Silte
Pesquisa ajuda economizar na
construção civil
“O produto pode ser usado em 20% em substituição a areia,
despensa os aditivos e pode ser ensacados, essas são as vantagens da utilização
do silte na construção civil”.
Reinaldo Coelho
Da Reportagem
Há milhares de anos, o ser humano dispunha apenas do que a
natureza lhe oferecia madeira, pedras, ossos e peles
de animais para satisfazer as suas
necessidades, hoje o cenário industrial moderno dispõe de um amplo leque de
novos materiais: tecidos que absorvem suor e eliminam bactérias; embalagens de
plástico biodegradável que podem virar adubo. A lista de possibilidades não
cessa.
Entretanto a natureza ainda tem milhares de
surpresas para serem pesquisados e processados nos laboratórios de institutos de pesquisas e empresas. Como
desenvolvê-los em escala econômica e sustentável é o desafio dos especialistas.
Há dois anos o engenheiro agrônomo, pesquisador e escritor
Cristovão Lins vêem realizando estudos sobre o silte, que é uma partícula em
suspensão nas águas e que dá a cor marrom ao Rio Amazonas. Pelas pesquisas
desenvolvidas, pode ser utilizado, mediante decantação, na construção civil, em
substituição a areia. Quanto ao uso na agronomia, estudos preliminares
realizados apresentam resultados promissores na substituição de fósforo, essa
pesquisa está sendo realizada pela EMBRAPA/Amapá.
De acordo com os estudos realizados por Cristovão Lins, sobre
a aplicabilidade do silte na construção civil deverá ajudar a baratear o preço
das obras e ajudar o meio ambiente, pois não é necessário ajuda da resina de pinho e do breu, para a maleabilidade
massa.
O pesquisador realizou no auditório da UEAP, na última
terça-feira uma palestra cujo tema foi “O Silte em Suspensão nas Águas do Rio
Amazonas e Sua Possível Utilização na Construção Civil e na Agronomia”, ele
decorreu que esse sedimento tem origem nas cordilheiras dos Andes e que os
grandes fluxos do Rio Amazonas depositam enormes volumes de água doce e silte
depositado nessa região no Oceano Atlântico dentro de uma área relativamente
pequena ao longo da costa nordeste da América do Sul. “A água doce e o silte do
Rio amazonas são encontrados somente nas águas costeiras”, explica o
pesquisador.
Detalhando Cristovão Lins diz que a erosão hídrica das águas do Rio Amazonas raspam das rochas
da Cordilheira dos Andes, tanto do Peru,
quanto da Bolívia. “É esses sedimentos, principalmente o Siltes, o que
dá a cor amarelada ao grande rio-mar. Quando ela passa em Óbidos (PA) que é a
garganta do Rio Amazonas, passam 600 milhões de toneladas desse material em
suspensão e quando chega a costa do Amapá ele entra 150 quilômetros no oceano”.
O assoreamento da entrada do Rio Amazonas é causado por essa
sedimentação, pois quando a maré e/ou pré-mar chega ela para por sete minutos é
quando o silte “senta”. De acordo com
Cristivão Lins esse é um dos motivos das terras do Cabo Orange estar crescendo
devido esse sedimento ir aterrando as costas do Amapá. “São 600 milhões de toneladas
que vão para o mar. Vendo isso, procurei estudar uma agregação econômica para
esse produto da natureza e durante dois anos pesquisei”.
A pesquisa
O investigador científico detalha que para chegar às
conclusões de seu trabalho, construiu umas bacias de decantação para realizar
as coletas nas praias que tem na beira do rio, e as instalei próximo das matas
ciliar. “Quando a maré crescia, ele começava a cair nessas bacias e quando a
maré vaza fica acumulada nessas bacias”.
O passo seguinte foi o bombeamento da lama acumulada para uma
parte acima que é de nova decantada e quando fica seca e são ensacadas. “ele
pesa quase igual o cimento e/ou areia. Uma saca de silte seco tem o mesmo peso
de uma saca de cimento. Porém, depois de seco e coado ele não retorna a
consistência original ao contrario da argila”.
Após isso está pronta para utilização em duas finalidades:
Uma delas é a construção civil a outra e a agricultura. “A primeira é de minha
responsabilidade a pesquisa, quanto a segunda é a Embrapa/Amapá que está
realizando, e é com referencia ao fósforo que o Silte contém”.
O resultado
O material conseguido com decantação do silte pode ser
utilizado numa quantidade de 20% no traço de 1 para 5 ou seja 1 saco de cimento
e cinco latas de areia pode ser substituído uma lata de areia por uma de silte.
“Esse é o detalhe da economia no meio ambiente pela retirada de areia deixando
áreas degradadas”.
Quanto à economia na construção civil, quando é feito uma
argamassa, sem o silte, para ter a elasticidade da massa aplicada, é inserido
um aditivo químico, que é retirado de resina de pinus, no Paraná e do Breu, submetido
a altas temperaturas, para conseguir um liquido viscoso para ser colocado em 20
sacos de cimento. “Quando você utiliza o silte esses produtos são dispensados.
O seja é mais um beneficia para o meio ambiente”.
Outra
economia para o segmento da construção civil é o tempo de garantia da guarda do
cimento. “Quando você faz a mistura areia/cimento e guarda-o rapidamente
endurece. Com silte na argamassa pode ficar até 150 dias ensacados e é colocar
a água e não em pelota. Concluído assim que o produto pode ser usado em 20% em
substituição a areia, despensa os aditivos e podem ser ensacadas, essas são as
vantagens da utilização do silte na construção civil”.
Laudo Técnico
Quando o agregamento do silte na Construção Civil,
possibilitando uma economia no preço de uma obra e uma vantagem para o meio
ambiente, Cristovão Lins informa que sua pesquisa foi avaliada pela Universidade
Federal do Pará (UFPA) que realizou todos os testes científicos e que expediu
um laudo aprovando a pesquisa assinada pela Professora, Doutora Isaura Nazaré
Lobato Paus, responsável pelo Laboratório de Engenharia Civil – LEC daquela
universidade.
Patenteado
O pesquisador corrobora que o produto foi patenteado pela
ECOTUMUCUMAQUE com o nome regional de TUCUJUARA, em homenagem aos nossos índios
Tucujus sendo que a terminação “ARA” tem o mesmo sentido de local, como por
exemplo, Marajoara, Paruara etc.

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