Quem fiscaliza os fiscais da lei?
Quanto pode valer a
reputação de alguém? Entre os bordões populares está um que diz que cada homem
tem seu preço. Pode até ser, mas será que se passou a leiloar caráter? Quanto
custaria então, comprar de volta a dignidade que foi vendida? Mais uma vez o homem
é colocado em xeque frente ao poder e seus tentáculos. Falamos várias vezes
sobre isto, aqui. O poder que ofusca, que ensurdece e emudece. O poder que faz
o que quer e bem entende com o homem a ponto de fazer ele jogar seu nome na
lama.
Quando isso chega às
esferas públicas, a briga fica em uma proporção mais que desigual a partir do
momento que a “cegueira” atinge órgãos que serviriam em tese para fiscalizar
desmandos e garantir a aplicação da ordem e da lei. Estando este mecanismo
corrompido, quem fiscalizará então os ditos fiscais da lei? Para onde correrá o
povo atônito e estonteado?
Foi esse mesmo povo que
testemunhou nos últimos anos uma briga claramente pessoal entre Ministério
Público Estadual e Assembleia Legislativa onde ao MP jamais caberia aceitar a
derrota. A ordem parecia ser “esquartejar” nomes que desagradavam uma força
maior e expor os “pedaços” em praça pública. Assim foi feito montando um circo
estratégico para justificar a investida contra um poder constituído.
A temporada de caça às
bruxas estava aberta e os mocinhos posariam de justiceiros exterminadores da
corrupção. O problema é que não contaram com um detalhe. A informação e sua
velocidade, e mais ainda, a contextualização desta informação.
Os “heróis” salvadores
do Estado tiraram suas máscaras e capas e do cinto de utilidades sacaram
ofertas tentadoras para que um dos “homens bomba” entregasse tudo. Ele, claro,
topou. Em questão estava a venda e um prédio já negociado por R$ 250 mil. Uma
bela quantia, mas que poderia ser facilmente multiplicada. E foi feito. O pior
de tudo, por um promotor que deveria antes de mais nada, abominar tal coisa. De
R$ 250 mil o imóvel saltou para R$ 925 mil, assim, sem remorso. Afinal se faria
de tudo para destroçar o inimigo. Os representantes do órgão que fiscaliza a
lei estavam no meio de uma negociata com dinheiro do MPE.
Quase um milhão de
reais por um prédio... e quanto vale uma reputação? Quanto vale ser olhado com
respeito? Quanto vale ser um homem que não desperta dúvidas? Os honestos por certo
diriam: Não há preço para isso. Já os outros iriam querer conversar sobre
valores.
Interrogações são
muitas e ficarão sem respostas. Mas a maior pergunta nesse contexto, seria:
Quem fiscaliza os fiscais da lei, quando estes precisam de fiscais?
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