Ivana Cei e seu time de
procuradores desenvolveu papel de perseguir desafetos da gestão estadual
Da Redação
Um grupo de
procuradores e promotores do Ministério Público do Amapá teve no desastroso
governo de Camilo Capiberibe um papel fundamental, perseguir e tirar do caminho
os desafetos do gestor de plantão e fez isso de forma descarada em maioria das
vezes. Tendo à frente a procuradora geral Ivana Lúcia Franco Cei, escolhida e
reescolhida por Camilo para o cargo, o MPE foi para cima de quem desagradava a
excelência maior do Estado.
Dois exemplos foram os
deputados Moisés Souza (PSC) e Edinho Duarte (PR). A queda de braço resultou no
afastamento de ambos dos cargos de presidente e primeiro secretário respectivamente.
O caso foi para as barras do Supremo Tribunal Federal, que decidiu duas vezes
pelo retorno dos parlamentares aos cargos. A decisão, no entanto, era
interpretada de outra forma pela Justiça local a pedido do MP e reformada. Na
terceira ocasião, o ministro Ricardo Lewandowski decidiu novamente pelo
retorno, desta vez acrescentando que os deputados deveriam permanecer nas
funções até o julgamento do mérito. Mesmo em cólicas a procuradora teve que
acatar a decisão.
O conflito que deixou
claro tons pessoais para a opinião pública começou com Ivana Cei anunciando
investigações a parlamentares. Para muitos, a ordem teria sido dada de “um
degrau mais alto” e obedecida à risca pela procuradora e um grupo escolhido a
dedo por ela. Entre os recrutados estavam Afonso Guimarães, que exercia suas
funções no município de Santana e Adauto Barbosa, conhecido fazedor de versos
ofertados à primeira dama do Amapá, Cláudia Camargo Capiberibe. É dele a
célebre frase “Não procede nada contra a primeira dama”, referindo-se às
gravações de vídeo onde uma pessoa na época ligada ao governo falava que
Cláudia era a mulher forte da gestão capaz de determinar a saída ou permanência
de empresas prestadoras de serviço.
No mesmo período, uma
declaração reconhecida em cartório e atribuída a um ex-assessor direto dela,
fazia acusações ainda mais graves dando conta que Cláudia recebia gordas
propinas. A afirmação de Adauto Barbosa foi feita sem qualquer investigação dos
fatos ou análise das provas.
Voltando ao parlamento
estadual, as investigações de Ivana Cei geraram reação. Moisés Souza anunciou a
criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investigaria o MPE. A
correria foi geral a partir do momento que documentos começaram a ser
divulgados na imprensa. Muitos trazendo a público intrigantes gastos da
instituição com quantidades exageradas de produtos de consumo diário. Mas esta
era apenas a ponta do iceberg. Um levantamento do Tribunal de Contas do Estado
trouxe muito mais à tona. Um dos exemplos mais pontuais foi a compra de um
óculos de sol de uma grife cara e famosa, paga com dinheiro do MP e até café da
manhã e buquê de flores pago com dinheiro público pela bagatela de R$ 350, de
acordo com o Empenho 00278 e a nota fiscal 000252, de novembro de 2011.
A partir daí estava
deflagrada a guerra entre os dois poderes. A estratégia para desmoralizar o
Legislativo e particularmente Moisés e Edinho foi uma operação policial com o
objetivo de apreender documentos que viessem a comprovar algo contra os
parlamentares. Nascia a “Eclésia”, que reuniu um aparato de 130 policiais civis
e 22 delegados, sem falar nas 25 viaturas que desfilaram cinematograficamente
pelas ruas da cidade para cumprir 19 mandados de busca e apreensão para
recolher computadores, notas fiscais, talões de cheque e tudo que fosse capaz
de conter alguma informação. Moisés Souza e Edinho Duarte acabam afastados dos
cargos de presidente e primeiro secretário e Ivana Cei junto a seus
procuradores saboreia uma vitória momentânea.
DELAÇÃO
DESCARADA
No vale tudo adotado por membros do Ministério
Público para nocautear inimigos escolhidos, o time escalado por Ivana Cei
reunindo Eldete Silva Aguiar, Afonso Gomes Guimarães, Adauto Barbosa, André
Luís Dias Araújo e João Paulo de Oliveira Furlan levou uma direta no estômago.
Todos foram denunciados ao Conselho Nacional do Ministério Público com pedido
de afastamento por abuso de poder e grave omissão nos deveres do cargo.
