sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Mobilidade Urbana






Mobilidade Urbana
Senhor prefeito, bikes pedem passagem.


Ciclistas revelam a insegurança de quem pedala em Macapá e pedem políticas públicas para o segmento.




O clamor ecoa por todas as partes da cidade, do padeira da Zona Oeste ao estudante da Zona Sul. O entregador de água e o cicloativista da Zona Norte também querem dar o recado ao gestor municipal. “Prefeito, nós, ciclistas, queremos respeito e segurança no trânsito”. Na base da marra e persistência, eles vêm lutando pelo espaço que também é deles por direito.
Em Macapá, existem 3,1 km de ciclovias, que são faixas separadas fisicamente das ruas; e 8,8 km de ciclofaixas, espaços pintados no piso, sinalizando onde os ciclistas devem circular.
 Atualmente, apenas as avenidas Tancredo Neves (2,5 km) e Francisco Azaria da Silva possuem ciclovia (600 metros). O restante dos espaços destinados a bicicletas são ciclofaixas, existentes na Rua Hamilton Silva (3 km), Av. Feliciano Coelho (2 km) e Rua Claudomiro de Moraes (3,8 km).

Macapá ocupa a posição 22 no ranking entre as 26 capitais brasileiras que possuem as maiores malhas de ciclovia. Rio de Janeiro ocupa primeira a posição com 361 km.
Em  2009 o pedagogo e estudioso do desenvolvimento urbano do Amapá, Alberto Tostes, escreveu um artigo onde já observava o excesso de veículos que entravam em circulação todos os dias na capital amapaense, e com um detalhe isso ocorria também com as bicicletas. “Ao contrário das classes com maior poder aquisitivo, a classe mais pobre economicamente compra bicicletas para atender suas necessidades de locomoção.”
O urbanista protagonizava também a não existência de planos ou projetos para atender essa nova demanda na capital amapaense, tanto que ressaltava a falta de infraestrutura na capital “A cidade de Macapá não tem os requisitos básicos para atender adequadamente a sua população, não há ciclovias, nem sequer faixas de segurança para os ciclistas circularem de forma adequada no trânsito”.

Mortes no Transito
Só neste começo de ano quatorze ciclistas foram mortos de forma violenta no transito (ver site do bolero neto). Um exemplo é o  empresário Roberto de Sousa Fernandes, de 50 anos, que morreu atropelado na Rodovia Jk, no Distrito de Fazendinha. Ele e outra mulher foram atropelados quando praticavam ciclismo. Apesar de todos os equipamentos de segurança que usava no momento, a vítima morreu no local do acidente.
O empresário pertencia a um grupo que se reúne para fazer ciclismo e utilizam sempre equipamentos de segurança como capacetes, protetores de cotovelos e joelhos. Segundo testemunhas, o empresário foi atingindo por uma picape Montana numa curva. O veículo estaria em alta velocidade e depois de colidir com os ciclistas perdeu o controle e foi parar numa área alagada.

Protestos

Em agosto deste ano um grupo de ciclistas protestou contra as mortes ocorridas no trânsito. Eles interditaram a Avenida FAB, esquina com a Rua General Rondon, próximo a Praça da Bandeira. No momento, várias reivindicações foram feitas a fim de melhorar a segurança dos ciclistas no trânsito. Somente este ano, 12 ciclistas já perderam a vida nas ruas.




O ciclista esportivo não tem local próprio para realizar seus treinos e os praticantes organizados precisam de segurança nas vias públicas. Mesmo assim, a Federação Amapaense de Ciclismo não tem nenhum conhecimento se há alguma ação dos orgãos públicos municipais ou estaduais na segurança do trânsito para os ciclistas e praticantes. “Precisamos de ações imediatas na segurança no trânsito para nossos ciclistas de competições, Cicloturismo e de lazer”, pontuou o presidente Antônio Silva.
Prioridades
A falta de sinalização e buracos são empecilhos que prejudicam a prática do esporte. Porém, a situação mais complicada é a de motoristas que não entendem que pedestres e ciclistas tem prioridade no trânsito.  Nas rodovias de todo Brasil e outros países como da Europa é comum ver Cicloturistas pedalando nas rodovias. Nenhum lugar é tranquilo quando se trata de motorista imprudente que não respeita o espaço dos Ciclistas.


Muitas pessoas utilizam a bicicleta não só como esporte, mas também como meio de transportem, pois é uma opção para ter uma qualidade de vida melhor e contribuir com o meio ambiente mais limpo.
 Mas, o desrespeito no trânsito faz com que várias pessoas deixem esse hábito por medo de sofrer acidentes. Em Macapá todos os ciclistas tem medo de sair de bicicleta para seu trabalho, para seus treinos e passeios. Não existem nem sinalização e nem respeito dos motoristas no trânsito. Em Macapá é grande a necessidade de melhorias na  mobilidade urbana para bicicletas.

Ação do MPE/AP
A Promotoria de Meio Ambiente, Conflitos Agrários, Habitação e Urbanismo (Prodemac) através do promotor Marcelo Moreira, que é ciclistas, vem discutindo soluções para o problema de mobilidade urbana e que os Poderes assumam suas responsabilidades relacionadas às ciclovias, que ocorrem desde 2011. A principal reclamação é a falta de espaço específico para o ciclismo, e a insegurança. “Não somente esportistas, mas trabalhadores e estudantes que usam a bicicleta como meio de transporte, são prejudicados. As Leis não saem do papel, e as ciclovias e ciclofaixas que temos têm muitas deficiências”, disse o corretor de imóveis e ciclista, Charles Sampaio.
Para o promotor Marcelo Moreira, as políticas públicas e as leis precisam sair do papel.  “Temos o Plano Estadual, que dispõem sobre o sistema cicloviário; o Plano Diretor cita estratégia de melhoria deste tipo de transporte; existem Leis municipais que criam ciclovias; a Lei Orgânica cria sistema de trânsito urbano para bicicletas; o município  tem relatórios sobre mobilidade, e cabe a todos nós cobrarmos planejamento e execução”, explicou o promotor.

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