sexta-feira, 23 de maio de 2014

ARTIGO DO GATO

Penso, logo existo
Dubito, ergo cogito, ergo sun. “Eu duvido, logo penso, logo existo.” Renée Descartes, físico, matemático e filósofo, foi o pai da filosofia moderna e uma de suas obras mais famosa é “O Discurso Sobre o Método”.
Renée Descartes, com sua filosofia racionalista, mostrou que para se chegar ao conhecimento era necessário, primeiramente, duvidar, pois só duvidando se poderia chegar a um conhecimento pleno. Esse modo de ver as coisas derrubou a teoria da escolástica grega, de que as coisas existiam por que tinham que existir.

Então, chego à conclusão de que o Promotor Afonso Guimarães não conhece a obra do filósofo francês, pois ele não duvida da Cláudia Camargo Capiberibe, mesmo com um histórico nada republicano. Embora sempre muito bem protegida pela sombra da frondosa árvore da família Capiberibe, Cláudia sempre foi uma pessoa engajada nas lides políticas do PSB, e um quadro sempre pronto a ser convocado para executar missões perigosas, inclusive.
Que ver? A primeira aparição da advogada Cláudia Camargo Capiberibe em algo nebuloso, se legal, nada moral, foi sua presença na transação da casa do empresário José Ricardo Dabus Abucham, da empresa Engeform S/A. O fato de ela ter sido a procuradora do empresário na transação, por si só, já mereceria uma investigação mais acurada, e o fato se agrava, pois o sogro (Governador João Capiberibe) estava pagando uma fatura de restos a pagar à empresa, e comprando uma casa do empresário. Mas como o Ministério Público do Amapá não conhece a filosofia racionalista de Descartes, ele não desconfiou de nada e assevera que a transação nada tinha de ilegalidade, mesmo o pagamento sendo de uma fatura que ficou pendente do governo Annibal Barcellos, atacado por Capiberibe, que o qualificou de corrupto. Esse fato também poderia ser considerado normal, até porque um dos princípios da administração pública é a impessoalidade. Porém, para quem conhece o “modus operandi” dessa família sabe que jamais pagariam uma fatura do governo Barcellos, assim ... Assim. Não! Eles com certeza colocariam para precatório ou dariam fim no processo, pois tanta gente na mesma condição ficou em receber.
Quer ver outro fato? A toda proba Cláudia Camargo Capiberibe tinha cargo de confiança no gabinete do conselheiro Júlio Miranda. Não é de estranhar que a esposa do deputado Camilo Capiberibe (à época) fosse lotada com o cargo fantasma do gabinete daquele acusado pela família como sendo o líder de uma quadrilha que operava dentro do TCE?
Bem, mas a biografia da primeira dama e secretária de Inclusão e Mobilização Social não tem só esses fatos estranhos. Tem a revelação de um corrupto, apanhado com a boca na botija, dizendo que ela era quem comandava o esquema de corrupção no governo e uma declaração dada por um ex-assessor que asseverava a mesma coisa. Estranha coincidência, pois não são poucas as pessoas que afirmam que a drª Cláudia Camargo Capiberibe é quem dá a última palavra no governo.

Bem, mas deixando a senhora Cláudia de lado, vamos nos ater à defesa peremptória feita pelo promotor Afonso Guimarães que disse em alto e bom som que a drª Cláudia era vítima de pessoas corruptas e que para se safar do ato criminoso que enredava a primeira dama, no ver deles, pessoa de conduta ilibada. Renée Descartes diria o seguinte: duvide Promotor, depois investigue e só, então, dê uma opinião definitiva sobre o fato. 

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