EDITORIAL
A
tragédia chega ao fim
As
cortinas estão prestes a se fechar e as luzes serem apagadas. O espetáculo
finalmente terminou. Até poderia ter se estendido por mais alguns atos, mas em
nada agradou ao público que logo no início lotou as arquibancadas do anfiteatro
e ao se dar conta do que foi vendo acabou saindo devagar.
O
roteiro foi ruim traduzido em um texto de mal gosto que ora mesclava tragédia e
comédia, onde mais dava era vontade de chorar. Não acertaram em nenhum momento
as falas. Péssimos atores não decoram textos e quando o fazem, isto soa à
mentira. Uma encenação medíocre que demorou a passar, mas passou,
Agora,
com a arena vazia, cabe aos atores contemplar o fracasso do teatro vazio. O
silêncio serve para muitas coisas, entre elas a análise do que poderia ter sido
melhor. O que foi escrito e apresentado tinha tudo para ser um excelente
espetáculo. Qual o motivo de não ter sido?
A
opção entre tragédia, comédia e drama teria sido acertada para qualquer um
destes gêneros, desde que elaborada com um bom roteiro. Conselhos não faltaram,
tanto de outros atores e roteiristas experientes, quanto do povo, este sim,
quem pode dar a noção do que será escrito. Afinal, é o povo que vai assistir ao
espetáculo.
O
problema é a vaidade de quem escreve e a obediência de quem encena. Triste fim
de um pobre roteiro que já vinha encenado para uma plateia insatisfeita que
reclamava das cenas o tempo todo, mas era ignorada e forçada a ver o que não
queria.
Daí,
em um belo dia, fez a revolução. Destituiu atores do palco, tomou a cena e
gritou BASTA!!! Foi seguida por outros insatisfeitos que repetiram o grito que
logo virou coro. Então a peça acabou e ao povo coube escrever o último ato,
mudando os atores, mudando o desfecho, mudando o gênero. Tragédia não mais,
muito menos o drama, e se for comédia que seja em doses pequenas. Neste novo
espetáculo, por certeza o que haverá é liberdade para se dizer o que quiser sem
a entrada de verdugos em cena. Neste novo espetáculo, o palco vai estar mais
claro, sem nuances sombrios. O primeiro ato, deste novo número começa com a
palavra esperança.
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