sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

CIDADE

Minha casa, minhas dívidas
Programa federal enfrenta problemas como contas não pagas, puxadinhos e tráfico

Conjunto Mucajá vem enfrentando problemas de violência e tráfico de drogas


Os futuros moradores do conjunto Macapaba devem ser treinados e adaptados a viverem comunitariamente 

Acostumados ao estilo de vida informal das comunidades onde viviam, os moradores dos conjuntos construídos pelo projeto passam agora pelos dilemas impostos pelas regras de convivência dos condomínios. Além das dificuldades na relação com os novos vizinhos e da adaptação dos seus antigos hábitos, há problemas graves, como o caso daqueles sem condições de arcar com as despesas de água, luz, gás e taxa de condomínio. O resultado tem sido altos índices de inadimplência, em alguns casos próximos de 90%. Muitos conjuntos estão atolados em dívidas. Há ainda práticas que começam a se disseminar, como o "gato" de energia elétrica, o tráfico de drogas e a instalação de puxadinhos que funcionam como bares, cabeleireiros e vendas de alimentos, entre outros serviços.
Os moradores do  Conjunto Mucajá que receberam um treinamento para a socialização de moradias vertical, pelo visto não foi absorvido pois eles vivem atualmente nas manchetes e paginas policiais dos meios de comunicação local

Desde que o programa foi lançado, em 2009 (Amapá aderiu em 2010)  pelo PAC1 foi destinado  cinco mil moradias para Macapá e Santana  - entre a contratação e a construção foram quase três anos -, 1.120 apartamentos e casas residenciais do Minha Casa Minha Vida construídos sob a responsabilidade do município de Macapá, o primeiro entregue em 2011foi o Conjunto Mucajá com 592 unidades habitacionais distribuídas em 37 blocos com 16 apartamentos cada; o segundo foi o Residencial Mestre Oscar Santos com 528 unidades beneficiando mais de 2.100 pessoas entregue em 2013. Está em andamento a entrega da primeira etapa do Conjunto Macapaba com 1.984 apartamentos e 164 casas previsto para o segundo semestres deste ano esse de responsabilidade do governo estadual.

Os problemas do 
Conjunto Mucajá
São cerca de 5 mil pessoas vivendo nesses imóveis já entregues. Do total de unidades concluídas, 17,6 mil (34%) está ocupado por famílias com renda de zero a três salários, faixa que concentra até 65% do déficit habitacional do Amapá. São famílias que foram sorteadas pelo programa ou ganharam os imóveis para deixarem áreas de risco onde viviam. 
No antigo ambiente existiam muitos problemas com violência, rixa de gangues, homicídios, assaltos, tráfico de entorpecentes, dentre outros crimes, cometidos, em sua maioria, por jovens e adolescentes. A mudança de casas de madeira construídas em cima das pontes, sem nenhuma condição sanitária, para os apartamentos do Conjunto Mucajá e do Residencial Oscar Santos, em nada contribuiu para a transformação da juventude degradada pelas condições sociais em que vivia. 
Os moradores do  Conjunto Mucajá que receberam um treinamento para a socialização de moradias vertical, pelo visto não foi absorvido pois eles vivem atualmente nas manchetes e paginas policiais dos meios de comunicação local. Em uma operação, o BOPE, cumprindo Mandados de Busca e Apreensão naquele novo condomínio, apreendeu significativa quantidade de crack, cocaína, maconha, além de armas fogo. Prendeu, ainda, sete pessoas em flagrante delito. 
Dias depois, cerca de quinze homens moradores do Conjunto Mucajá, em sua maioria adolescente, fizeram um arrastão na Orla do Bairro do Araxá, assaltando, agredindo e aterrorizando as pessoas de bem que ali se encontravam. 
Tiraram esses moradores da baixada, mas nada foi feito para tirar a baixada de dentro dos moradores.  A última foi o assassinato do ajudante de pedreiro Bruno de Oliveira, de 21 anos, e um adolescente de 15 anos que foram mortos a tiros na madrugada desta sexta-feira (10) dentro do apartamento.
De acordo com informações no conjunto já foi solicitado um Posto Policial para o conjunto para minimizar conflitos e a proliferação de drogas. A falta de segurança faz as pessoas sentirem vergonha de dizer que são moradores do Mucajá, isso já virou estigma. "O maior medo é perder o emprego por ser morador daqui".
A falta de renda leva os moradores a instalarem pequenos negócios, repetindo a lógica da favela. Já existem também dentro do condomínio, em puxadinhos feitos pelos moradores, para vendas diversas. "Os moradores não estavam preparados para morar num condomínio e estão transformando isso numa favela", diz uma moradora quer não quer ser identificada.

Conjunto Macapaba
Com e experiência negativa colhida no Conjunto Mucajá, os responsáveis pelo Residêncial Macapaba, devem colocar a "barba de molho", pois os moradores do novo conjunto tem origem igual. Destaca-se aqui um novo entrave a inadimplência. Além das dificuldades na relação com os novos vizinhos e da adaptação dos seus antigos hábitos, há problemas graves, como o caso daqueles sem condições de arcar com as despesas de água, luz e taxa de condomínio.

De acordo com um levantamento do Jornal O Globo resultado tem sido altos índices de inadimplência, em alguns casos próximos de 90%. Muitos conjuntos estão atolados em dívidas. Há ainda práticas que começam a se disseminar, como o "gato" de energia elétrica, o tráfico de drogas e a instalação de puxadinhos que funcionam como bares, cabeleireiros e vendas de alimentos, entre outros serviços. È bom as autoridades se alertar e providencias antecipadas a serem tomadas.

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