sexta-feira, 14 de novembro de 2014

EDITORIAL

EDITORIAL

A tragédia chega ao fim

As cortinas estão prestes a se fechar e as luzes serem apagadas. O espetáculo finalmente terminou. Até poderia ter se estendido por mais alguns atos, mas em nada agradou ao público que logo no início lotou as arquibancadas do anfiteatro e ao se dar conta do que foi vendo acabou saindo devagar.
O roteiro foi ruim traduzido em um texto de mal gosto que ora mesclava tragédia e comédia, onde mais dava era vontade de chorar. Não acertaram em nenhum momento as falas. Péssimos atores não decoram textos e quando o fazem, isto soa à mentira. Uma encenação medíocre que demorou a passar, mas passou,
Agora, com a arena vazia, cabe aos atores contemplar o fracasso do teatro vazio. O silêncio serve para muitas coisas, entre elas a análise do que poderia ter sido melhor. O que foi escrito e apresentado tinha tudo para ser um excelente espetáculo. Qual o motivo de não ter sido?
A opção entre tragédia, comédia e drama teria sido acertada para qualquer um destes gêneros, desde que elaborada com um bom roteiro. Conselhos não faltaram, tanto de outros atores e roteiristas experientes, quanto do povo, este sim, quem pode dar a noção do que será escrito. Afinal, é o povo que vai assistir ao espetáculo.
O problema é a vaidade de quem escreve e a obediência de quem encena. Triste fim de um pobre roteiro que já vinha encenado para uma plateia insatisfeita que reclamava das cenas o tempo todo, mas era ignorada e forçada a ver o que não queria.

Daí, em um belo dia, fez a revolução. Destituiu atores do palco, tomou a cena e gritou BASTA!!! Foi seguida por outros insatisfeitos que repetiram o grito que logo virou coro. Então a peça acabou e ao povo coube escrever o último ato, mudando os atores, mudando o desfecho, mudando o gênero. Tragédia não mais, muito menos o drama, e se for comédia que seja em doses pequenas. Neste novo espetáculo, por certeza o que haverá é liberdade para se dizer o que quiser sem a entrada de verdugos em cena. Neste novo espetáculo, o palco vai estar mais claro, sem nuances sombrios. O primeiro ato, deste novo número começa com a palavra esperança.      

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