sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

ARTIGO DO GATO

O ramal da Bacabinha


Esse estirão de 12 quilômetros que liga a sede do município de Amapá a BR-156 virou tábua de salvação para uma gestão medíocre e de parcas realizações. Sem ignorar a importância do Bacabinhas para os amaparinos, o estardalhaço midiático feito pelo governo estadual em virtude do asfaltamento do trecho dá a exata dimensão da falta de ação do Camilo Capiberibe à frente do governo estadual.

As bizarrices comemorativas foram dispendiosas e hilariantes. Uma comitiva com cinquenta camionetes modelo "Hilux" transportou a entourage palaciana até a inauguração. Claro que todos devidamente incluídos na relação das diárias que neste governo de aparência virou uma farra paga sem preocupação com o erário. Tem mais. Lá, Camilo Capiberibe foi presenteado supostamente por um "morador do lugar"  com o busto dele moldado em bronze.  Um ato de gratidão pela obra, que precisava tão somente de asfalto.
Num governo de ação, essa seria apenas mais uma obra, mas, no caso de Camilo, claro que isso tudo é muito pouco para um governo medíocre. O ramal virou forte argumento para justificar a presença de um pseudo político na governança do estado que ganhou de presente  dois mandatos de deputado estadual.
 Camilo Capiberibe fingiu bem no parlamento. Ele chegou próximo do estereótipo de um parlamentar sonhado pelo povo, que clama por uma representação combativa e vocacionada a defender os interesses da sociedade. Na Assembleia ele encarnou esse espírito. Usava o parlamento como poucos para cobrar de forma veemente transparência no governo Waldez Góes. Um parlamentar de voz esganiçada que não dava trégua à gestão adversária. Credenciou-se desse modo diante dos olhos dos pais como o quadro ideal do partido socialista para as contendas majoritárias. Veio candidato a prefeito, obteve uma votação expressiva e credenciou-se para a eleição ao governo estadual. Chegou ao Palácio do Setentrião por vias obliquas e a partir de janeiro de 2011 o amapaense começou a perceber que Camilo Capiberibe era uma fraude, na verdade, mais uma enganação muito bem vendida pelo sofista João Alberto Capiberibe. O amapaense viu seu tormento começar.

Uma gestão medíocre, de um governo apático, sem pé nem cabeça, não poderia levar esse governo do ramal da Bacabinha a outra avaliação se não a da maior rejeição já assinalada a um governo neste estado. Camilo é vaiado e acossado pelo povo aonde vai. São pessoas que querem respostas para suas angústias na saúde, educação, segurança e habitação. Camilo sempre escamoteia, foge do confronto com a população, mas nos terminais de computadores usando as redes sociais ele dispara inverdades e se proclama um grande realizador.

O ramal da Bacabinha, 12 quilômetros de estrada terraplanada, asfaltada, que custou aos cofres públicos  R$ 22 milhões, ou seja, aproximadamente R$ 1,8 milhão por quilômetro. Esse é com certeza o quilômetro de asfalto mais caro do país, mas agora Camilo agrega as suas grandes realizações à reforma do Estádio Milton de Souza Corrêa, o Zerão, para o qual o governo passado deixou dinheiro em conta, projeto e, o Camilo teve o imenso trabalho de executá-lo, sem com tudo fazê-lo de forma eficiente, pois a pista de atletismo ficou para depois.

Na quarta-feira (12) um ouvinte assessor de Camilo ligou para o programa Tribuna Amapaense no Rádio, que vai ao ar pela 102,9 FM, de segunda a sexta, das 13h às 14h, para me propor um desafio: queria que eu dissesse quantas obras o senador José Sarney havia feito no Amapá. Aceitei o desafio e lhe disse que ele teria sido o responsável pela implantação da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana e o ouvinte assessor retrucou. "Não foi ele quem construiu a ALMS, mas o Camilo construiu o ramal das Bacabinhas". Diante da ignorância do desesperado ouvinte assessor em tentar dar relevância à presença de Camilo Capiberibe no governo, eu me limitei a encerrar nosso desafio, pois a percepção do ouvinte assessor dá a exata dimensão sobre em quais águas navega o Amapá de Camilo Capiberibe. No mar da mediocridade.       

Nenhum comentário:

Postar um comentário

ARTIGO DO GATO - Amapá no protagonismo

 Amapá no protagonismo Por Roberto Gato  Desde sua criação em 1988, o Amapá nunca esteve tão bem colocado no cenário político nacional. Arri...