sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Boxe Amapaense

 
Boxe Amapaense
Falta de apoio leva boxeador representar Santo André (SP) em competição nacional






Reinaldo Coelho

Por falta de apoio financeiro aqui, estamos perdendo atletas que passam a competir por outros Estados e até por outros países. É necessário fixar esses atletas no Amapá e isso tem que ser feito através de politicas públicas estaduais e municipais.
Apesar das diferenças e especificidades de cada esporte, as queixas têm alguns pontos em comum. Uma delas é a falta de mecanismos para fortalecer clubes poliesportivos menores - o que dificulta a formação dos atletas e contribui para um monopólio de grandes clubes e que concentram mais investimento. Os grandes investimentos estão sendo feitos na ponta e é necessário que aconteça na base.

Profissionais de modalidades como judô, Jiu Jitsu, Tae Kwon Do, Tênis de Mesa apontam como problema o "sequestro" de atletas consagrados no Amapá e levam para sul e sudeste.
Ao contrário do futebol, cuja popularidade no país garante um fluxo de novos atletas para as equipes, as modalidades mais dependentes da estrutura de clubes criticam o que dizem ser um esvaziamento do esporte escolar.

Não temos uma cultura de esporte na escola e nem universitário. Temos um grande celeiro de atletas, mas todos formados em clubes e ou pequenas academias. Em outros estados, a escola é um diferencial. É da quantidade que se tira a qualidade.
“O judô está conseguindo fazer a formação de base, mas de uma forma meio torta. Os projetos sociais são o nosso celeiro, muito mais do que as escolas ou universidades.", explica o Mestre Bruno Igreja, que atua em um Projeto Social no Zerão.

Celeiro esvaziando



O Amapá já perdeu grandes atletas de diversas modalidades, que são contratados pelos clubes de outros Estados, que cobrem suas despesas pessoais e esportivas, o que não acontece, infelizmente no Amapá.
Uma das modalidades mais desassistida no Estado é o Boxe, além de nenhum clube agregar a modalidade em seu cartel esportivo. Tem somente um Clube que é do ex-boxeador Nelson dos Anjos, quem tem descobertos grandes nomes para o boxe amapaense, em sua academia sob palafitas no Bairro do Congois.
Uma das maiores promessas do boxe amapaense, Juscelino Pantoja, foi convidado pelo clube Santo André, de São Paulo, para participar do campeonato aberto da modalidade, nos dias 27 e 28 de novembro, na capital paulista. As passagens e hospedagem do atleta serão custeadas pelo próprio clube.
Enquanto aguarda as passagens Juscelino treina diariamente na academia do Nelson dos Anjos, na Zona Sul de Macapá. Esta será a segunda vez que o pugilista amapaense participará da competição: em 2013 Juscelino conquistou o terceiro lugar e para manter o bom desempenho, o boxeador promete buscar o cinturão de ouro.
“Estou muito feliz por receber este convite, sem ajuda da academia não sei se conseguiria dinheiro para poder viajar. Estou treinando há alguns meses, mas vou para São Paulo um pouco antes para me acostumar com o ringue e com a cidade” disse Juscelino.
O boxeador será o único amapaense a competir em São Paulo e para Juscelino essa é mais uma oportunidade de representar bem o Amapá.
“Infelizmente o boxe é muito pouco incentivado no Amapá, só temos a academia do Nelson dos Anjos. Acredito que se fossem mais boxeadores as nossas chances de trazer medalhas para o estado aumentaria. Vou fazer o meu melhor para representar bem o meu estado - finalizou.


Trajetória de Jucelino Pantoja


Juscelino Pantoja, de 18 anos. Morador de área de ressaca no bairro do Congós encontrou na academia Nelson dos Anjos uma chance para largar as tentações da vida no subúrbio como as drogas e o alcoolismo.
Antes de se tornar um grande pugilista, Juscelino entrou na academia como forma de amenizar os problemas na família e principalmente na escola, conta que: “brigava muito na escola, às vezes até com faca, estava sempre suspenso e naquele tempo não conseguia tratar ninguém direito, inclusive na minha família”, afirmou Juscelino. Mas justamente foi esse comportamento rebelde que o aproximou do boxe. Quando estava com 15 anos, um de seus amigos de tanto vê-lo brigar, lhe sugeriu ir até a academia para ver se era bom de briga mesmo, segundo ele “foi na hora que eu descobri que o boxe era a minha vida, pois fez com que eu mudasse de comportamento, parei de me revoltar no colégio e agora só luto aqui mesmo” disse Juscelino
Juscelino Pantoja conquistou o cinturão de bronze no Campeonato Brasileiro, em São Paulo em 2014










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