sexta-feira, 7 de novembro de 2014

EDITORIAL


Quem fiscaliza os fiscais da lei?

Quanto pode valer a reputação de alguém? Entre os bordões populares está um que diz que cada homem tem seu preço. Pode até ser, mas será que se passou a leiloar caráter? Quanto custaria então, comprar de volta a dignidade que foi vendida? Mais uma vez o homem é colocado em xeque frente ao poder e seus tentáculos. Falamos várias vezes sobre isto, aqui. O poder que ofusca, que ensurdece e emudece. O poder que faz o que quer e bem entende com o homem a ponto de fazer ele jogar seu nome na lama.

Quando isso chega às esferas públicas, a briga fica em uma proporção mais que desigual a partir do momento que a “cegueira” atinge órgãos que serviriam em tese para fiscalizar desmandos e garantir a aplicação da ordem e da lei. Estando este mecanismo corrompido, quem fiscalizará então os ditos fiscais da lei? Para onde correrá o povo atônito e estonteado?

Foi esse mesmo povo que testemunhou nos últimos anos uma briga claramente pessoal entre Ministério Público Estadual e Assembleia Legislativa onde ao MP jamais caberia aceitar a derrota. A ordem parecia ser “esquartejar” nomes que desagradavam uma força maior e expor os “pedaços” em praça pública. Assim foi feito montando um circo estratégico para justificar a investida contra um poder constituído.

A temporada de caça às bruxas estava aberta e os mocinhos posariam de justiceiros exterminadores da corrupção. O problema é que não contaram com um detalhe. A informação e sua velocidade, e mais ainda, a contextualização desta informação.

Os “heróis” salvadores do Estado tiraram suas máscaras e capas e do cinto de utilidades sacaram ofertas tentadoras para que um dos “homens bomba” entregasse tudo. Ele, claro, topou. Em questão estava a venda e um prédio já negociado por R$ 250 mil. Uma bela quantia, mas que poderia ser facilmente multiplicada. E foi feito. O pior de tudo, por um promotor que deveria antes de mais nada, abominar tal coisa. De R$ 250 mil o imóvel saltou para R$ 925 mil, assim, sem remorso. Afinal se faria de tudo para destroçar o inimigo. Os representantes do órgão que fiscaliza a lei estavam no meio de uma negociata com dinheiro do MPE.

Quase um milhão de reais por um prédio... e quanto vale uma reputação? Quanto vale ser olhado com respeito? Quanto vale ser um homem que não desperta dúvidas? Os honestos por certo diriam: Não há preço para isso. Já os outros iriam querer conversar sobre valores.


Interrogações são muitas e ficarão sem respostas. Mas a maior pergunta nesse contexto, seria: Quem fiscaliza os fiscais da lei, quando estes precisam de fiscais? 

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