Quanto tempo mais?
A sociedade brasileira precisa de quantos anos mais para amadurecer politicamente? Essa é uma pergunta que os sociólogos e antropólogos poderiam responder pra gente. Eu, sinceramente, sei que até agora poucos homens públicos se empenharam para mudar o 'status quo' que o poder, seja ele ideologicamente inclinado à direita ou à esquerda, mantém no Brasil.
Já tivemos várias experiências e em todas elas a história registra fatos semelhantes. Corrupção, criminalidade, violência às entidades democráticas e uma lamentável desigualdade social. E olhem! O preconceito velado que o povo brasileiro disfarça, mas que está dentro do peito, é algo repugnante. Nojento. O preconceito não é só contra o negro, como muitos querem fazer crer, é contra toda raça pobre, seja ela branca, parda, negra ou qual cor você queira dar para você. Você é pobre? Então aguente os olhares discriminadores que vão estar direcionados a você.
O Brasil Colônia foi uma excelente fonte de enriquecimento dos europeus, principalmente os portugueses, nossos colonizadores. Depois, com a República, a coisa mudou muito pouco, as elites continuaram saqueando os cofres públicos e o pobre continuou sendo secundarizado. Os movimentos sociais aos poucos foram se moldando, depois de anos de uma dobradinha no comando do País, conhecida como Política do Café com Leite (MG/SP), Getúlio Vargas tomou o poder pela foça e implantou o famigerado Estado Novo. Cerceamento das liberdades, manietação dos movimentos sindicais e um populismo acima da média deram a Vargas o apelido de pai dos pobres, porém as políticas protecionistas de Vargas só atingiam os interesses dos trabalhadores urbanos e os campesinos, estes foram esquecidos, eram tratados como bastardos.
O segundo governo de Vargas, as elites se incumbiram de dar fim, inclusive no velho caudilho, e a farra acabou com a retomada do poder pelos militares. O golpe de 1964 foi uma manobra entreguista do País ao imperialismo Yanque. O Brasil avançou mais à custa de dinheiro do Fundo Monetário Internacional-FMI, e a experiência do regime ditatorial justificada para tirar o País das mãos dos vermelhinhos deixou como legado uma geração sem capacidade de pensar, pelo cabresto imposto na base da baioneta e uma dívida externa estratosférica. Mas o pobre continuou sendo tratado com discriminação, pois não se investiu em educação, como deveria e precisava ser feito. A redemocratização, Sarney, Ulisses, Diretas Já e a sociedade brasileira respirou o ar impuro da pseudodemocracia que vivemos até hoje. Não temos liberdade, pois a liberdade requer capacidade de discernimento, de saber seus direitos e deveres. O povo não sabe e ninguém se preocupa em ensinar.
Onde está o problema do Brasil, afinal? Na composição étnica do povo, formada por portugueses ladrões, assassinos, estupradores, índios e os negros arrancados de sua pátria debaixo de chibata e tratados neste País como animais? Somos menos o coeficiente de uma equação humana desregrada?
Se não é assim, por que o Brasil continua testemunhando suas autoridades assaltar os cofres públicos e uma minoria elitista enriquecendo em detrimento da maioria do povo? No Amapá nada é diferente, pelo contrário, tem ficado evidente que por aqui a situação é bem pior. Nosso horizonte é plúmbeo, lamentavelmente.

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