Com Zulusa, Patrícia Bastos é a
melhor cantora regional do país
Régis Sanches
Nem todo dia o Amapá brilha nas manchetes
nacionais. Na quarta-feira, 14, Patrícia Bastos foi consagrada com dua
estatuetas na 25ª edição do Prêmio da Música Brasileira. Na categoria regional,
a cabocla levou dois troféus pelo CD Zulusa e como cantora.
"Um prêmio desses dá
visibilidade no Brasil inteiro. É muito difícil sair do Amapá", dizia
Patrícia, após a festa.
Não é pouco. Em noite de bodas de
prata do Prêmio da Música Brasileira, o talento de Patrícia brilhou entre
veteranos - Cauby Peixoto, Ângela Maria, Wilson das Neves, Edu Lobo e Ney
Matogrosso, além do bandolinista Hamilton de Holanda, que também levaram seus
troféus para casa.
O prêmio é o mais abrangente do País,
com 103 indicados e categorias que abarcam a MPB, o pop, a música erudita e a
instrumental. Os jurados são jornalistas e nomes do meio musical.
A categoria mais incensada, MPB,
rendeu troféus a Edu Lobo (pelo CD com a Metrópole Orkest, da Holanda), Boca
Livre (melhor grupo), Milton Nascimento (cantor) e Maria Bethânia (cantora).
Ney Matogrosso, incluído na categoria pop/rock/reggae/hip hop/funk, ganhou pelo
CD Atento aos Sinais e como melhor cantor.
A reedição do clássico CD 'Arca de
Noé', capitaneada por Dé Palmeira e Adriana Calcanhotto, foi vencedora pelo
projeto visual e como álbum infantil.
Artista revelação
• Bixiga 70, disco ‘Bixiga 70’
• Patricia Bastos, disco ‘Zulusa’
• Vento em Madeira, disco ‘Brasiliana’
• Bixiga 70, disco ‘Bixiga 70’
• Patricia Bastos, disco ‘Zulusa’
• Vento em Madeira, disco ‘Brasiliana’
Melhor álbum de música regional
• ‘3 Brasis’, de 3 Brasis, produtor gravadora Kuarup
• ‘Canta Gonzagão’, de Quinteto Violado, produtor Quinteto Violado
• ‘Zulusa’, de Patricia Bastos, produtores Du Moreira e Dante Ozzetti
• ‘3 Brasis’, de 3 Brasis, produtor gravadora Kuarup
• ‘Canta Gonzagão’, de Quinteto Violado, produtor Quinteto Violado
• ‘Zulusa’, de Patricia Bastos, produtores Du Moreira e Dante Ozzetti
Melhor cantora de música regional
• Bia Goes (‘Bia Goes’)
• Maria da Paz (‘Outro Baião’)
• Patricia Bastos (‘Zulusa’)
• Bia Goes (‘Bia Goes’)
• Maria da Paz (‘Outro Baião’)
• Patricia Bastos (‘Zulusa’)
‘Como água que sai
da nascente’
Joãozinho Gomes resume o sentimento da vitória. “Nossa canção preferida
é “U AMASSU EU DUBRADÚ”, minha parceria com Dante Ozzxerti. Sentimos que letra
e música são difíceis de executar, mas Patrícia canta como água de que sai da
nascente: corre e se expande”.
O poeta diz que outro motivo de satisfação “é a história que a letra
conta, cada refrão abre anunciando o número de amores da cafuza: ‘um primeiro
mé chegú’... ‘u segundo mé chegú’... e assim vai. Como não lembrar de
‘Terezinha de Chico Buarque?”.
"u primeiro me chegú
cumo quem qué’ africar
troxe dois baita tambú’
lá dé mazagão dé lá
donde tudo cumeçú
ante’ dé nós cumeçá
me juru eterno amur
sé punhú-sé a batucá
i fui tanto du quitum
i quitum i tracatá
qué a floresta sé calú
num sé ouvia um sabiá
jiripoca num piú
galo deixú dé cantá’
só sé ouvia u tá’ quitum
i quitum i tracatá
(...)"
troxe dois baita tambú’
lá dé mazagão dé lá
donde tudo cumeçú
ante’ dé nós cumeçá
me juru eterno amur
sé punhú-sé a batucá
i fui tanto du quitum
i quitum i tracatá
qué a floresta sé calú
num sé ouvia um sabiá
jiripoca num piú
galo deixú dé cantá’
só sé ouvia u tá’ quitum
i quitum i tracatá
(...)"
Bom e velho samba
Este ano o Premio da Música Brasileira
fez uma justa homenagem ao samba. Marginalizado no início do século 20, o
gênero mais brasileiro foi louvado no Teatro Municipal do Rio de Janeiro por
representantes de diferentes gerações.
Os números musicais passaram pelo
samba do Rio, da Bahia e de São Paulo, com apresentações de Paulino da Viola,
Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, este em trio com Arlindo Cruz e Almir Guineto, e
Riachão, em dupla com Criolo.
A abertura reuniu os baianos Gilberto
Gil e Mariene de Castro (É Luxo Só/O Escurinho); seguiram-se as apresentações
de Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Riachão.
O momento mais luminoso foi o do duo
da beninense Angélique Kidjo com o pagodeiro Péricles cantando 'Sinfonia da
Paz' e 'Canto das Três Raças'; ela, em iorubá, fazendo a conexão entre o legado
da escravidão e os primórdios do samba.
O idealizador e diretor da festa,
José Mauricio Machline, começou a noite com uma homenagem a artistas que
morreram recentemente, em especial a Jair Rodrigues, homenageado pelo prêmio em
2006.



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