sexta-feira, 23 de maio de 2014

PIONEIRISMO






Evangelista Pedro do Nascimento
O homem conhecido como “Canal de Suez”

É aqui, na terra do Marabaixo, que vive o homem conhecido como “Canal de Suez”. Passeando um pouco pelos álbuns de fotos é possível perceber que Evangelista Pedro do Nascimento é o tipo de pessoa que podemos chamar carinhosamente de: “um homem rodado”. Ele usou da sorte e da determinação para escrever seu nome na história do Oriente Médio, do Brasil e do Estado do Amapá.

Evangelista do Nascimento, natural do Rio Grande do Norte, ganhou o apelido pela brilhante atuação nas tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1966. Aos oito anos de idade, foi morar em Belém do Pará, onde aprendeu a trabalhar com próteses dentárias, aos 15 anos. Exerceu carreira militar em Belém até ingressar na Força de Emergência das Nações Unidas (UNEF) com apenas 20 anos. Na oportunidade, pelo menos mil homens disputavam as 18 vagas no Estado do Pará. Apesar de ter baixa estatura e grau de instrução inferior, Evangelista conseguiu se destacar e foi recrutado para viver cerca de um ano e meio em missão no Canal de Suez, com o objetivo de separar as forças egípcias das israelenses que estavam em conflito no oriente médio. Ele explica que o preparo físico, acompanhado por exames médicos, foi crucial na hora da seleção, inclusive durante a missão.
Deserto do Saará - Egito


“A nossa missão durante o dia era mais difícil e perigoso do que pensávamos. Ficávamos nos postos de observação da faixa de Gaza. Eram torres de aproximadamente 30 metros de altura, onde nós tínhamos que observar com binóculos uma parte da área que dividia os dois países. Sempre que nós avistávamos os guerrilheiros palestinos, ligávamos para o pelotão, que vinha nos dar cobertura. Nós tínhamos que expulsar, aos gritos e com poder de fogo, os palestinos do local, já que eles estavam sempre muito bem armados, com metralhadoras escondidas nas costas”, conta Suez.        

O protético Evangelista, nascido em 1945, chegou ao Amapá, com apenas 22 anos, logo depois de servir a ONU. Casou-se com a primeira esposa, em Belém, e teve quatro filhos. Durante o período que esteve na faixa de gaza, ele não só aprendeu a falar a língua como trouxe de lá alguns traços daquela cultura. Casou-se com a segunda esposa e teve mais um filho. No entanto, tornou a se divorciar e casou com a atual esposa, com quem gerou mais um filho e permanece casado há mais de 20 anos. 
Na fronteira do Líbano com a Síria

A história de bravura e dedicação à segurança nacional, não acaba por aí. Em 1971, ele passou a integrar a Guarda Territorial do Amapá e se tornou um dos homens mais respeitados no Estado pelos relevantes serviços prestados. “Fui guarda territorial durante quatro anos”, explanou Evangelista. “Fiz parte do grupo de choque e como armeiro cuidei e preparei o primeiro armamento do Estado do Amapá, composto por 40 fuzis, quatro metralhadoras e 600 revólveres. Para mim foi uma honra ter atuado junto à guarda, assim como ter representado o Brasil no Canal de Suez (Egito) e ter servido o exército de Belém. Sou um homem satisfeito, meu único objetivo é ver meus filhos todos formados e bem de vida”.


Velho da guarda
Há quem diga que as homenagens devem ser feitas em vida às pessoas que contribuíram de alguma forma com o desenvolvimento do País. Esta nova editoria do Tribuna Amapaense denominada, “Sobrevivente”, mostra que o Amapá está repleto de pessoas desse tipo. Gente viva que se orgulha do papel desempenhado, da história vivida e de toda experiência que tem a propagar. Essa a homenagem ao Canal de Suez, um homem com a mente ativa, espírito firme e braços fortes que trabalharam em prol da paz, em defesa do País e do Estado do Amapá.


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