Ponte Sérgio Arruda
Sem manutenção, acende sinal de
alerta.
A Ponte Sérgio Arruda, inaugurada em 2002 e anunciada
como novo cartão-postal de Macapá, virou capa de muitas revistas e motivo para
cartazes e anúncios publicitários de todo tipo. A maior obra de infraestrutura
realizada, naquela época, na cidade, trazia em seu bojo a revitalização do
Canal do Jandiá e seu entorno, assim como da construção da sede da Feira do
Produtor da Zona Norte.
Após a execução da primeira etapa do convênio
na ordem de R$ 4 milhões, assinado entre o Governo Federal e o município de
Macapá, em 2002, que teve como finalidade a construção da Ponte da Rodovia do
Pacoval, a maior “lombada”, da Ponte Sérgio Arruda e parte da drenagem da
área.
Porém, isso depois de 12 anos continua no papel
e a ponte cantada e aclamada como uma obra de engenharia do então prefeito João
Henrique, como a ceder e ameaçar o grande fluxo de veículos que se utiliza do
único elo que liga a Zona Norte com o resto da capital amapaense.
Mas de acordo com os engenheiros e o próprio ex-prefeito ela é segura e nunca vai ao chão. Mas já ouvimos essas estórias em outras cidades, caso do elevado em Belo Horizonte, que caiu e matou uma pessoa.
Um viaduto desabou na tarde desta quinta-feira (3), na Avenida
Pedro I, próximo à Lagoa do Nado, região da Pampulha, em Belo Horizonte. Dois
caminhões, um carro e um micro-ônibus foram atingidos pela estrutura. A
motorista do ônibus morreu no local e, segundo a Secretaria de Estado de Saúde,
22 pessoas ficaram feridas.
Mais problemas
Em Macapá, a zona norte é a região que mais
cresce urbanisticamente. Depois da ponte Sérgio Arruda, encontramos cerca de 10
bairros e uma população em torno de 100 mil habitantes. O setor comercial,
antes concentrado no centro de Macapá, tem se expandido nesta região e no São
Lázaro encontramos vários empreendimentos e alguns importantes prédios da
administração pública.
A Ponte Sérgio Arruda no momento é a principal
via de acesso para a Zona Norte de Macapá e BR-156. O tráfego é intenso e
a passagem por ela é apenas no sentido Pacoval-São Lázaro. O retorno é por um
desvio ao lado, que vai sair na Rua Mato Grosso.
A Ponte Sérgio Arruda tem gerado muitos transtornos para os moradores da comunidade de seu entorno, que vem sofrendo principalmente com a falta de segurança. Isto porque parte da obra foi liberada sem estar concluída. A necessidade de desafogar o trânsito era bem maior. Os motoristas chegavam a aguardar até duas horas na fila para cruzar a ponte.
Também não há iluminação pública, ficando muito
difícil para quem precisa cumprir o trajeto à noite. Esse é considerado pela
comunidade o maior problema, principalmente pelo medo de assaltos.
“Quando eu tenho que vir à noite, eu só venho
de carro com meu marido, porque é muito escuro. A gente fica com medo de
assalto e tem que ter o cuidado redobrado no trânsito, pra não acontecer
acidente”, afirma Juliana.
O
carroceiro Alessandro Lima Correia, morador do Canal do Jandiá, não nega que a
ponte melhorou muito seu trabalho.
Assaltos, drogas e estupros.
Com referencia aos assaltos moradores próximos
à feira do Pacoval, dizem que ela (a ponte) se tornou um ponto forte de
comercialização e uso de entorpecentes durante as noites e madrugadas,
principalmente. Além disso, espaço é usado para prostituição e aliciamento de
menores. “Ali existe uma crocolândia”
Recentemente uma jovem grávida de 6 meses foi
estuprada e sofreu momentos de terror em uma mata nas proximidades da Ponte
Sérgio Arruda, zona norte da cidade. Para o deputado santanense “é preciso agir
rápido para que a população não deixe de sair de suas casas por insegurança e
medo. A ausência de um sistema de segurança efetivo por parte da Polícia
Militar abre espaço para a criminalidade”, ressaltou.
Os criminosos que constantemente praticam
assaltos aos coletivos que fazem linha para a Zona Norte, principalmente os que
trafegam no Bairro de São Lázaro, têm seus esconderijos, localizados na área de
passarelas no entorno da ponte e é ali que eles direcionam os coletivos e fogem
para dentro das palafitas construídas em uma área de invasão encoberta pelos
manguezais.
Iluminação pública não existe
Das
cerca de 20 luminárias instaladas na extensão da Ponte Sérgio Arruda, zona
norte de Macapá, apenas 4 delas estão funcionando, o restante estão queimadas.
Iluminação mesmo, só a que vem dos faróis dos carros e das motos que transitam
pelo local. Para chegar a sua casa, o autônomo Assunção Oliveira tem que passar
todas as noites pela ponte, trajeto que para ele se tornou bastante perigoso.
A precária iluminação não se limita só à ponte
Sérgio Arruda. Mais alguns metros de distância é visível alguns trechos da Rua
Adilson José Pinto Pereira às escuras. Quem passeia pelo local reclama da
situação e pede policiamento para a área.
