Cidade Macapaba
Os problemas estruturais começaram a
brotar
O grande temor é que o lugar passe pelo mesmo processo de
outro conjunto; o Mucajá, um dos campeões de violência.
Reinaldo
Coelho
Há quase seis meses o sonho da casa própria já é realidade
para as primeiras 2.148 mil famílias beneficiárias do Conjunto Residencial
Cidade Macapaba. Junto com essa realidade estão começando abrotar os problemas
estruturais e sociais.
É um enorme desafio trabalhar a gestão patrimonial com
famílias que vem de situações de moradia em altíssima precariedade, caso dos beneficiários
dos conjuntos habitacionais construídos dentro do projeto federal do Programa
de Aceleração do Crescimento (PAC).
O Macapaba é uma obra do PAC, em parceria com o governo do
Estado do Amapá que acelerou a inauguração para que acontecesse antes das
eleições,dentro do calendário eleitoral. Ou seja, foi motivada por
interesse eleitoreiro, tanto do governador Camilo Capiberibe (PSB), quando da Presidente
Dilma Rousseff (PT).
Moradores do Conjunto Residencial estão reclamando da
precariedade que o local vem apresentando, pois para eles o poder público
estadual está simplesmente ocultando a real situação da moradia e expondo uma
série de subterfúgios para iludir a população em relação à real situação do
Macapaba.
Um dos primeiros problemas surgidos foi com referência ao
cadastramento. De acordo com denúncias à justiça federal; a segunda parte da
obra está suspensa, e a entrega dos apartamentos a pedido do Juiz Federal João
Bôsco que aceitou ações judiciais de que estava sendo manipulado o cadastro e
que a situação dentro do Macapaba é uma farsa e muitos ficaram sem casas para
que fossem dadas a funcionários públicos. “Os pobres que deveriam vir para cá,
foram retirados e no lugar foram colocados funcionários do governo. É claro que
aqui no conjunto tem muita gente que precisa e que foi contemplada, porém, há
também muitos que não precisam de absolutamente nada e que estão morando aqui.
No sábado e no domingo essas ruas ficam cheias de carros de luxo”. Denuncia
morador que não quis se identificar.
Além do mais, existem moradores com quatro apartamentos e que
não residem no local. “Temos beneficiados com quatro apartamentos e que
mobiliaram apenas para dar aparência de ocupado”.
Em setembro o Jornal do Dia divulgou uma situação
considerada, até então, estranha e incomum: os carros de luxo dos moradores de
um conjunto que deveria ter contemplado as centenas de famílias que vivem hoje
sob as pontes de ressaca ou que não possuem teto para morar. São vistos no
local muitos carros como os modelos S-10, Tucson, Hilux e até um Camaro
amarelo.
Feira Popular
Ao todo foram entregues 23 espaços que vão compor a Praça de
Alimentação, localizada no início da quadra 4 do Macapaba; 42 espaços para
barracas da Feira Popular, que fica no final da quadra 7; e 18 vagas para
empreendedores externos, que já possuem estrutura própria, como carrinhos de
batata frita, totalizando 83 espaços comerciais. Os produtos que serão
comercializados incluem hortifrutigranjeiros, açaí, farinha, pescado,
artesanato, comidas típicas, entre outros gêneros alimentícios.
Moradores do Macapaba e que estão com bancas na Feira
Popular, denunciaram à equipe de reportagem do Tribuna Amapaense o descaso com
a estrutura da feira. A reportagem observou ‘in loco’ que de fato, as bancas
ofertadas aos feirantes não tem capacidade de atender a prestação de serviços.
Além de mal planejada e inadequada, não há local apropriado para acondicionar o
peixe e hortifrutigranjeiros, faltam banheiro, só existe uma pia para cada duas
barracas. Os empreendedores populares são obrigados a transformar os
apartamentos em depósitos e diariamente trazer as mercadorias. Essa situação
demonstra que terão problemas de higiene e de prejuízos com a perda
dos produtos mal acondicionados.
Os feirantes peixeiro têm de subir e descer as escadas dos
seus apartamentos todos os dias com o seu produto. Quando apenas um bom reservatório
resolveria o problema.
Segundo os trabalhadores da feira, os próprios moradores não
dão preferência aos produtos ali vendidos “é inadmissível saber que os moradores
têm de ir fora do conjunto para comprar peixe sabendo que já existe uma feira
de pescado lá dentro”, reclamou um feirante.
Outra situação difícil é em relação aos feirantes que
comercializam hortifrutigranjeiros, eles estão trabalhando de maneira
improvisada, pois não foram construídas barracas adequadas para essa atividade
comercial. Eles alegam ainda que não querem causar transtornos a ninguém,
querem apenas a formalização e a permanência no local para que possam ganhar
seu dinheiro.
O clamor coletivo por parte desses trabalhadores do Macapaba é
que os poderes públicos terminem o que começaram, e que possibilitem o bom
funcionamento das duas feiras.
Já o terceiro momento de implantação da área comercial do
Macapaba será licitado para empreendimentos de médio porte como a instalação de
supermercados, distribuidoras e sapatarias. Estes espaços serão
disponibilizados por meio de concorrência pública.
Para isso, o Governo do Amapá terá de preparar um projeto de
lei autorizativo e encaminhá-lo para aprovação da Assembleia Legislativa. Só
então, será elaborado o edital de concorrência pública que vai reger todo o
procedimento, no qual incluirá o contrato de venda aos interessados e
construção dos empreendimentos.
