Camilo lidera
Contratações eleitoreiras
Todo dia, ao menos um governador nomeia um servidor sem concurso
Pesquisa do IBGE revela que no ano passado foram contratadas 10.386 pessoas a mais se comparado com 2012
Régis Sanches
regis.sanches@yahoo.com.br
Em 2013, o governo do Amapá foi o campeão nacional de nomeações, sem concurso público e por indicação política. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o inchaço da folha de pagamentos na gestão Camilo Capiberibe foi de 199,9%, passando de 1.752 (em 2012) para 5.254 comissionados, no ano passado. O Ceará ficou em segundo lugar, com 115,7%, indo de 750 para 1.618. Em terceiro, aparece São Paulo com 90,1%. No ano passado, os comissionados no governo paulista chegaram a 14.731. Em 2012, foram 7.747.
Os números são da Pesquisa de Informações Básicas Estaduais (Estadic) 2013, divulgada na quinta-feira, 13, no Rio de Janeiro, pelo Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o estudo, pelo menos um cargo comissionado, sem concurso público e boa parte por indicação política, é criado diariamente, em média, por cada governador no país.
Só no ano passado, foram contratadas 10.386 pessoas a mais para a função se comparado com 2012, média de 29 novos postos deste tipo de trabalho por dia. O crescimento é de 9,9%.
Em 2013, dos 3.120.599 de funcionários das administrações estaduais nomeados de forma direta e indireta, 115.589 aparecem como comissionados. No ano anterior, eram 3.128.923 contratados, sendo 105.203 comissionados. No total, 17 estados tiveram aumento no número de contratos em comissão proporcionalmente ao número de servidores em geral, incluindo ainda estatutários, Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e estagiários. O IBGE, no entanto, não calculou o quanto é gasto pela máquina pública estadual.
"Isso é o reflexo claro das eleições de outubro deste ano. As contratações, em sua maioria, são para atender aliados políticos com o objetivo de reeleger o governador ou o seu sucessor", ressalta David Fleischer, professor de Ciências Políticas da Universidade de Brasília (UnB). (Com reportagem de O Globo)


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