Foi o que aconteceu em maio por volta das
11h00min da manhã com Daiani Lima (24) quando caminhava em baixo da ponte Sérgio
Arruda, no Pacoval, quando foi cercada por um adolescente de 14 anos, armado
com uma faca tipo peixeira, o qual exigiu a bolsa da vítima. Para sorte dela,
logo a seguir, passava no local, uma VTR do 2º Batalhão, comandada pelo Sgt.
Arlindo Costa, que apreendeu o menor com a bolsa.
Lixeira pública
O Canal é um verdadeiro lixão, principalmente debaixo
da ponte Sérgio Arruda, no São Lazaro. Em plena margem do canal do Jandiá, lixo
doméstico, restos de podas de plantas, carcaças de eletrodomésticos e até
animais mortos. O mais impressionante é que, do lado disso tudo, crianças
brincavam como se aquela cena e o mau cheiro fossem comuns.
As pessoas moram aqui na frente onde o lixo foi
despejado. Elas convivem com a sujeira e contribui para o aglomerado de
resíduos neste local
O Canal do Jandiá
O Canal do Jandiá tem uma extensão de cerca de 4,2
km, drena parte dos bairros Santa Rita e Laguinho e passa pelos bairros Cidade
Nova, Pacoval, Jesus de Nazaré e São Lázaro.
Constitui-se em um dos pontos de atracação de
embarcações na orla de Macapá (outros são os Igarapés das Mulheres, Santa Inês
e Canal das Pedrinhas). As embarcações que navegam por ali são de pequeno porte
- só é possível na maré alta - e fazem a distribuição e escoamento de
madeiras para as madeireiras encontradas no entorno.
Era navegável da desembocadura no Rio Amazonas até a
Ponte Sérgio Arruda. Como se vê na imagem, tirada de cima da ponte, o trecho
navegável nas proximidades desta diminuiu devido o assoreamento e presença de
vegetação aquática. As margens do lado direito são ocupadas, observando-se
casas sem infraestrutura de drenagem, acumulando resíduos nas margens e com
tubulações clandestinas de esgoto. No lado esquerdo observamos uma área
particular com vegetação nativa.
Canal abandonado pelo poder público
Em audiência pública realizada em 2013, os
moradores dos bairros que são cortados pelo Canal do Jandiá, reivindicaram
melhorias, e dentre as reclamações, o esquecimento do Poder Público foi um dos
mais lembrados.
A limpeza do Canal do Jandiá, em Macapá foi
debatida em uma audiência pública realizada no bairro Cidade Nova, Zona Norte
da cidade. Durante o encontro, que reuniu moradores e gestores públicos,
acadêmicos do curso de gestão ambiental de uma faculdade local, apresentaram um
estudo que colocou o despejo de lixo doméstico como o principal problema do
canal.
Diante desses fatos a deputada Roseli Matos (DEM),
protocolou requerimento na Assembleia Legislativa do Amapá (ALAP), solicitando
do governador do Estado Camilo Capiberibe, informações quanto à existência de
projetos para a revitalização do canal, que está sem manutenção há dez anos.
“As pessoas presentes solicitaram que seja feito um trabalho de revitalização
do Canal do Jandiá para que deixe de ser apenas um local para disposição de
lixo e passe a integrar na vida daqueles moradores”, frisou a deputada.
“Entretanto,
diante da situação em que o canal atualmente se encontra, é necessário que haja
um projeto macro para o local, com drenagem do canal, estrutura para as
margens, construção de calçadas, dentre outras necessidades”, sugeriu Roseli
Matos.
Para o representante do Ministério da Integração
Nacional, Vaico Oscar Preto, que esteve em Macapá para discutir a retomada da
parceria, o Município de Macapá precisa reavaliar o projeto, já defasado, e
propor ao Governo Federal um novo convênio, onde o local será contemplado com
um ponto turístico, para receber, além de visitas, navegação de pequenas
embarcações que serviriam para passeios turísticos e ancoragem de embarcações
de cargas e passageiros.
A prefeitura de Macapá possui um projeto pronto
para a revitalização do canal, faltando apresentá-lo ao Ministério das Cidades
a fim de conseguir recursos de R$ 74 milhões para revitalizar a região.
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Pátio do Detran daria lugar à feira do produtor do Pacoval
Consta dentro do projeto de revitalização do
entorno da Ponte Sérgio Arruada e do Canal do Jandiá a construção dos prédios
da Feira do Produtor, que começou a ser construída no galpão do DETRAN, com um
prazo de 210 dias para entrega da obra e estava orçada em mais de R$ 4 milhões.
Em agosto de 2008, a Secretaria Estadual de
Infra-estrutura [Seinf] começou a fechar a área do pátio do Departamento
Estadual de Transito [DETRAN], e começou ser erguidos as estruturas em concerto
e cobertura da futura feira. Porém, infelizmente a obra foi paralisada e até
hoje seis anos depois nada mais foi feito e nem informado.
Pelo visto o local se tornou uma outra questão que deve ter sido levada em consideração que diz respeito à transferência do Curral do Detran para outro local, se hoje não tem espaço e abrigo suficientes para todos os veículos, o governo precisa imediatamente providenciar esse local, visto que os carros e motos não podem ser colocados em qualquer lugar; provavelmente será construído outro galpão na área localizada atrás do Superfácil.
E a feira do produtor do Pacoval, continua no mesmo
local precisando muito mais do que uma boa estrutura e um espaço amplo, e a
mesma sujeira.

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