Onde se
escondiam, antes de eclodir?
Toda vez
que escrevo para esta coluna no jornal, ainda que a temática seja bem pessoal,
tento de toda forma transformar minhas experiências de vida ou motivos de
inspiração em uma reflexão mais ou menos universal, um material que possa ser
lido, e, quem sabe, com alguma esperança, até gostado por todos os que me
acompanham por aqui.
Dessa
vez, porém, quero abrir uma lacuna e me tornar mais pessoal; tirar um tempo
para me maravilhar diante de algumas coisas que me aconteceram ao longo desse
ano de 2014, ano que começa a se despedir... Não sei se aconteceu com todos -
muito provavelmente não - esse ano se mostrar tão louco, mirabolante,
indefinível, renovador. Não sei se foi com tudo, não sei se foi com poucos. Mas
mesmo assim compartilho.
Vi de
repente minha vida muito mudada. Eu vinha seguindo num ritmo, numa batida, o
mesmo padrão. Mas, de uma hora para hora, em algum momento deste ano, as coisas
foram destrambelhando, alucinando, aquecendo. Se de modo bom ou ruim, nem sei.
Sei é que a vida mudou. Vida que era tão pacífica experimentou doses de
reviravoltas.
Ainda sou
eu, embora saiba que o mundo se movimenta e as circunstâncias nunca permanecem
as mesmas. Tenho percebido isto. São essas mudanças. Nem sei colocar em palavras.
Pequenas coisas que se tornam impactantes.
E me
pergunto: com vocês também foi assim, vocês, que me leem? Também acham graça
nessa curiosidade da vida, que não se avisa quando vai se mutar?Eu acho. Acho
graça nessas mudanças que não se anunciam, vêm tão repentinas... Tenho um pouco
de medo também. Pessoas que se vão, ciclos que se encerram, desafios que se
acirram... Vocês também já experimentaram essas mudanças todas de uma vez só?
Estão experimentando? É, afinal, uma coisa universal?
Descrevo
o sentimento assim: você está lá, vivendo sua vida tranquila e calmamente, e,
de repente, fatores, circunstâncias, pessoas, anseios, situações..., tudo isso
em cadeia, associados profundamente, começam a ebulir. Você é sacudido de
surpresa, e, quando se dá conta, nada está como antes...
Quem já
sentiu? É o que experimento agora. Um horizonte novo que se anuncia no futuro,
e não sei bem o que é que ele me diz.
Desse
modo, enfim, quero este momento para me maravilhar com a paspalhice nossa, essa
nossa falta de percepção ao não nos darmos conta de que a vida corre, corre,
corre... Mesmo quando a gente não percebe, lá estão todas as mudanças,
prontinhas para explodirem. Mas o que havia antes? Era uma falsa sensação de
comodidade? Ou a vida tem mesmo esses "turning points" drásticos e
desavisados?
Nada de
trágico aconteceu em minha vida, ao contrário do que possa estar parecendo. Mas
o que surgem são novas percepções, alguns baques leves, surpresas, pressões...
Isso tudo começa a fluir com tanto furor que quase amedronta, para além do
instigamento.
Mas, vai
ver, a vida é assim mesmo, sempre: mudança, mudança. Mudança a toda hora. A
diferença, o decisivo é a gente estar mais ou menos disposto a enxergá-las, a
aceitá-las, ou confrontá-las, não sei... Às vezes, nos distraímos, não vemos a
roda girar... Depois ela nos puxa pelo pé, nos arrasta. Está feito.
Não, não
sei bem como é que esse mundo de mudanças se instaura, ou quando, ou como o
percebemos. O que sei é que 2014 vai deixando em mim um gosto engraçado, curioso,
um tanto afoito.
Acordo
para a vida como quem acordaria para a aula às seis e meia, e se dá conta de
que já são sete horas! Mas o dia ainda está prontinho para ser vivido... Dá
tempo. Não desprezar ou temer demais as mudanças, porém seguir no caminho
seguro. Este deve ser o segredo para se enfrentar o que virá.
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