sexta-feira, 21 de março de 2014

PAPO FARTO

Randolph Scooth

Saúde, um dever do Estado

Estava eu aqui a refletir os últimos 60 dias de minha vida. Passei por uma abdominoplastia, para correção de uma bariátrica, a correção de uma hérnia e haja tratamento hospitalar, dreno, drenagem, curativos, dietas, medicamentos e paciência, muita paciência de amigos e familiares. Veio a necessidade de recorrer ao atendimento de emergência em uma UPA. Nossa, parecia que estava em um hospital particular. Limpinho, funcionários educados, medicamentos, ordem de entrada e de encaminhamentos. Setor de acolhimento, médico amapaense atencioso, enfermeiros cuidadosos. Enfim, tudo o que não estamos acostumados a ver aqui em nosso Estado. Vale a pena ressaltar que apesar do médico ser amapaense, estava em Fortaleza, Ceará, onde atende em uma UPA na Messejana.
Na oportunidade precisei de uma punção, de emergência, para retirada de "sêroma" de meu pós-operatório. Lamentei que meus conterrâneos não recebam o mesmo atendimento no Hospital de Emergência, no Hcal, no Pronto Atendimento Infantil-PAI, no Hospital de Pediatria, na Maternidade Mãe Luzia, e, muito menos, nas UBS´s de nossos municípios, onde conseguimos flagrar animais peçonhentos como baratas dividindo espaço com crianças doentes e pais desesperados, clamando pela saúde.
Apesar do setor saúde no Brasil está praticamente falido, a população mais carente não tem para onde correr. Segundo a avaliação da Organização Mundial de Saúde, o Brasil passou para sexta economia do mundo e caiu vários pontos quando o assunto é saúde pública. Nos últimos anos o setor enfrenta um sucateamento e, nos principais centros cresceu a saúde privada, isto quer dizer, que apenas quem tem dinheiro pode ter um bom tratamento.
Aqui no Amapá, na atual gestão, vários secretários foram trocados na tentativa de se melhorar a situação e a cada dia o cais aumenta. As denúncias de desvio e fraude em licitações são uma constante, e principalmente o superfaturamento. Hoje, além dos pacientes não receberem atendimento de qualidade, os profissionais de saúde também não tem condições para exercer suas funções. No Hospital de Emergências os médicos demoram até 8 horas para atender um paciente com problemas cardíacos, alguns são atendidos no chão, no corredor e nas mais humilhantes condições. Os equipamentos estão quebrados, Raios-X funciona um dia sim outro não, tomografia é outro problema. No Hospital de Especialidades  Alberto Lima a situação não é diferente, além da falta de material e equipamentos quebrados, só os pacientes considerados graves recebem alimentação, os doentes com quadro estável e os acompanhantes tem que trazer alimentação de casa. Faltam medicamentos e material cirúrgico. Na clinica de oncologia a situação é pior, os pacientes clamam pela vida, mas infelizmente os bons profissionais não tem condições de oferecer um tratamento melhor.
No PAI a situação é grave, além de faltar de tudo os pacientes ainda têm que dividir espaço com ratos e baratas. O novo secretário saúde, Jardel Nunes, foi nomeado na tentativa de solucionar o problema, pois já foi secretário do pai do atual governador, e entende-se que possui experiência suficiente. Pelo menos é o que se espera. Enquanto a solução não chega. Revolta e mortes são fatos no dia a dia hospitalar do Estado do Amapá. E o dever Constitucional do Estado de garantir saúde, fica para uma possível segunda gestão. Scooth para todos.

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