sexta-feira, 28 de novembro de 2014

ANTENADOS

BARBARA COSTA


Onde se escondiam, antes de eclodir?

Toda vez que escrevo para esta coluna no jornal, ainda que a temática seja bem pessoal, tento de toda forma transformar minhas experiências de vida ou motivos de inspiração em uma reflexão mais ou menos universal, um material que possa ser lido, e, quem sabe, com alguma esperança, até gostado por todos os que me acompanham por aqui.

Dessa vez, porém, quero abrir uma lacuna e me tornar mais pessoal; tirar um tempo para me maravilhar diante de algumas coisas que me aconteceram ao longo desse ano de 2014, ano que começa a se despedir... Não sei se aconteceu com todos -  muito provavelmente não - esse ano se mostrar tão louco, mirabolante, indefinível, renovador. Não sei se foi com tudo, não sei se foi com poucos. Mas mesmo assim compartilho.

Vi de repente minha vida muito mudada. Eu vinha seguindo num ritmo, numa batida, o mesmo padrão. Mas, de uma hora para hora, em algum momento deste ano, as coisas foram destrambelhando, alucinando, aquecendo. Se de modo bom ou ruim, nem sei. Sei é que a vida mudou. Vida que era tão pacífica experimentou doses de reviravoltas.

Ainda sou eu, embora saiba que o mundo se movimenta e as circunstâncias nunca permanecem as mesmas. Tenho percebido isto. São essas mudanças. Nem sei colocar em palavras. Pequenas coisas que se tornam impactantes.
E me pergunto: com vocês também foi assim, vocês, que me leem? Também acham graça nessa curiosidade da vida, que não se avisa quando vai se mutar?Eu acho. Acho graça nessas mudanças que não se anunciam, vêm tão repentinas... Tenho um pouco de medo também. Pessoas que se vão, ciclos que se encerram, desafios que se acirram... Vocês também já experimentaram essas mudanças todas de uma vez só? Estão experimentando? É, afinal, uma coisa universal?

Descrevo o sentimento assim: você está lá, vivendo sua vida tranquila e calmamente, e, de repente, fatores, circunstâncias, pessoas, anseios, situações..., tudo isso em cadeia, associados profundamente, começam a ebulir. Você é sacudido de surpresa, e, quando se dá conta, nada está como  antes...
Quem já sentiu? É o que experimento agora. Um horizonte novo que se anuncia no futuro, e não sei bem o que é que ele me diz.

Desse modo, enfim, quero este momento para me maravilhar com a paspalhice nossa, essa nossa falta de percepção ao não nos darmos conta de que a vida corre, corre, corre... Mesmo quando a gente não percebe, lá estão todas as mudanças, prontinhas para explodirem. Mas o que havia antes? Era uma falsa sensação de comodidade? Ou a vida tem mesmo esses "turning points" drásticos e desavisados?

Nada de trágico aconteceu em minha vida, ao contrário do que possa estar parecendo. Mas o que surgem são novas percepções, alguns baques leves, surpresas, pressões... Isso tudo começa a fluir com tanto furor que quase amedronta, para além do instigamento. 

Mas, vai ver, a vida é assim mesmo, sempre: mudança, mudança. Mudança a toda hora. A diferença, o decisivo é a gente estar mais ou menos disposto a enxergá-las, a aceitá-las, ou confrontá-las, não sei... Às vezes, nos distraímos, não vemos a roda girar... Depois ela nos puxa pelo pé, nos arrasta. Está feito.  

Não, não sei bem como é que esse mundo de mudanças se instaura, ou quando, ou como o percebemos. O que sei é que 2014 vai deixando em mim um gosto engraçado, curioso, um tanto afoito. 

Acordo para a vida como quem acordaria para a aula às seis e meia, e se dá conta de que já são sete horas! Mas o dia ainda está prontinho para ser vivido... Dá tempo. Não desprezar ou temer demais as mudanças, porém seguir no caminho seguro. Este deve ser o segredo para se enfrentar o que virá.


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