sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Pioneiro

Pioneiro



“Foi da mesa do carteado, jogado nos finais de semana na sede do Amapá Clube, que junto com Amujacy, Jarbas Gato, Zé Maria Frota e Aderbal Lacerda, saíram em uma manhã do carnaval de 1965, fantasiados com roupas, perucas e maquiagens das esposas para as ruas do centro de Macapá, ali nascia o maior bloco de sujos do Norte: A BANDA”. Tica Lemos (filha)


Altair Cavalcante Lemos, funcionário público, boêmio e brincante de carnaval de rua.


Reinaldo Coelho

Vamos reviver a alegria da Avenida dos sonhos, dos festejos hilariantes, da vida delirante, dos amores intermináveis! O espaço boêmio, carnavalesco, que nas décadas de 30 e 40 era composto por seus casebres e cortiços, seus botecos, suas casas de batuque, suas rodas de samba, seus blocos e cordões, vai ganhar um novo colorido com a chegada dos Blocos de Sujos.


Vamos nos contaminar com as raízes da cultura popular amapaense e levar a alegria de se brincar desde a Praça da Bandeira e  descer as Rua Cândido Mendes, Feliciano Coelho, Leopoldo Machado e retornar à Avenida FAB, pois esse era o percurso do maior Bloco de Sujo do Norte do Brasil, a BANDA.

Percorremos o local várias vezes para conversarmos com alguns moradores antigos que viveram um carnaval de rua vibrante naquela região. Lembranças felizes que pudemos reviver. Não com o saudosismo vazio repetitivo, mas com a plenitude do rufar dos tambores, dos urros dos trombones e centenas de pessoas a brincar esse era a Macapá antiga.






E nesta edição estaremos trazendo um dos fundadores, e porquê  não dizer o fundador desse bloco carnavalesco. 
Estamos falando de Altair Cavalcante Lemos, que nasceu em 11 de janeiro de 1932, em Macapá. Filho de Cícero Lemos e Carmosina Cavalcante Lemos, primeira mulher a ser Tabeliã no Cartório Jucá. 

E quem nos forneceu essas informações foi sua filha a Jornalista e Carnavalesca (teve a quem puxar) Tica Lemos.
Ela conta que seu pai Altair Lemos teve dois irmãos, Altamir e Maria da Consolação, já falecidos.
Sempre dedicado aos esportes, ALTAIR estudou no Colégio Amapaense (CA), por quem defendeu as cores da escola como jogador de basquete. Na quadra se destacava pela altura, tinha 1m85 e muita habilidade com a bola. Foi campeão pelo CA em várias edições dos jogos escolares.



Seu primeiro emprego "oficial", foi no Governo Territorial, no SAGRE - Serviço de Administração Geral . Lá desenvolveu várias atividades e formou, junto com os amigos da "repartição", um time de basquete que era a sensação das quadras. Onde o Time da Estatística jogava, a presença feminina era dominante.

Altair trabalhou ainda na Prefeitura de Macapá, no setor de Finanças. Nessa época, junto com alguns amigos do trabalho e do carteado, criaram a TURMA DO BURACO, uma espécie de ambientalistas da época. Foram eles que plantaram as primeiras mangueiras no centro de Macapá. 
Fizeram a arborização da Praça do Barão do Rio Branco, avenidas Presidente Vargas, Mendonça Furtado, Iracema Carvão Nunes, entre outras. 

Ainda com o gás da juventude Altair trabalhou no Sindicato dos Conferentes, onde atuava como fiscalizador nos navios que levam Manganês do Porto de Santana.
Nosso pioneiro era torcedor do Leão da Avenida FAB, o azul e branco Esporte Clube Macapá. No time do Macapá, Altair jogou como goleiro por diversas temporadas. Essa paixão pelo Macapá, atravessou para o Clube do Remo, em Belém.
Mas como nem só de trabalho vive o homem, Altair também gostava de jogar baralho com os amigos. 

Foi da mesa do carteado, jogado nos finais de semana na sede do Amapá Clube, que junto com Amujacy, Jarbas Gato, Zé Maria Frota e Aderbal Lacerda, saíram em uma manhã do carnaval de 1965, fantasiados com roupas, perucas e maquiagens das esposas para as ruas do centro de Macapá. 

Altair,Agostinho,Amaujacy,Lele e Andorinha
Com uma enorme faixa escrito BLOCO DOS INOCENTES, os amigos barbarizaram a terça-feira gorda e chamaram a atenção por onde passavam. Em 1964, os mesmos amigos "INOCENTES" criaram o Bloco A BANDA. 

Por seu porte físico, ALTAIR foi coroado como o REI MOMO DO CARNAVAL. O 1º na história do carnaval amapaense, diga-se.
Como bom boemista, ALTAIR gostava de festas e criou uma banda de música, onde tocava bateria usando o pseudônimo de "Roberto". Tocava nos bailes da Assembleia.

Em maio de 1954, ALTAIR se casou com Graça Lemos, com quem teve cinco filhos: Nilton Mauro, Paulo Cezar, Antonio Sérgio, Gláucia Maria e Tica Lemos. Paulo Cezar, conhecido como Paulão que também brilhou nas quadras como jogador de basquete, faleceu em junho de 2002.


família do Altair. Em pé Paulão, Mauro e mamãe, ainda luto. Agachados, tipo atletas rsrsr, Antonio Sérgio, o Japão, Tica Lemos e Gláucia Maria..
Em dezembro de 1969, ALTAIR sofreu um infarte. Foi levado para Belém, mas na tarde do dia 28 de dezembro, não resistiu a uma parada cardíaca e faleceu, aos 37 anos. Em dezembro de 2014, completa 45 anos que partiu pra morada eterna.


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