Boxe
Amapaense
Falta
de apoio leva boxeador representar Santo André (SP) em competição nacional
Reinaldo Coelho
Por falta de apoio
financeiro aqui, estamos perdendo atletas que passam a competir por outros
Estados e até por outros países. É necessário fixar esses atletas no Amapá e
isso tem que ser feito através de politicas públicas estaduais e municipais.
Apesar das diferenças e
especificidades de cada esporte, as queixas têm alguns pontos em comum. Uma
delas é a falta de mecanismos para fortalecer clubes poliesportivos menores - o
que dificulta a formação dos atletas e contribui para um monopólio de grandes
clubes e que concentram mais investimento. Os grandes investimentos estão sendo
feitos na ponta e é necessário que aconteça na base.
Profissionais de
modalidades como judô, Jiu Jitsu, Tae Kwon Do, Tênis de Mesa apontam como
problema o "sequestro" de atletas consagrados no Amapá e levam para
sul e sudeste.
Ao contrário do
futebol, cuja popularidade no país garante um fluxo de novos atletas para as equipes,
as modalidades mais dependentes da estrutura de clubes criticam o que dizem ser
um esvaziamento do esporte escolar.
Não temos uma cultura
de esporte na escola e nem universitário. Temos um grande celeiro de atletas,
mas todos formados em clubes e ou pequenas academias. Em outros estados, a
escola é um diferencial. É da quantidade que se tira a qualidade.
“O judô está
conseguindo fazer a formação de base, mas de uma forma meio torta. Os projetos
sociais são o nosso celeiro, muito mais do que as escolas ou
universidades.", explica o Mestre Bruno Igreja, que atua em um Projeto
Social no Zerão.
Celeiro
esvaziando
O Amapá já perdeu
grandes atletas de diversas modalidades, que são contratados pelos clubes de
outros Estados, que cobrem suas despesas pessoais e esportivas, o que não
acontece, infelizmente no Amapá.
Uma das modalidades
mais desassistida no Estado é o Boxe, além de nenhum clube agregar a modalidade
em seu cartel esportivo. Tem somente um Clube que é do ex-boxeador Nelson dos
Anjos, quem tem descobertos grandes nomes para o boxe amapaense, em sua
academia sob palafitas no Bairro do Congois.
Uma das maiores
promessas do boxe amapaense, Juscelino Pantoja, foi convidado pelo clube Santo
André, de São Paulo, para participar do campeonato aberto da modalidade, nos
dias 27 e 28 de novembro, na capital paulista. As passagens e hospedagem do
atleta serão custeadas pelo próprio clube.
Enquanto aguarda as
passagens Juscelino treina diariamente na academia do Nelson dos Anjos, na Zona
Sul de Macapá. Esta será a segunda vez que o pugilista amapaense participará da
competição: em 2013 Juscelino conquistou o terceiro lugar e para manter o bom
desempenho, o boxeador promete buscar o cinturão de ouro.
“Estou muito feliz por
receber este convite, sem ajuda da academia não sei se conseguiria dinheiro
para poder viajar. Estou treinando há alguns meses, mas vou para São Paulo um
pouco antes para me acostumar com o ringue e com a cidade” disse Juscelino.
O boxeador será o único
amapaense a competir em São Paulo e para Juscelino essa é mais uma oportunidade
de representar bem o Amapá.
“Infelizmente o boxe é
muito pouco incentivado no Amapá, só temos a academia do Nelson dos Anjos.
Acredito que se fossem mais boxeadores as nossas chances de trazer medalhas
para o estado aumentaria. Vou fazer o meu melhor para representar bem o meu
estado - finalizou.
Trajetória de Jucelino
Pantoja
Juscelino Pantoja, de
18 anos. Morador de área de ressaca no bairro do Congós encontrou na academia
Nelson dos Anjos uma chance para largar as tentações da vida no subúrbio como
as drogas e o alcoolismo.
Antes de se tornar um
grande pugilista, Juscelino entrou na academia como forma de amenizar os
problemas na família e principalmente na escola, conta que: “brigava muito na
escola, às vezes até com faca, estava sempre suspenso e naquele tempo não
conseguia tratar ninguém direito, inclusive na minha família”, afirmou
Juscelino. Mas justamente foi esse comportamento rebelde que o aproximou do
boxe. Quando estava com 15 anos, um de seus amigos de tanto vê-lo brigar, lhe
sugeriu ir até a academia para ver se era bom de briga mesmo, segundo ele “foi
na hora que eu descobri que o boxe era a minha vida, pois fez com que eu
mudasse de comportamento, parei de me revoltar no colégio e agora só luto aqui
mesmo” disse Juscelino
Juscelino Pantoja
conquistou o cinturão de bronze no Campeonato Brasileiro, em São Paulo em 2014




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