sexta-feira, 16 de maio de 2014

“É ELA!”


Régis Sanches

Ela é título de revista feminina; também é nome de uma música de Gilberto Gil. Mas a “ela” desta reportagem é Cláudia Camargo Capiberibe, que encarna o duplo papel de primeira-dama e secretária de Estado de Inclusão e Mobilização Social (SIMS) do Amapá.
Nascida em Campinas, onde conheceu seu marido, Cláudia é dotada de temperamento forte. Seus assessores a consideram uma mulher ‘durona’, imperativa. Agora, a primeira-dama está no olho do furacão de um escândalo que pode sepultar a reeleição de Camilo 40: ela é suspeita de operar o propinodutono Palácio do Setentrião.
Em um vídeo gravado pelo empresário Luciano Marba, dono da empresa LMS - exibido pelo Fantástico no último domingo (11) -, aparece Edilberto Pontes Silva, marido da então secretária da Educação Miriam Correa. Ele recebe propina de R$ 100 mil dentro de um carro.
Edilberto, o Beto, sugere que Marba procure outra pessoa mais influente no governo, a primeira-dama, Cláudia Capiberibe. “A Cláudia é a pessoa ideal. Ela tem um poder de mídia impressionante. Vai por mim. E ainda te digo mais...Quem está operando isso tudo é ela”.
Luciano Marba diz que gravou os vídeos por considerar-se vítima de extorsão praticada por agentes do governo. “Fui obrigado a pagar porque eles iam conseguir a falência da minha empresa, e você vira refém na mão dessas pessoas que tem mais poder que você”.
Na semana anterior à exibição do vídeo no Fantástico, o sinal vermelho já havia sido acionado no núcleo duro do PSB, ou seja, a família Capiberibe - o senador João Alberto, a deputada federal Janete, sua esposa, e o filho de ambos, Camilo, atual governador do Amapá. Mas quando o programa foi ao ar no domingo, o gabinete de crise do Setentrião entrou em crise.
Para complicar ainda mais a situação, o advogado Bruno da Costa Nascimento, que aparece em vídeo recebendo R$ 15 mil de Luciano Marba, declarou à imprensa que foi obrigado a mentir à reportagem e que está sendo ameaçado de morte pela família Capiberibe.

Ao repórter Marcos Losekan, o advogado disse que recebeu dinheiro de Luciano Marba como pagamento de honorários por consultorias particulares e audiências trabalhistas.

Porém, o advogado sustenta que, na verdade, agia em nome da primeira-dama Cláudia Capiberibe. Ela teria pedido a ele que repassasse informações incorretas do edital de licitação a Luciano Marba e que o comprometesse com o pagamento de propina, que depois seria repassado a ela.
“Somente com esta declaração, e depois de falar com minha família, tive a coragem de dizer a verdade, pois fui ameaçado e estou correndo risco de morte. Portanto, se algo acontecer com minha pessoa e minha família, foi a família Capiberibe”, denunciou o ex-assessor de Cláudia Capiberibe.



O ‘IMPÉRIO’ CONTRA-ATACA


Numa tentativa de tirar o foco das editorias de polícia sobre a operadora do propinoduto – a prima-dona Cláudia Capiberibe -, o PSB montou uma estratégia. Primeiro, o governador Camilo Capiberibe fez uma extensa declaração:
“A primeira-dama é inocente, isso é uma estratégia de organizações criminosas que estão tentando interferir nos rumos da gestão estadual. Foi comprovado que em 2011 eles corromperam o marido da secretária Miriam Correa, que vinha fazendo um bom trabalho, e tive que afastar toda a equipe da Seed, e quando abri uma comissão especial para a licitação da educação, eles também corromperam, mas nenhum secretário da minha gestão foi citado na denúncia”, declarou.

No mesmo diapasão, no plenário do Senado, o pai do governador esforçou-se para refutar o irrefutável. Mas o senador Capi apenas repetiu os argumentos do seu filho. Coincidentemente, um dos investigadores do caso, o promotor de Justiça Afonso Guimarães, em coletiva do MPE (Ministério Público Estadual), já havia descartado o envolvimento de Cláudia Capiberibe no propinoduto.

“A investigação do MP se baseou no conteúdo dos vídeos, e estamos responsabilizando quem participou desse esquema de fraude. O nome da primeira-dama é citado, mas não houve um entendimento da participação dela, assim como de outras pessoas que foram relacionadas pelos suspeitos nas gravações”, afirmou Guimarães.

As declarações de Afonso Guimarães soaram estranhas, pois, como promotor não cabe a ele defender – isso é papel de advogados. A função do MP é investigar a primeira-dama, que foi citada por um assessor como operadora do propinoduto.
Afinal, duas perguntas não foram respondidas pelo MP: onde foi parar o dinheiro da propina? A primeira-dama Cláudia Capiberibe deve ser investigada? Com a palavra o Ministério Público.



