quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

José Alberto Tostes





De boas intenções o inferno está cheio
Autor: José Alberto Tostes

          Com a proximidade do final do ano de 2014, cresce a especulação sobre o ano de 2015, afinal no Amapá e no Brasil, “novos e velhos” governos irão assumir por um período de quatro anos, sempre fica a esperança por dias melhores, o brasileiro é assim deposita a sua confiança muito mais que a possibilidade de que possa participar de forma mais efetiva não somente elegendo os gestores, mas também contribuindo ao longo do mandato através dos diversos setores classistas ou até mesmo como simples cidadão.
         No cenário nacional, a Presidenta Dilma terá uma árdua missão, tentar colocar nos trilhos um governo recheado de denuncias generalizadas, a promessa após ter sido eleita, é de iniciar junto ao Congresso Nacional a Reforma Política, algo importante, necessário, mas sempre postergado por conta dos múltiplos interesses políticos e econômicos, creio que esta medida se vier já vem tarde. O resultado do último pleito deixou claro que o país precisa de mudanças radicais, visa dar mais celeridade e transparência em todos os setores do Brasil.
         Caso não ocorram as ações prometidas é o próximo governo será um governo “novo” que começa “velho”, algo que poderá ocasionar muitos degastes e embates políticos com setores da sociedade e com o próprio Congresso Nacional. Em quaisquer pais civilizado, casos como este que ocorreu com a Petrobras, autoridade maior já teria sido afastada do cargo, Fernando Collor por muito menos que isso, teve os direitos políticos cassado e afastado sumariamente do cargo, será fundamental a mudança de atitude em relação aos tristes episódios de um Brasil completamente contaminado pela corrupção nas mais diversas esferas.
          No cenário local, a situação se apresenta com enormes expectativas, fato motivado pelo recente passado que envolveu o governador eleito em denuncias pelo poder público. Neste caso, será importante considerar que a história não pode se repetir de forma desfavorável para um mesmo lado. O governador eleito terá a grande oportunidade de demonstrar o que o Amapá precisa para o futuro. A sociedade de alguma forma está farta de ver o Amapá constantemente na mídia nacional com a divulgação de fatos lamentáveis em relação a questão de mau uso de recursos públicos e as mirabolantes operações da Policia Federal.
          O que se espera dos eleitos, tanto no contexto nacional como no âmbito local, é o comprometimento com as questões defendidas no pleito eleitoral, de respeitar o eleitor, principalmente a sociedade. Os eleitos não serão gestores apenas do universo que os elegeu, mas de toda a sociedade. No caso do Amapá, as brigas intermináveis entre os governadores e prefeitos tem prejudicado o desenvolvimento dos municípios, prega-se historicamente o discurso da democracia de que não haverá retaliações, entretanto na prática não é que acontece.
O governador não consegue fiscalizar tudo, para isso existe o grupo de gestores de primeiro e segundo escalão, neste quesito reside um dos maiores problemas brasileiro. Os compromissos de campanha e os laços de tantas alianças quase sempre deixam o mandatário “amarrado” em cumprir o que foi acordado, até aí, tudo bem, o problema está em que vai ocupar funções estratégicas, na maioria das vezes pessoas sem a qualificação necessária para assumir. O Brasil tem pagado um preço elevado por este cenário institucional completamente perneta, tudo conspira para dar errado.
           O próximo governo do Amapá terá que ter a sabedoria necessária para oportunizar o desenvolvimento do Amapá. As causas dos problemas estruturais do Amapá já são conhecidas, porém deve-se ressaltar a incapacidade administrativa ao longo de décadas para se avançar em temas que são vitais para avançarmos em outra direção, um destes temas é a BR 156. Neste ano de 2014, foi veiculado em uma reportagem nacional sobre a BR 156 no Amapá, décadas de ostracismo, desvios de recursos, incapacidade para lidar com as adversidades contribuíram para fazer esta BR federal a mais incompleta do Brasil. Outro imbróglio é a famigerada ponte binacional, com quase dois anos de inaugurada esta ponte neste momento não serve para nada, somente para compor a paisagem entre o Oiapoque e Saint George na Guiana Francesa.

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