quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

pensando bem, o direito







SÁVIO PINTO
Presidente Adepol-AP



A política do enxugar gelo,
O maior e mais forte de todos os vetores da violência urbana (e por que não dizer até rural, agora!) do nosso Brasil, sem dúvida alguma, não titubeio em afirmar, é a mega indústria transnacional do tráfico ilícito de drogas, principalmente de cocaína (e seus subprodutos) e maconha, mas aí também entram outras substâncias entorpecentes como o haxixe, heroína, êxtase etc. Essa bilionária indústria mundial, que entra facilmente nas nossas desguarnecidas fronteiras de forma avassaladora, tanto para o consumo interno, como de passagem para Europa, E.U.A., Japão e o resto do mundo (como rota) é sem dúvida alguma a grande locomotiva da nossa violência social.
Nesse sentido, é de vital importância conhecermos a exata dimensão desse nosso colossal problema criminológico para que possamos dar os passos certos no sentido de minimizar (jamais estancaremos por completo, sejamos sinceros!) os efeitos dessa poderosa locomotiva (tráfico de drogas) que arrasta milhares de jovens e adultos (afora os adolescentes) pelos vagões do latrocínio, roubo, furto, homicídio, estupro e tantos outros crimes sangrentos que atormentam diuturnamente a vida de milhões de brasileiros, ricos e pobres, de grandes e pequenas cidades.
Nossa posição geográfica e a extensão gigantesca de nossas fronteiras, secas (15.719 Km) e molhadas (7.367 km - aproximadamente), aliadas ao absoluto descaso e desinteresse do governo federal em efetivamente ocupar e vigiar essa imensidão territorial ou de ajudar os estados fronteiriços nessa tarefa, ajudam a tornar a luta diária da Polícia brasileira, seja a preventiva (PM, PRF), seja a repressiva (PCs e PF), numa luta inglória, ou naquilo que o jargão policial costuma chamar de ENXUGAR GELO.
Junto a tudo isso, vejam o cenário, somos vizinhos dos três maiores produtores mundiais de cocaína (Venezuela com....; Bolívia com.... e Colômbia com...) e do maior produtor mundial de maconha (Paraguai, com x toneladas). Além de todos esses componentes explosivos, nossa política diplomática, as nossas relações internacionais com os países vizinhos produtores de entorpecentes é excessivamente ideologizada e por essa razão pratica uma “política da boa vizinhança baseada na frouxidão” e na condescendência.
Há outras enormes deturpações internas (norteadas por interesses escusos) que vão aprofundando ainda mais a chaga, como por exemplo a nomeação de políticos (e não de técnicos) para as secretarias de segurança dos estados, via de regra amadores, desvio de funções de policiais civis e militares, que ao invés de estarem prestando serviços ou nas delegacias investigando delitos ou nas ruas fazendo a segurança ostensiva de TODOS, prestam-se a servir (não só como seguranças particulares, mas para toda sorte de outras funções, muitas nebulosas) a castas de agentes públicos privilegiadíssimos. Falta também, completamente, políticas públicas de inserção de jovens e adolescentes no mercado de trabalho, em atividades esportivas, para retirar das garras dos sedutores traficantes a cooptação desses milhares de soldados.
Essa é, em síntese, a face do nosso problema criminal. Quais as ações a serem desencadeadas para mudar um pouco esse trágico rumo? Na próxima semana a gente fala!

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