CAPI MANDA INVESTIGAR BALIEIRO

Realmente, a semana que passou não foi das melhores para o PSB. O presidente do partido no Amapá, João Alberto Capiberibe, confirmou que o partido vai investigar suposta quebra de decoro parlamentar do deputado estadual Agnaldo Balieiro. O Ministério Público (MP) do Amapá diz que o parlamentar teria usado notas fiscais falsas para ter reembolso com dinheiro público de serviços não contratados pelo gabinete dele.
A instauração do procedimento de investigação também é efeito colateral da reportagem exibida no domingo (11), no Fantástico. Entrevistado pelo programa, Balieiro não soube explicar uma nota fiscal supostamente falsa no valor de R$ 5 mil em compras realizadas em um bufê de Macapá. A nota original com a mesma numeração ainda nem teria sido utilizada pelo estabelecimento.
De acordo com Capiberibe, o partido solicitou ao Ministério Público e à Assembleia Legislativa documentos relacionados à verba indenizatória do gabinete de Agnaldo Balieiro.
Os documentos serão submetidos a análise do conselho de ética do PSB regional que vai enviar um parecer ao diretório do partido no estado, para decisão sobre as sanções a serem tomadas contra o deputado Balieiro. As punições vão desde a advertência até a expulsão da sigla.
“Quem decide é o diretório estadual. O conselho vai avaliar as documentações e chamar o deputado para esclarecer os fatos”, reforçou o presidente, acrescentando ser o primeiro processo instaurado contra um parlamentar do PSB no Amapá.
O Ministério Público informou que ainda analisa notas fiscais de outros deputados beneficiados com a verba indenizatória para  ingressar com ações judiciais.
João Capiberibe adiantou que se houver apresentação de provas contra a deputada Cristina Almeida (PSB), o partido deverá tomar a mesma medida contra a parlamentar, líder do PSB na Assembleia Legislativa e vice-presidente regional do partido.
“O que temos de concreto é o caso do Balieiro. Mas se surgirem outros casos, também vamos encaminhar ao conselho de ética”, comentou.
Em sua defesa, o deputado Balieiro declarou na “Carta Aberta ao Povo do Amapá”. “Jamais falsifiquei Nota Fiscal, sou definitivamente contra essa prática ou qualquer outra prática criminosa”.
Em outro trecho, o deputado justifica que “a prestação de contas do meu Gabinete é de responsabilidade de meus assessores com os quais farei um amplo levantamento para visualizar possíveis falhas, submetendo o resultado aos mecanismos de controle”.  



ENTENDA O CASO

No domingo (11) o Fantástico exibiu ampla reportagem sobre o pagamento de propina, a funcionários públicos, por parte de Luciano Marba, dono da LMS. A empresa detém o contrato de segurança armada e desarmada com a Secretaria de Estado da Educação (Seed) desde o segundo semestre de 2010. Ao todo, Marba pagou R$ 115 mil a dois funcionários do Governo, segundo os vídeos gravados pelo empresário.
Marba filmou a entrega de R$ 100 mil a Edilberto Pontes Silva, o “Beto da Caixa”, marido da ex-secretária de Educação, Mirian Alves Correa da Silva, em maio de 2011. Em outro vídeo, gravado em fevereiro de 2012, Marba aparece entregando R$ 15 mil ao advogado Bruno da Costa Nascimento, funcionário comissionado e membro da Comissão Permanente de Licitação (CPL) da Seed.
Os dois vídeos foram feitos por Luciano Marba, segundo seu advogado Maurício Pereira, para se defender. “Ele foi vítima de concussão (quando alguém exige para si ou para outrem dinheiro ou vantagem em razão da função pública). Para se defender, ele produziu uma prova. Ele está amparado por excludente de ilicitude de defesa própria”.
Como o Fantástico ‘editou’ (excluiu da filmagem) a parte em que o próprio Bruno revela que estava recebendo o dinheiro a mando da primeira-dama Cláudia Capiberibe, que era a secretária de Inclusão e Mobilização Social (Sims), o advogado acredita que a reportagem serviu ao propósito do Ministério Público Estadual de fazer o linchamento público de Marba.
“Isso foi uma tentativa de assassinato midiático do empresário. Teve um condão político por trás disso porque o Marba é pré-candidato ao Governo do Estado”, frisou.
Sobre a parte do vídeo usada pelo Fantástico, na qual Bruno alega que o dinheiro recebido de Marba seria frutode honorários advocatícios, Pereira rebateu o colega. “Bruno estava mentindo na entrevista. Ele nunca fez serviço para Marba. Ele era assessor de licitação da Seed”, pontua Maurício.
A declaração de Bruno, distribuída à imprensa, confirma a versão de Pereira acerca da entrevista.


Decretada prisão de Marba e Miriam Correa, mas MP não denuncia Claudia Capiberibe


Na manhã de quinta-feira (15), a pedido do Ministério Público, o juiz Matias Pires Neto da 4ª Vara Criminal de Macapá decretou a prisão preventiva do empresário Luciano Marba. Segundo seu advogado, Marba se encontra na Grécia visitando o filho Marba Jr., que estaria naquele país jogando futebol.
Além de Marba, a Justiça decretou a prisão preventiva do empresárioAdemar Barbosa(suposto sócio de Marba), da ex-secretária de educação Miriam Corrêa, de EdilbertoPonte Silva (marido de Miriam), do advogado Bruno Nascimento e de Eliomar Ribeiro.
Embora citada nos autos do inquérito do MP, a exemplo da ex-secretária Miriam Correa, a primeira-dama Cláudia Camargo não teve o seu pedido de prisão emitido pelo Ministério Público.




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