Mas o que se observa é que os comerciantes de médio porte já
estão se instalando na fronteira do Cidade de Macapaba com o Jardim Amazonas,
que estão separados por uma simples cerca de arame farpado. O que tem construído
em alvenaria são lojas, padarias, farmácias, mini-boxes, enfim, a concorrência
já se fixou antes dos que deverão atuar legalmente dentro do conjunto.
Esgoto deságua na BR
210
O esgoto sanitário de centenas de apartamentos do Conjunto
Macapaba estava sendo despejado às margens da rodovia 210.O Macapaba possui
sistema próprio de tratamento de esgoto. O lugar que está recebendo os dejetos
foi construído para receber a água da chuva.
A responsabilidade pela manutenção do sistema isolado é da
Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa). Que garantiu que os reparos já
foram providenciados, garantindo o funcionamento normal do sistema.
A equipe da estatal garante que com relação ao vazamento na
BR- 210, que o problema ocorreu na área de drenagem de efluentes e não existe
nenhuma ligação com a rede de esgoto do conjunto. "O reparo foi feito no
mesmo dia e não há chance alguma de causar danos ambientais", garantem os
técnicos da Caesa.
O Dnitt também fez a inspeção, pois se trata de faixa de
domínio de uma rodovia federal, mas caberá ao IBAMA avaliar o tamanho do
impacto que está sendo causado ao meio ambiente, já que próximo existem
mananciais.
Acesso rodoviário
perigoso
Um dos problemas iniciais do residencial é o acesso
rodoviário ao conjunto, que é feito através da BR 210, em sua parte urbana, que
sempre apresentou o maior problema de trânsito, pois é por meio dela que
moradores de mais dez bairros têm acesso. Já existe uma proposta de duplicação
e sinalização desse perímetro do Boné Azul ao Brasil Novo,feitos pelo
destacamento local da Polícia Rodoviária Federal. Onde acontecem os maiores
números de acidentes.
Transporte Coletivo
Outra problemática é com referencia ao transporte coletivo,
que tem uma única linha que recebe passageiros na frente do conjunto e percorre
um longo até a UNIFAP, são mais de duas horas de percurso, no horário do
pico. Isso quando o coletivo não
apresenta problemas mecânicos. O pior é os moradores terem de aguardar mais de
40 minutos, sem um local adequado, pois não existe abrigo de parada de ônibus.
Além da superlotação, demora e pouca oferta de ônibus no
local. Muitos usuários têm de chegar até a Rodovia BR 210 e espera mais opções
de ônibus em frente ao Instituto Federal do Amapá – IFAP.
A Companhia de Trânsito e Transportes de Macapá (CTMac)
informou que fará uma fiscalização no Macapaba para verificar o intervalo em
que os ônibus estão passando. Existem
seis ônibus dentro do Conjunto que fazem a linha Macapaba – Amapá Garden
Shopping.
Promessas para os
sinistrados do Perpétuo Socorro
Dentro do que preconiza a Portaria em questão, o
empreendimento habitacionalMacapaba, da faixa 1 do Programa Minha, Casa Minha
Vida (destinado às famílias com renda de até R$ 1.600,00), todas as famílias
foram selecionadas pelo Governo do Estado do Amapá, através da SIMS (Secretaria
de Estado e Inclusão e Mobilização Social), órgão gestor da política estadual
de assistência social.
A CAIXA recebe dossiês e cadastros prontos, analisa os
analisam e verifica o respeito aos critérios do Programa.
Então, mais uma vez, a Secretaria de Estado, administrada
pela primeira dama Claudia Capiberibe, tem como público alvo a população em
situação de pobreza, extrema pobreza, vulnerabilidade e risco social, e também,
seria a responsável por fazer visitas domiciliares, estudos técnicos, consultas
em sistemas de informações de renda, registro de bens e outras informações
necessárias, e assim garantir a tão sonhada justiça social.
O trabalho feito corretamente permitiria as pessoas que
realmente necessitem de habitação fossem contempladas, assim como às famílias vitimadas
pelo incêndio acontecido em outubro de 2013, que ainda continuam sem um teto
para morar, e vivem em condições sub-humanas. Assunto ignorado por ela que
deveria lutar com mais afinco pelos menos favorecidos, pelos os mais precisam.
Mas Cláudia Capiberibe prefere passar por cima das regras e fazer a sua própria
avaliação por meio de um olhar diferenciado, um olhar amigo, do tipo ‘me ajuda,
que eu te ajudo’.
Segurança
A Unidade de Policiamento Comunitária (UPC) do Conjunto
Habitacional Macapaba está funcionando provisoriamente desde o dia 26 de junho
no prédio de um centro comunitário que foi adaptado para o trabalho de 32
policiais militares que estão fazendo o policiamento ostensivo e preventivo 24
horas no complexo.
A UPC conta com um departamento de informações ligado ao 190.
Os policiais que estão na base da unidade têm acesso ao registro online de
ocorrências do Centro Integrado de Operações em Defesa Social (Ciodes).
Além da estrutura operacional, os projetos sociais da
corporação “Cidadão Mirim” e “Nocauteando as Drogas e Finalizando a Violência”
também serão desenvolvidos com as crianças do conjunto.
O cidade Macapabatem a melhor estrutura urbana do Estado, com
direito a policiamento próprio, uma UPC inaugurada. Mesmo assim, o grande temor
é que o lugar passe pelo mesmo processo de outro projeto habitacional, o
Mucajá, um dos campeões em índices de violência.
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