SÁVIO PINTO
Presidente Adepol-AP
A política do enxugar gelo,
O
maior e mais forte de todos os vetores da violência urbana (e por que não dizer
até rural, agora!) do nosso Brasil, sem dúvida alguma, não titubeio em afirmar,
é a mega indústria transnacional do tráfico ilícito de drogas, principalmente
de cocaína (e seus subprodutos) e maconha, mas aí também entram outras
substâncias entorpecentes como o haxixe, heroína, êxtase etc. Essa bilionária
indústria mundial, que entra facilmente nas nossas desguarnecidas fronteiras de
forma avassaladora, tanto para o consumo interno, como de passagem para Europa,
E.U.A., Japão e o resto do mundo (como rota) é sem dúvida alguma a grande
locomotiva da nossa violência social.
Nesse
sentido, é de vital importância conhecermos a exata dimensão desse nosso colossal
problema criminológico para que possamos dar os passos certos no sentido de
minimizar (jamais estancaremos por completo, sejamos sinceros!) os efeitos
dessa poderosa locomotiva (tráfico de drogas) que arrasta milhares de jovens e
adultos (afora os adolescentes) pelos vagões do latrocínio, roubo, furto,
homicídio, estupro e tantos outros crimes sangrentos que atormentam
diuturnamente a vida de milhões de brasileiros, ricos e pobres, de grandes e
pequenas cidades.
Nossa
posição geográfica e a extensão gigantesca de nossas fronteiras, secas (15.719
Km) e molhadas (7.367 km - aproximadamente), aliadas ao absoluto descaso e
desinteresse do governo federal em efetivamente ocupar e vigiar essa imensidão
territorial ou de ajudar os estados fronteiriços nessa tarefa, ajudam a tornar
a luta diária da Polícia brasileira, seja a preventiva (PM, PRF), seja a
repressiva (PCs e PF), numa luta inglória, ou naquilo que o jargão policial
costuma chamar de ENXUGAR GELO.
Junto
a tudo isso, vejam o cenário, somos vizinhos dos três maiores produtores
mundiais de cocaína (Venezuela com....; Bolívia com.... e Colômbia com...) e do
maior produtor mundial de maconha (Paraguai, com x toneladas). Além de todos
esses componentes explosivos, nossa política diplomática, as nossas relações
internacionais com os países vizinhos produtores de entorpecentes é
excessivamente ideologizada e por essa razão pratica uma “política da boa
vizinhança baseada na frouxidão” e na condescendência.
Há
outras enormes deturpações internas (norteadas por interesses escusos) que vão
aprofundando ainda mais a chaga, como por exemplo a nomeação de políticos (e
não de técnicos) para as secretarias de segurança dos estados, via de regra
amadores, desvio de funções de policiais civis e militares, que ao invés de
estarem prestando serviços ou nas delegacias investigando delitos ou nas ruas
fazendo a segurança ostensiva de TODOS, prestam-se a servir (não só como
seguranças particulares, mas para toda sorte de outras funções, muitas
nebulosas) a castas de agentes públicos privilegiadíssimos. Falta também,
completamente, políticas públicas de inserção de jovens e adolescentes no
mercado de trabalho, em atividades esportivas, para retirar das garras dos
sedutores traficantes a cooptação desses milhares de soldados.
Essa
é, em síntese, a face do nosso problema criminal. Quais as ações a serem
desencadeadas para mudar um pouco esse trágico rumo? Na próxima semana a gente
fala!
Nenhum comentário:
Postar um comentário