Chikungunya no Oiapoque e os dilemas de um território esquecido
Autor: José Alberto
Tostes
Nos últimos dez anos, um dos lugares
mais estudados, tem sido o município de Oiapoque e a cidade de Oiapoque,
diversos foram os temas abordados com a finalidade de despertar em todos os
setores da sociedade a preocupação com este lugar. Sempre ouvi da população na
cidade de Oiapoque que as autoridades nunca deram a atenção adequada a esta
área de fronteira. O que teria acontecido com Oiapoque para ficar em um plano
tão secundário? É para refletir, que fatores têm sido determinantes para
ocasionar tais condições?
Neste artigo, vamos destacar alguns
pontos nos quais acredito que contribuíram de forma decisiva para esta
condição, entre os temas que vamos destacar estão os seguintes: o primeiro está
relacionado ao caráter físico territorial, de todos os municípios do estado do
Amapá, é o mais distante com quase 600 km em relação a capital Macapá; segundo
aspecto, o acesso rodoviário, a BR 156 vem se arrastando por décadas,
concretização final da pavimentação é de uma distância razoável, se levar em
conta que o total da distância é inferior a muitas outras estradas federais no
Brasil; um terceiro item de análise é a questão política no município de
Oiapoque.
Os conflitos sempre foram evidentes,
tem sido regra a população decidir em escolher os homens públicos oriundos dos
setores originários das atividades de garimpos, nada contra, ou qualquer
preconceito estabelecido, porém, verifica-se que os últimos prefeitos eleitos
sempre tiveram uma visão limitada da administração pública, o que poderia ser
superado com a montagem de equipes com bons técnicos, sempre foi utilizado sem
nenhum rigor ou critério técnico, tal fato, contribuiu para que o município não
tivesse uma perspectiva de futuro em relação ao planejamento e gestão do seu
território.
Para agravar a situação, sucessivos
governos estaduais e federais não deram a atenção devida a um lugar que
representa a soberania nacional, quase sempre, quando se dá alguma noticia
sobre o município ou cidade de Oiapoque, é relativa a fatos negativos. Neste
período de 10 anos realizando pesquisas neste município, acompanhamos diversos
episódios que ilustram este cenário, tais circunstâncias, envolvem todas as
esferas de poder, além de diversos segmentos da sociedade, se não vejamos, em
10 anos, BR não foi concluído, o processo de crise na fronteira aumentou com os
elevados índices de clandestinos na Guiana Francesa; o endurecimento do governo
francês no combate a clandestinidade, inclusive com o deporte humilhante de
brasileiros, colocados nus em navios de carga; o aumento da prostituição
aumentando de forma expressiva as enfermidades e outras adversidades, como a
dependência da economia local desta atividade.
Os projetos e planos pensados para
Oiapoque não vingam, os fatores estão diretamente correlacionados sobre a forma
como a fronteira é vista na região norte do Brasil, mas principalmente a
maneira como os governos estaduais tratam este lugar, com profunda indiferença.
Para citar alguns exemplos: O Plano de Desenvolvimento Urbano idealizado pelo
IBAM em 1988 e 1989, nada foi aproveitado; o Plano de Gestão Urbana concebido
em 2002, feito com a finalidade de auxiliar de imediato a cidade de Oiapoque
fracassou por não encontrar nos gestores municipais o eco necessário para
realiza-lo; o Plano Diretor Participativo iniciado em dezembro de 2005,
atravessou 03 administrações municipais, sem, entretanto, ter sido concluído
pela visão tacanha de gestores municipais e pela falta total de apoio dos
governadores; o Plano Municipal de Saneamento Básico, com recursos destinados
para a Prefeitura, nada foi materializado, e ainda apresentando desvios de
recursos comprometendo os gestores municipais, além de todos estes planos e
projetos citados, tem a orla e a praça pública que não foram concluídas, por
conta de superfaturamento e desvios de recursos públicos. Para concluir esta
parte, o governo atual iniciou a perspectiva de elaborar um Plano de
Desenvolvimento, algo apenas no plano abstrato, sem ter metas definidas sobre o
que seria isso de fato para a área de fronteira.
Por todo este conjunto de coisas, tudo
que ocorre de negativo para o estado do Amapá, sempre acontece a partir do
Oiapoque, o episódio mais recente é a enfermidade da Chikungunya,
o nome é tão difícil que talvez nem esteja correto o termo, mas de acordo com
relatos de pessoas que já contrariam a doença, é bem adversa, até outro dia, o
município não médico, e o que tinha, alertava para as condições precárias dos
trabalhos na cidade e nas aldeias indígenas.
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