Visitas do governador Waldez deixam pacientes confiantes: Hospital de
Emergências não é mais “depósito de gente”
Da Redação
A saúde no Amapá começa a deixar a “UTI” e dar sinais de vida depois de
quatro anos de piora. Na quinta-feira (19), o governador Waldez Góes fez a
segunda visita às unidades administradas pelo Estado. A situação já foi bem
diferente daquela encontrada em janeiro logo após a mudança da gestão. Apesar
de encontrar mudanças positivas, alguns problemas ainda persistem como consequência
de quatro anos de abandono.
A
comitiva do governo começou a visita pelo Hospital de Emergências. Lá, um dos
pontos notados foi a redução de pacientes nos corredores. O governador lembrou
que durante a primeira visita foi observado um grande número de pessoas nesta
condição. "Antes observamos muitas pessoas nos corredores do hospital.
Agora, os corredores estão vazios e isso é prova do empenho da saúde
estadual", disse Waldez.
Ainda avaliando a visita, o governador considerou que os avanços
ocorreram graças aos esforços do estado em priorizar o setor. O primeiro passo,
segundo Góes, foi declarar estado de emergência para dar mais agilidade aos
processos de aquisição de medicação e equipamentos. A partir daí foi possível
fazer voltar a funcionar procedimentos parados há meses e anos, como é o caso
da endoscopia e colonospia reativados há duas semanas.
O
secretário Pedro Leite também comentou melhorias, mas, falou de problemas e
desafios. Entre eles o pagamento de fornecedores e servidores deixado em
pendência pela gestão anterior. Outro aspecto citado pelo secretário foi a
reestruturação e modernização dos hospitais, considerando que o governo passado
não concluiu nenhuma obra.
Já pelo
lado positivo o secretário enfatizou a diminuição das filas para cirurgias
ortopédicas que no ano passado resultaram em protestos de pacientes que foram
para a rua em frente ao Hospital de Emergências interromper o trânsito para
chamar atenção das autoridades. Foram três manifestações. 127 pacientes esperavam
pelos procedimentos há meses sem qualquer satisfação de quando ocorreriam.
Hoje, segundo Pedro Leite, somente 27 estão na fila. A saída foi renegociar um
convênio com o Hospital São Camilo, que havia deixado de atender por falta de
pagamento.
Na
Maternidade Mãe Luzia, os problemas enfrentados são a falta de estrutura e
pessoal. A situação acaba prejudicando os atendimentos, que são muitos. Entre
pacientes da capital e dos outros 15 municípios e ilhas paraenses, o número de
partos diários fica entre 25 a 30 partos.
A solução
para desafogar a unidade, segundo o secretário Pedro Leite será a entrega da Maternidade
da Zona Norte, projetada para atender a demanda de partos normais e de alto
risco, juntamente com a Mãe Luzia. Ele informou que a obra já está licitada e
sendo encaminhada para conclusão.
Na opinião do secretário, a abertura do
orçamento da pasta vai garantir mais melhorias no sistema de saúde do Amapá. Entre
as prioridades está o pagamento de atrasos com servidores e fornecedores
responsáveis pelo abastecimento dos hospitais.
O secretário ainda falou da liberação de R$ 30 milhões pela bancada federal que serão usados na rede pública. As prioridades serão oncologia e ortopedia.
O secretário ainda falou da liberação de R$ 30 milhões pela bancada federal que serão usados na rede pública. As prioridades serão oncologia e ortopedia.
AMARGAS LEMBRANÇAS
Em um passado recente, vistorias feitas pelo Conselho Regional de
Medicina do Amapá e Sindicato dos Médicos do Amapá, no mesmo Hospital de
Emergências visitado pelo governador Waldez Góes, deixaram a opinião pública
chocada.
O fato mais impressionante foi o atendimento improvisado feito a um
paciente no chão do hospital. Médicos e enfermeiros tentavam reanimar o homem
que teve uma parada cardíaca no chão da UTI semi-intensiva onde macas eram
usadas como leitos e todas estavam ocupadas. O paciente acabou morrendo.
Naquela época, o aspecto dos corredores era dos piores. Todo espaço era
utilizado como leito e pessoas eram amontoadas.
A equipe do CRM flagrou inúmeras irregularidades, entre elas a
superlotação e falta de equipamentos. Na época, o vice-presidente do
Sindmed-AP, Joel Brito, disse que a situação do HE chegava a ser desumana.
Hoje, menos de dois meses após a mudança de gestão, o hospital perdeu o
aspecto de praça de guerra e os corredores não abrigam mais pacientes
amontoados. De acordo com o governador e o secretário de Saúde, as melhorias
ficarão ainda mais visíveis nos próximos meses. A pergunta feita por vários
pacientes durante a visita foi a razão de nada ter sido feito para melhorar. A
resposta foi dada por eles mesmos: falta de competência e comprometimento
demonstrados todos os dias ao longo de quatro anos.


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