sábado, 11 de abril de 2015

IJOMA





Tratamento do câncer por imunoterapia ainda gera diversas incertezas.



Não há dúvidas de que a imunoterapia veio para ocupar um lugar de honra no combate ao câncer — ao lado da tríade cirurgia, radioterapia e quimioterapia —, mas muitas incertezas ainda cercam a nova estratégia de tratamento. Uma das questões que aguardam resposta é o motivo para a terapia oferecer resultados espetaculares em alguns pacientes e não dar resultado nenhum em outros.

Carlos Barrios, professor da PUCRS e diretor do Instituto do Câncer do Mãe de Deus, observa que, em muitos dos estudos feitos até o momento, as medicações têm beneficiado apenas de 20% a 30% dos pacientes.

De 30% a 60% dos casos de câncer poderiam ser evitados com uma boa alimentação
— O fato de que agora temos pacientes que respondem é entusiasmante, porque antes não tínhamos opções nesses tipos de câncer. Mas ainda não é em todos os casos — diz Barrios.

Uma via promissora para melhorar o alcance do tratamento é usar mais de um imunoterápico ao mesmo tempo. Segundo Barrios, em alguns estudos onde dois medicamentos foram ministrados em conjunto, as taxas de sucesso aumentaram dramaticamente, batendo nos 80% — e isso em doenças de estágio avançado, em que nenhum outro tipo de terapia funcionou. O certo é que, para ampliar o sucesso da nova terapia, ainda é preciso aprofundar muito a pesquisa sobre a interação entre sistema imunológico e câncer.

— Existem muitas proteínas e receptores envolvidos no processo. Não sabemos qual é o papel de cada um, como bloquear certas proteínas e que proteínas devem ser bloqueadas. Há muito a evoluir — relata o oncologista André Fay.

Outra dúvida diz respeito ao tipos de tumor que poderão ser beneficiados pela imunoterapia. Já há aprovação de drogas para tratar o melanoma e o câncer de pulmão. Mas não existe certeza do quanto a lista pode se ampliar. No Hospital São Lucas, por exemplo, Barrios testa as novas drogas em pacientes com câncer de pulmão, bexiga, melanoma, estômago e rim. São tumores que, em estudos mundo afora, têm respondido muito bem à nova técnica.

— A imunoterapia deve funcionar nos tumores que têm alguma relação com o sistema imunológico. Aparentemente, beneficiam-se os tumores que têm uma taxa maior de mutação genética, porque se tornam um alvo mais fácil para o sistema imunológico — diz Barrios.

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