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Mobilidade
Urbana
Senhor
prefeito, bikes pedem passagem.
Ciclistas
revelam a insegurança de quem pedala em Macapá e pedem políticas públicas para
o segmento.
O clamor ecoa por todas
as partes da cidade, do padeira da Zona Oeste ao estudante da Zona Sul. O
entregador de água e o cicloativista da Zona Norte também querem dar o recado ao
gestor municipal. “Prefeito, nós, ciclistas, queremos respeito e segurança no
trânsito”. Na base da marra e persistência, eles vêm lutando pelo espaço que
também é deles por direito.
Em Macapá, existem 3,1
km de ciclovias, que são faixas separadas fisicamente das ruas; e 8,8 km de
ciclofaixas, espaços pintados no piso, sinalizando onde os ciclistas devem
circular.
Macapá ocupa a posição
22 no ranking entre as 26 capitais brasileiras que possuem as maiores malhas de
ciclovia. Rio de Janeiro ocupa primeira a posição com 361 km.
Em 2009 o pedagogo e estudioso do
desenvolvimento urbano do Amapá, Alberto Tostes, escreveu um artigo onde já
observava o excesso de veículos que entravam em circulação todos os dias na
capital amapaense, e com um detalhe isso ocorria também com as bicicletas. “Ao
contrário das classes com maior poder aquisitivo, a classe mais pobre economicamente
compra bicicletas para atender suas necessidades de locomoção.”
O urbanista
protagonizava também a não existência de planos ou projetos para atender essa
nova demanda na capital amapaense, tanto que ressaltava a falta de
infraestrutura na capital “A cidade de Macapá não tem os requisitos básicos
para atender adequadamente a sua população, não há ciclovias, nem sequer faixas
de segurança para os ciclistas circularem de forma adequada no trânsito”.
Mortes
no Transito
Só neste começo de ano quatorze
ciclistas foram mortos de forma violenta no transito (ver site do bolero neto).
Um exemplo é o empresário Roberto de
Sousa Fernandes, de 50 anos, que morreu atropelado na Rodovia Jk, no Distrito
de Fazendinha. Ele e outra mulher foram atropelados quando praticavam ciclismo.
Apesar de todos os equipamentos de segurança que usava no momento, a vítima
morreu no local do acidente.
O empresário pertencia
a um grupo que se reúne para fazer ciclismo e utilizam sempre equipamentos de
segurança como capacetes, protetores de cotovelos e joelhos. Segundo
testemunhas, o empresário foi atingindo por uma picape Montana numa curva. O
veículo estaria em alta velocidade e depois de colidir com os ciclistas perdeu
o controle e foi parar numa área alagada.
Protestos
Em agosto deste ano um
grupo de ciclistas protestou contra as mortes ocorridas no trânsito. Eles
interditaram a Avenida FAB, esquina com a Rua General Rondon, próximo a Praça
da Bandeira. No momento, várias reivindicações foram feitas a fim de melhorar a
segurança dos ciclistas no trânsito. Somente este ano, 12 ciclistas já perderam
a vida nas ruas.
O ciclista esportivo
não tem local próprio para realizar seus treinos e os praticantes organizados
precisam de segurança nas vias públicas. Mesmo assim, a Federação Amapaense de
Ciclismo não tem nenhum conhecimento se há alguma ação dos orgãos públicos
municipais ou estaduais na segurança do trânsito para os ciclistas e
praticantes. “Precisamos de ações imediatas na segurança no trânsito para
nossos ciclistas de competições, Cicloturismo e de lazer”, pontuou o presidente
Antônio Silva.
Prioridades
A falta de sinalização
e buracos são empecilhos que prejudicam a prática do esporte. Porém, a situação
mais complicada é a de motoristas que não entendem que pedestres e ciclistas
tem prioridade no trânsito. Nas rodovias
de todo Brasil e outros países como da Europa é comum ver Cicloturistas
pedalando nas rodovias. Nenhum lugar é tranquilo quando se trata de motorista
imprudente que não respeita o espaço dos Ciclistas.
Muitas pessoas utilizam
a bicicleta não só como esporte, mas também como meio de transportem, pois é
uma opção para ter uma qualidade de vida melhor e contribuir com o meio
ambiente mais limpo.
Mas, o desrespeito no trânsito faz com que
várias pessoas deixem esse hábito por medo de sofrer acidentes. Em Macapá todos
os ciclistas tem medo de sair de bicicleta para seu trabalho, para seus treinos
e passeios. Não existem nem sinalização e nem respeito dos motoristas no
trânsito. Em Macapá é grande a necessidade de melhorias na mobilidade urbana para bicicletas.
Ação do MPE/AP
A Promotoria de Meio
Ambiente, Conflitos Agrários, Habitação e Urbanismo (Prodemac) através do
promotor Marcelo Moreira, que é ciclistas, vem discutindo soluções para o
problema de mobilidade urbana e que os Poderes assumam suas responsabilidades
relacionadas às ciclovias, que ocorrem desde 2011. A principal reclamação é a
falta de espaço específico para o ciclismo, e a insegurança. “Não somente
esportistas, mas trabalhadores e estudantes que usam a bicicleta como meio de
transporte, são prejudicados. As Leis não saem do papel, e as ciclovias e ciclofaixas
que temos têm muitas deficiências”, disse o corretor de imóveis e ciclista,
Charles Sampaio.
Para o promotor Marcelo
Moreira, as políticas públicas e as leis precisam sair do papel. “Temos o Plano Estadual, que dispõem sobre o
sistema cicloviário; o Plano Diretor cita estratégia de melhoria deste tipo de
transporte; existem Leis municipais que criam ciclovias; a Lei Orgânica cria
sistema de trânsito urbano para bicicletas; o município tem relatórios sobre mobilidade, e cabe a
todos nós cobrarmos planejamento e execução”, explicou o promotor.
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