O irresponsável
Segundo os bons dicionários,
diz-se que uma pessoa é irresponsável quando ela demonstra não ter juízo, não
ter tino, ser um moleque, que não mede as consequências de seus atos.
Meus amigos leitores essa
descrição cabe como uma luva ao senhor Carlos Camilo Góes Capiberibe, sua
excelência o governador do Estado do Amapá. Esse jovem tem se comportado
irresponsavelmente à frente da administração executiva desta Unidade da
Federação. Ao longo desses quase quatro anos a atual administração se limitou a
empurrar goela abaixo de todos nós um discurso de que os cofres públicos tinham
sido saqueados por uma quadrilha que governou esta região nos últimos oito anos
e paralelo ao discurso difamador presenciávamos uma administração apática.
O ano de 2011 parte da população
chegou a acreditar na cantilena camiliana. E sempre que era cobrado pela
oposição, vinha com todas as cores o discurso de que o Amapá fora vítima de um
saque. Chegou o ano de 2012 e nada mudava, pelo contrário. Setores estratégicos
como saúde, educação e segurança se mostravam cada vez mais ineficiente.
Paralelo as cobranças, a cantilena: o Amapá fora vítima de um saque.
Aliado ao discurso acusatório,
vazio, escudado na ainda recente operação mãos limpas, parte da população
acreditava na desculpa esfarrapada para entender que a inércia da administração
estadual se dava em virtude do rombo dos cofres públicos. É importante
ressaltar que o número de incautos diminuía a cada dia.
Em 2013 a gestão continuava
anêmica, sem demonstrar sequer lampejos de que havia planejamento. Os setores
de saúde, segurança e educação caindo pelas tabelas e as desculpas já não eram
mais toleradas. Segmentos de servidores públicos que tentaram negociar com o
Poder Executivo foram tratados como adversários. O endurecimento nas
negociações por parte do governo levou médicos, enfermeiros, peritos, policiais
e professores a fazerem movimentos grevistas. A resposta veio a galope.
Retaliações, perseguições e sucumbência de direitos e vantagens, inclusive já
adquiridas. Os aliados, como o prefeito Clécio Luiz, Robson Rocha e outros
gestores, inclusive do próprio partido (PSB), como o prefeito Miguel do Posto
do município de Oiapoque sentiram o isolamento e a falta de parceria nas
gestões municipais.
Camilo Capiberibe, esse
irresponsável, chegou a afirmar na imprensa paga pelo dinheiro público que
asfaltamento era responsabilidade dos prefeitos. Numa clara alusão de que as
cidades de Macapá (capital) e Santana, as duas maiores do Estado teriam que
solucionar seus problemas urbanísticos com as expensas municipais. Macapá e
Santana viraram um caos. Os buracos tomaram conta das vias públicas das duas
principais cidades do Estado.
Paralelo a incompetência
administrativa os asseclas do governo, na maioria secretários áulicos começaram
a desandar a fazer corrupção no governo. As denúncias foram fartamente
divulgadas, mas o projeto de poder não estava limitado ao Poder Executivo.
Tinha capilaridade no Ministério Público e Tribunal de Justiça e, infelizmente,
setores dessas instituições deram guarida aos caprichos irresponsáveis do
governador Camilo, que tal qual Nero, colocou fogo no Amapá e da janela do seu
gabinete via, as gargalhadas, as chamas metafóricas de suas atrocidades
queimarem as possibilidades dos amapaenses.
Os micro e pequenos empresários
foram vítimas da insanidade camiliana. A ampliação da base da substituição
tributária levou alguns milhares de empreendedores irem à bancarrota. Mais os
choros e os rangeres de dente, não sensibilizou o protótipo de Hugo Chaves. A
dominação arbitrária, a ausência de diálogo era e é a tônica de um governo
vocacionado a destruir.
Os que não resistiram foram
caindo pelo caminho e outros tiveram a hombridade de declinar da participação
dessa comédia bufa. Foi o caso dos delegados de polícia que exerciam cargo de
confiança. Em conjunto num ato de protesto pelo sucateamento da polícia civil,
entregaram os cargos, numa solenidade no Palácio do Governo.
O ano de 2014 foi a hora do acerto
de contas. O povo disse não a um governo que desavergonhadamente nos últimos
seis meses para findar essa malfadada gestão resolveu sair do papel de lobo e
se enfarpelar na pele de cordeiro. Trocou a caixa de “pandora”, aberta a exatos
três anos e seis meses, pela caixa de bondade. Fez parceria com Clécio,
conversou com servidores, fez pontes nas baixadas e não satisfeito, pois
percebia que a rejeição do governo era um sentimento permanente, distribuiu
favores a granel. Não adiantou. O povo já sabia separar o virtual do real, as
verdades das mentiras. Nas urnas, dia 5 de outubro, deu a vitória parcial a
Waldez Góes na eleição para o governo do Amapá e no dia 26 de outubro a população
confirmou o que as pesquisas já apontavam. Vitória tranquila de Waldez.
Mas a derrota fragorosa de Camilo
Capiberibe não o fez mudar sua conduta irresponsável. A mesma forma
desrespeitosa com que conduziu os desígnios do Amapá ao longo do seu mandato,
ele se comporta na fase transitória. Em todos os estados brasileiros a transição
se dá de forma natural. Aqui não. A transição acontece na maior falta de
respeito do governo derrotado. Não recebem a comissão, não facilitam acesso a
documentos e todos os tipos de manobras escusas para engessar o próximo governador
estão sendo perpetradas. Um calote generalizado nos prestadores de serviços e
terceirizados e no próprio servidor público. Quando se fala de governo Camilo,
a sensação que se tem é que ele e sua turma psicodélica sentam no gabinete e
riem aos borbotões de mim, e de todos os que se ocupam a criticá-los e a tentar
conceituar esse (des) governo. Riem a rolam pelo chão. O povo do Amapá não
merece isso.
Enquanto isso Ministério Público
e Tribunal de Justiça aqui na terra estão jogando futebol, alguns dias chove e
em outros faz sol, tudo isso para dizer aos doutos desembargadores, juízes,
promotores e procuradores que a coisa aqui tá preta.

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