Avenida Procópio Rola entre a Odilardo Silva e a Jovino Dinoa. Onde curtir toda minha juventude".
Nesse trecho Maria da Consolação, se entusiasma nas lembranças. Macapá era uma cidade equivalente a um bairro hoje. Talvez em número de pessoas. Talvez com um menor número de pessoas. "Eis a dimensão da população da minha cidade que cresceu e se expandiu como uma planta trepadeira em todas as direções. Aliás, o seu nome deriva dos altos e imponentes pés de Bacabeira e é uma palavra indígena".
"Tínhamos ali perto as festas do Esporte Clube Macapá, Aero Clube de Macapá (hoje Centro Administrativo), Trapiche Eliezer Levy, onde os jovens se encontravam para "paquerar"; Macapá Hotel e sua tradicional sorveteria para satisfação dos fins de tarde; a Piscina Territorial e seus Bailes; Os Cine Territorial, Macapá e João XXIII. Os encontros nas missas de Domingo na Catedral de São José".
Contudo há exceções. Se considerarmos a fofoca como hobby ou passatempo, porque ali não havia shopping e teatro entre outros, havia o povo batalhador. E o jovem tinha dois objetivos estudar e trabalhar, no meio o casamento, "Sinto saudades da minha Macapá, dos meus pés descalços a pisar a areia molhada da Beira da Praia, enquanto a brisa do Rio Amazonas que arrepiava os cabelos, e os olhos se deliciavam perdendo-se no horizonte. No final de tarde, após o trabalho, divertia-me a observar, as crianças brincando, pessoas caminhando, praticando esporte à beira-mar, surtem! Em pleno dia de semana. Hoje, temos companhia dos jovens que vão ali para assaltar quem vai se divertir ou curtir".
Estudei o ensino primário na Escola Barão do Rio Branco. "Ali fiz meu exame de admissão que na época era uma espécie de vestibular para acessar o Curso Ginasial. Aprovada foi cursar a Escola Normal e depois eu fiz o Colegial no Colégio Amapaense. Tive a honrar de ser aluna dos grandes Mestres Munhoz e Aracy Mon'Alverne, Professor Benevides enfim todos que passaram na nossa vida. Deixei o colegial pois no segundo ano do Pedagógico já estava ministrando aula, o governador era o General Ivanhoe Gonçalves Martins ".
Maria da Consolação se formou em 1967, mais já desde 1966 lecionava, através de um contrato administrativo com o governo do território. "Minha primeira escola foi no antigo distrito de Santana, em uma escolinha paroquial atrás da Igreja Nossa Senhora do Perpetuo Socorro. Era um sufoco, pois na época não tinha transporte coletivo, tínhamos de pegar Kombi na Praça Veiga Cabral e muitas vezes carona do transporte da ICOMI. Muitas vezes almocei na residência do açougueiro Apolônio, outras vezes na casa da Eurídice, esposa do Melquizedeque eles foram maravilhosos, pois o apoio deles foi essencial ao me crescimento profissional.Nessa trajetória passei lecionar na Escola Guanabara e em outras escolas de Macapá. Me aposentei com 25 anos de serviço".
Consolação foi atleta e participou dos Jogos Escolares disputando na modalidade de Basquete e foi convocada para a Seleção Amapaense da modalidade. "Conquistamos muitos títulos, tive como companheira de equipe a Souza, Rosa Sousa, Madalena, Marlene, Santa, Elcir. Era a "piramutaba" (IETA) e a "garapa azeda" (CA)".
Consolação teve uma juventude anima e feliz, estudou trabalho e conquistou corações, teve um primeiro casamento, de onde nasceu o hoje Delegado Tito, Chefe de Policia Civil do Amapá. Atualmente é esposa do Cezar Bernardo de Souza. "Conheci o Bernardo na época em que funcionava o Campus Avançado da UFRJ, na antiga sede do Grêmio Ruy Barbosa, hoje abandonado e deteriorado, na Odilardo Silva com a Ernestino Borges que era perto da minha residência. Desse conhecimento passamos a ter uma amizade e fazermos programas de lazer juntos. Como ele sempre teve um grande carisma, meu filho Tito se apegou a ele e daí foi um passo para o namoro e depois o casamento. Isso em 1964. Ele mesmo com essa sisudez é um cara maravilhoso. Temos três filhos rapazes e cinco netos".
Consolação destaca que hoje se fosse chamada para retornar a sala de aula, não aceitaria, pois foram grandes as mudanças no sistema de ensino, principalmente quanto a disciplina nas escolas. "Antigamente éramos respeitados pelos alunos e os pais nos apoiavam hoje, se repreendermos um aluno, eles partem para a violência e muitas vezes com ajudar paterna. A família se desestruturou, as drogas entraram nos lares e está respingando nas escolas".
Macapá ontem e hoje
Macapá era pequena, todos se conheciam, a primeira vista que se tinha a partir da orla era a da imponente Igreja Matriz de São José. "Nas missas das nove e meia, aos domingos de manhã, ficava encantada com as enormes pinturas "renascentistas" e com a luz difusa e multicolorida que atravessava as cenas bíblicas dos altares. Mas naquela época todos trabalhavam no dito "humilde" serviço, de lavagem de roupa, a sapateiro, oficinas de bicicleta e ajudante de mecânico, "garoto de mandados" sempre recebendo seu trocado, não tinha problema de idade, todos tinham suas tarefas e chegando a tarde o futebol na Praça da Matriz e a garotada não sabia o que era droga e nem roubo, pois tem não tinha. Hoje é proibido por uma criança para trabalhar e olhem o resultado. Temos grandes nomes hoje no Amapá que faziam esses serviços e não foram destruídos psicologicamente, ao contrario. Pois o trabalho dignificava o homem".
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