A ação é movida pelos advogados do deputado Edinho
Duarte (PR) e tem 15 páginas que narram fatos classificados como no mínimo
“estranhos” praticados pelos citados. O foco do documento é a compra de um
prédio em loteamento localizado na zona Norte de Macapá. O valor pago pelo
Ministério Público foi de nada menos que R$ 925 mil. O mesmo imóvel chegou a
ser vendido pouco tempo antes por um valor bem menor, R$ 250 mil.
O personagem principal desta transação foi o
contador Marlon da Costa Borges, proprietário do Planetário, uma casa de shows
que funcionou no Loteamento Sol Nascente, tido como irregular. Marlon foi preso
durante a Operação Eclésia, em 2012. Ele fazia serviços de contabilidade e
passaria pouco tempo na condição de réu, pois teria sido visto como uma peça
importante para acusar os deputados. A benesse concedida foi a delação premiada,
instrumento onde a Justiça propõe amenizar acusações no processo e a pena ou
até retirá-las, em troca de informações. Estas, na ocasião, feitas por Marlon
serviram para dar base aos dois processos contra os parlamentares. Ainda
segundo a ação, a delação teria rendido muito mais que a redução das acusações.
De acordo com a ação movida pelo deputado Edinho
Duarte, as informações de Marlon são mentirosas e covardes e teriam sido compradas
por membros do Ministério Público. O objeto da barganha seria a casa de shows
Planetário, localizada na zona Norte, da qual o contador era dono.
O imóvel foi negociado em 1º de setembro de 2013 com
Maria das Graças Aguiar por R$ 250 mil. Dias depois, Marlon procurou a
compradora para desfazer o negócio. Cerca de dois meses depois ele efetua nova
venda, desta vez por um valor 300% maior que o da primeira transação. O
comprador do imóvel localizado em uma área irregular da cidade é ninguém menos
que o Ministério Público Estadual, que pagou a Marlon exatos R$ 925 mil sem qualquer
processo de licitação, concordando ainda com uma supervalorização
estratosférica. A publicação da compra foi feita no Diário Oficial do Estado no
dia 5 de novembro de 2013.
Do ponto de vista jurídico, a compra com total
concordância dos promotores citados é no mínimo ilícita ferindo artigos da Lei
8429/92 (Improbidade Administrativa) e 8.666/93 (Lei das Licitações).
SEM
LIMITES
Os benefícios a Marlon da Costa Borges não pararam
por aí, diz a ação. Além da compra do imóvel localizado em área irregular pelo
MP, o contador teve os bens desbloqueados. O começo de tudo foi no dia 13 de
maio deste ano quando a juíza da 4ª Vara Cível e de Fazenda Pública do Amapá
determinou o afastamento dos cargos e o bloqueio dos bens de todos os supostos
envolvidos na Operação Eclésia. Marlon é um deles juntamente com os deputados
Moisés Souza e Edinho Duarte. No dia 15 do mesmo mês, ele pede o desbloqueio
dos bens em petição simples. O argumento usado foi de que sua conta corrente
era destinada ao recebimento de verba alimentar, ou seja, tratava-se de uma
conta salário. No pedido não existia qualquer comprovação sobre o que foi
alegado para o desbloqueio. O Ministério Público foi provocado a se manifestar
e no dia 19 de maio o promotor Afonso Guimarães foi favorável ao desbloqueio de
bens de Marlon alegando que ele teria contribuído com as investigações.
A juíza, diante da fraca defesa do promotor Afonso
concedeu o desbloqueio da conta de pessoa física do contador. Além disso, três
dias depois, o próprio Ministério Público, com assinatura do promotor Afonso
Guimarães é quem pede o desbloqueio do restante das contas de Marlon da Costa
Borges e o pedido é deferido pela Justiça, por cautela jurídica deveria a
magistrada bloquear ao menos o valor reconhecidamente criminoso por Marlon,
haja vista que o MPE é parte e por prerrogativa pode pedir, mas quem julga é a
juíza e logo tem a obrigação de resguardar o interesse do erário.
O documento que desembarcou na Presidência do
Conselho Nacional do Ministério Público pede, além do afastamento de Ivana
Lúcia Franco Cei, Eldete Silva Aguiar, Afonso Gomes Guimarães, André Luís Dias
Araújo e João Paulo de Oliveira Furlan, uma investigação urgente sobre os
fatos.
Enquanto isso, o Ministério Público Estadual do
Amapá é uma festa com direito a auxílio moradia, indenizações de férias e
pagamentos de vantagens a promotores e procuradores.









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