sexta-feira, 21 de março de 2014

Hortifrutigranjeiros

Hortifrutigranjeiros


'A feira' ficou mais cara com as chuvas

Reinaldo Coelho



Que São Pedro foi impiedoso com os amapaenses no começo do ano não resta dúvida. O excesso de chuva nas últimas semanas devastou plantações e destruiu quilômetros de estradas. Na esteira dos prejuízos, o bolso do consumidor: o preço de hortaliças, legumes e frutas deu um salto, reflexo do estrago de lavouras. Para piorar, não bastasse o custo mais alto dos produtos, começa o período de escassez. Alguns legumes e verduras estão desaparecendo das feiras, o que eleva ainda mais os preços. Abrindo a lista de aumentos, encontramos a pupunha, cujo preço saltou de R$ 2 para R$ 22, o quilo, um aumento de 1000%. A pupunheira frutifica de janeiro a março. 

Quem está procurando a pupunha nas feiras da capital, nesta época do ano, se surpreende com o preço. E olha que está no início de temporada da planta. Para os agricultores, os responsáveis por esse aumento são os atravessadores, que compram dos produtores e revendem a um preço bem mais elevado. E mais uma ameaça começa a ser ventilada: os preços da farinha e do açaí começaram a disparar.
Apesar da ação dos atravessadores, a tendência é que o preço reduza na medida em que a produção aumente, como esperam os agricultores. "O preço deve baixar no início de abril, período em que os cachos estarão cheios e no ponto para a retirada. Por enquanto o preço deve ficar assim, entre R$ 6 com os produtores, e R$ 20 com os marreteiros", diz agricultor.

A maior parte da produção de pupunha vendida em Macapá vem da área do Matapi, próximo ao município de Porto Grande, no Amapá. Um dos entraves na produção é de logística. Do escoamento da lavoura até a mesa do consumidor a pupunha passa por um processo complicado e caro, visto que as estradas estão esburacadas e com atoleiros. Um atravessador que não quis se identificar confirmou que compra o produto a R$ 8 para vender entre R$15 e R$ 20.
A pupunha é uma planta conhecida e consumida pelas populações nativas da América Central até a Floresta Amazônica. Nesta época do ano o produto é visto à venda em vários pontos de Macapá, inclusive em semáforos, ao preço de R$ 2, o pacote com seis unidades. 

De acordo com a gerência de Abastecimento e Feiras da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR), responsável pela fiscalização de atravessadores em frente às feiras do produtor na capital, uma operação para a retirada de pessoas que não sejam agricultores será realizada na capital. 

Consumidor

Dalvanir Pereira disse que estranhou os preços dos hortifrutigranjeiros em algumas bancas das feiras. "Se a chuva não der uma trégua, outros produtos também podem faltar e ficar mais caros".

Duas vezes por semana, a feirante Maria da Conceição Rocha comercializa produtos em sua barraca na feira. "Tenho que correr atrás de quem deu sorte de colher nesta época", afirma Maria, ressaltando que o aumento da demanda também significa aumento de preços. "Começa a chover e as verduras acabam. Tem dia que o repolho está com mau cheiro, de tanta lama, e vai direto para o lixo. O resto eu só vendo para manter a clientela, pois os lucros diminuem muito", diz.

Peso de ouro

O palmito é um produto com aceitação mundial. Normalmente, todas as palmeiras produzem palmito, porém, somente algumas são aceitas, como a juçara, o açaí e a pupunha, a mais produtiva.
A pupunheira apresenta uma série de vantagens em relação às outras palmeiras nativas, como o açaí e a juçara, que são exploradas de forma extrativista e por isso apresentam restrições legais e risco de extinção. A pupunha também é aproveitada na confecção do compensado de pupunha, utilizado na produção de objetos de design e decoração. Trata-se de um compensado obtido a partir de ripas do estipe da palmeira, prensadas horizontalmente com adesivo de base vegetal.

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