sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Vela de Urucuri

Vela de Urucuri

Arma contra dengue não é rentável

REINALDO COELHO


Uma vela que serve como repelente natural de insetos, com eficiência comprovada no combate aos mosquitos transmissores da dengue e da malária, começou a ser produzida comercialmente no Estado do Amapá em 2007. 

A vela do urucuri, produzida a partir do caroço da palmeira de mesmo nome, foi pesquisada a partir de 1997 pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa). O instituto obteve a patente do produto concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI). 

Industrialização 
Em novembro de 2007 foi assinado um contrato entre Governo do Estado e a empresa incubada Anizart autorizando a produção e comercialização da vela, já licenciada pelo Iepa.
A proprietária da empresa Anizart, Lisandra Cristina Hass, responsável pela licença e comercialização da vela do urucuri, destacou na época que o parceiro maior desta realização foi o Sebrae/AP, que prestava consultoria para a confecção das embalagens e fornecia orientações empresariais. "Pretendemos comercializar a vela em todos os municípios do Amapá, e também em outras regiões do Brasil e no exterior. A Anizart é uma empresa que trabalha na comercialização de velas de diversos modelos", explicou Lisandra na epoca.
Infelizmente o entusiasmo esfriou, depois de seis anos, a realidade industrial não correspondeu ao entusiasmo do lançamento. A reportagem do Tribuna Amapaense, procurou saber como estava a produção e vendas desse primeiro produto patenteado pelo Amapá.

Em conversa com a empresária Lisandra Cristina ela declarou que infelizmente os investimentos realizados no produto amapaense não teve retorno. "A produção da Vela do Urucuri teve  um retorno menor de que 10%. Infelizmente a barreira maior é cultural, pois é difícil em um centro urbano o cidadão acender velas para repelir insetos, se ele tem produtos de maior envergadura tecnológica. As vendas nos municípios interioranos também não atenderam a expectativa comercial, pois os ribeirinhos utilizam suas técnicas rudimentares para combater os mosquitos".

A empresa continua fabricando as velas repelentes, porém em menor escala. A empresária diz que outro  entrave é o grande número de impostos agregados aos preços, tornando o produto local difícil de competir com os importados. "Mesmo com os benefícios fornecidos pela Área de Livre Comercio (ALCMS) e as vantagens dadas pela SUFRAMA, temos de adquirir a matéria prima da fabricação de velas fora do estado, o que encarece os produtos e que são transferidos para o consumidor, o que o torna conflitante com outros produtos nas prateleiras amapaenses", desabafa a empresaria.

Prêmio Finep de Inovação Tecnológica


Em 2007   o IEPA recebeu o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica, por causa das pesquisas sobre a vela do Urucuri, desenvolvida pelo instituto. O Finep é vinculado ao Ministério da Ciencia e Tecnologia. A Vela de Urucurí desenvolvida pelo Instituto foi o terceiro colocado na categoria Produto.
Produzida por pesquisadores do Centro de Plantas Medicinais e Produtos Naturais do IEPA a partir do conhecimento tradicional da comunidade do Município de Mazagão, a vela serve como alternativa de repelente natural para combater mosquitos dos tipos aedes e anophelles, transmissores da dengue e malária. Sua comprovação foi eficaz também no combate a mosquitos do tipo borrachudos, comuns na Amazônia. O urucuri é um tipo de palmeira encontrada com abundância na Região Norte do Brasil.


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