sexta-feira, 16 de maio de 2014

Silte 
                                                                                                        Pesquisa ajuda economizar na construção civil



“O produto pode ser usado em 20% em substituição a areia, despensa os aditivos e pode ser ensacados, essas são as vantagens da utilização do silte na construção civil”.

Reinaldo Coelho
Da Reportagem

Há milhares de anos, o ser humano dispunha apenas do que a natureza lhe oferecia  madeira, pedras, ossos e peles de animais  para satisfazer as suas necessidades, hoje o cenário industrial moderno dispõe de um amplo leque de novos materiais: tecidos que absorvem suor e eliminam bactérias; embalagens de plástico biodegradável que podem virar adubo. A lista de possibilidades não cessa.
Entretanto a natureza ainda tem milhares de surpresas para serem pesquisados e processados nos laboratórios de institutos de pesquisas e empresas. Como desenvolvê-los em escala econômica e sustentável é o desafio dos especialistas.
Há dois anos o engenheiro agrônomo, pesquisador e escritor Cristovão Lins vêem realizando estudos sobre o silte, que é uma partícula em suspensão nas águas e que dá a cor marrom ao Rio Amazonas. Pelas pesquisas desenvolvidas, pode ser utilizado, mediante decantação, na construção civil, em substituição a areia. Quanto ao uso na agronomia, estudos preliminares realizados apresentam resultados promissores na substituição de fósforo, essa pesquisa está sendo realizada pela EMBRAPA/Amapá.
De acordo com os estudos realizados por Cristovão Lins, sobre a aplicabilidade do silte na construção civil deverá ajudar a baratear o preço das obras e ajudar o meio ambiente, pois não é necessário ajuda da resina  de pinho e do breu, para a maleabilidade massa.
O pesquisador realizou no auditório da UEAP, na última terça-feira uma palestra cujo tema foi “O Silte em Suspensão nas Águas do Rio Amazonas e Sua Possível Utilização na Construção Civil e na Agronomia”, ele decorreu que esse sedimento tem origem nas cordilheiras dos Andes e que os grandes fluxos do Rio Amazonas depositam enormes volumes de água doce e silte depositado nessa região no Oceano Atlântico dentro de uma área relativamente pequena ao longo da costa nordeste da América do Sul. “A água doce e o silte do Rio amazonas são encontrados somente nas águas costeiras”, explica o pesquisador.
Detalhando Cristovão Lins diz que a erosão hídrica  das águas do Rio Amazonas raspam das rochas da Cordilheira dos Andes, tanto do Peru,  quanto da Bolívia. “É esses sedimentos, principalmente o Siltes, o que dá a cor amarelada ao grande rio-mar. Quando ela passa em Óbidos (PA) que é a garganta do Rio Amazonas, passam 600 milhões de toneladas desse material em suspensão e quando chega a costa do Amapá ele entra 150 quilômetros no oceano”.
O assoreamento da entrada do Rio Amazonas é causado por essa sedimentação, pois quando a maré e/ou pré-mar chega ela para por sete minutos é quando o silte  “senta”. De acordo com Cristivão Lins esse é um dos motivos das terras do Cabo Orange estar crescendo devido esse sedimento ir aterrando as costas do Amapá. “São 600 milhões de toneladas que vão para o mar. Vendo isso, procurei estudar uma agregação econômica para esse produto da natureza e durante dois anos pesquisei”.
A pesquisa
O investigador científico detalha que para chegar às conclusões de seu trabalho, construiu umas bacias de decantação para realizar as coletas nas praias que tem na beira do rio, e as instalei próximo das matas ciliar. “Quando a maré crescia, ele começava a cair nessas bacias e quando a maré vaza fica acumulada nessas bacias”.
O passo seguinte foi o bombeamento da lama acumulada para uma parte acima que é de nova decantada e quando fica seca e são ensacadas. “ele pesa quase igual o cimento e/ou areia. Uma saca de silte seco tem o mesmo peso de uma saca de cimento. Porém, depois de seco e coado ele não retorna a consistência original ao contrario da argila”.
Após isso está pronta para utilização em duas finalidades: Uma delas é a construção civil a outra e a agricultura. “A primeira é de minha responsabilidade a pesquisa, quanto a segunda é a Embrapa/Amapá que está realizando, e é com referencia ao fósforo que o Silte contém”.
O resultado
O material conseguido com decantação do silte pode ser utilizado numa quantidade de 20% no traço de 1 para 5 ou seja 1 saco de cimento e cinco latas de areia pode ser substituído uma lata de areia por uma de silte. “Esse é o detalhe da economia no meio ambiente pela retirada de areia deixando áreas degradadas”.
Quanto à economia na construção civil, quando é feito uma argamassa, sem o silte, para ter a elasticidade da massa aplicada, é inserido um aditivo químico, que é retirado de resina de pinus, no Paraná e do Breu, submetido a altas temperaturas, para conseguir um liquido viscoso para ser colocado em 20 sacos de cimento. “Quando você utiliza o silte esses produtos são dispensados. O seja é mais um beneficia para o meio ambiente”.
Outra economia para o segmento da construção civil é o tempo de garantia da guarda do cimento. “Quando você faz a mistura areia/cimento e guarda-o rapidamente endurece. Com silte na argamassa pode ficar até 150 dias ensacados e é colocar a água e não em pelota. Concluído assim que o produto pode ser usado em 20% em substituição a areia, despensa os aditivos e podem ser ensacadas, essas são as vantagens da utilização do silte na construção civil”.
Laudo Técnico
Quando o agregamento do silte na Construção Civil, possibilitando uma economia no preço de uma obra e uma vantagem para o meio ambiente, Cristovão Lins informa que sua pesquisa foi avaliada pela Universidade Federal do Pará (UFPA) que realizou todos os testes científicos e que expediu um laudo aprovando a pesquisa assinada pela Professora, Doutora Isaura Nazaré Lobato Paus, responsável pelo Laboratório de Engenharia Civil – LEC daquela universidade.
Patenteado

O pesquisador corrobora que o produto foi patenteado pela ECOTUMUCUMAQUE com o nome regional de TUCUJUARA, em homenagem aos nossos índios Tucujus sendo que a terminação “ARA” tem o mesmo sentido de local, como por exemplo, Marajoara, Paruara etc. 

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