“Com a pista pronta, pretendemos realizar uma
minimaratona no ‘Meio do Mundo’, pois a chegada será na linha imaginária do
Equador. Estamos vendendo essa marca para o Brasil e deveremos ter atletas de
todas as unidades federativas. Contaremos com a presença do Ministro dos
Esportes para inauguração”. Edinoelson Trindade Secretário
Estadual de Desporto e Lazer
Se o
esporte amapaense já atravessava uma boa fase, com a conquista de títulos
importantes, em todas as modalidades dentro e fora do estado, sem o apoio do
poder público na gestão anterior, agora a perspectiva é de que a fase melhore.
Conversamos com o titular da pasta, Edinoelson Trindade, que nas suas primeiras entrevistas demonstrou ser
conhecedor dos problemas e das virtudes que envolvem o esporte amapaense e,
disse que, juntamente com a sua equipe de trabalho fará o possível para
dinamizar ainda mais o esporte local, pois essa é uma política de governo que
deve ser implementada. Acompanhe esse bate-papo...
Reinaldo Coelho
Tribuna Amapaense – Que balanço você faz
desses quase cinco meses a frente da Secretaria Estadual de Desporto e Lazer (SEDEL)?
Edinoelson Trindade – Primeiro foi uma honra,
como desportista e empresário esportivo, vir de uma escola que atua com jovens
desportistas – a Escola da Zico, onde fui diretor por quatro anos. Uma missão
muito árdua, mas nesses quatro meses o trabalho foi intensivo, pois pegamos uma
secretaria sucateada, no sentido de estruturas, como os Centros Poliesportivos
Paulo Conrado, Avertino Ramos, de Santana, a Piscina Olímpica, Augusto Antunes,
da Piscina do Chico Noé. As partes estruturais completamente abandonados. O
primeiro passo foi emergencial, foi providenciada uma minirreforma, para poder
entregar a população esportiva um espaço bem melhor. Tomamos decisões imediatas
e tivemos vontade politica de que isso tinha de acontecer. Como a secretaria
não tinha um programa que cuidasse das pessoas, dando-lhes saúde e lazer,
criamos o programa ‘Bem Estar: Saúde, Esporte e Lazer’ – que recebe crianças de
4 a 5 anos até idosos de 100 anos, pois é nosso papel constitucional. Todos os
projetos executados pela SEDEL estão dentro desse programa.
TA – Então seu trabalho
empresarial era voltado para o esporte de base. Na administração pública o
senhor dará atenção a esse segmento, tão importante para qualquer modalidade
desportiva?
ET – Ela será a volta para
esse segmento, pois a base esportiva é fundamental para que de fato se possa formar atletas. Não se forma atletas sem uma categoria de base. Não só no futebol. Hoje o nosso futebol
mostra um pouco dessa falha, não temos mais nenhuma referência esportiva em
nenhuma modalidade, pois a décadas não formatamos mais nenhum atleta, não temos
nenhum nome nacional (campeonato Brasileiro, Série A ou B), não temos atletas
olímpicos, o último atleta foi Jader na Natação no Pan-americano, há mais de
dez anos. Um dos pontos principais de nossa missão é resgatar o futebol de base.
Conversamos com o presidente da Federação Amapaense de Futebol (FAF), deputado
Roberto Góes, que daremos apoio a todas as competições de futebol de base, para
podermos formar atletas para o futuro do futebol amapaense. Então a base
desportiva está sendo trabalhada.
TA – Apesar dos problemas econômicos, o Estado vai conseguir avançar no
apoio ao desporto amapaense?
ET – Esse foi um dos entraves, quando aqui chegamos, a secretaria com
problemas financeiros. Na gestão passada a secretaria tinha, em 2014, R$ 14
milhões. Hoje temos mais ou menos R$ 4 milhões, mas estamos investindo esses
recursos corretamente e de maneira transparente. Nesses quatro meses, fizemos
milagres com os recursos, mais estamos fazendo com que eles cheguem onde devem
chegar, nas federações e principalmente nas mãos dos nossos atletas. Estamos
investindo os poucos recursos de maneira que cada um receba e todos ganhem
principalmente o desporto amapaense. Minha missão é essa, poder dividir os recursos
públicos de maneira transparente e correta.
TA – Quais os problemas
encontrados para as obras na pista de atletismo do Zerão? Quando
acontece a conclusão da pista de atletismo do Estádio Milton Corrêa?
ET – No mesmo dia que fui nomeado vim para a SEDEL
começar a prestar serviços. Fui conhecer o galpão onde estava guardada a cola para
a pista de atletismo. E, a nossa surpresa, foi que mais de 800 latas de cola tinham
vencido há mais de um ano. Calculamos
um prejuízo de mais de R$ 500 mil para os cofres públicos. Uma nova cola foi
adquirida e a obra retornou em março e de acordo com a empresa, no fim do mês
de maio estará concluída, pois tivemos de mudar o posicionamento da linha de
chegada para que esta seja em frente à arquibancada. Com a pista pronta,
pretendemos realizar uma minimaratona no ‘Meio do Mundo’, pois a chegada será
na linha imaginária do Equador. Estamos vendendo essa marca para o Brasil e
deveremos ter atletas de todas as unidades federativas. Contaremos com a
presença do Ministro dos Esportes para inauguração.
TA – Então teremos um Centro Técnico de Atletismo,
que agregará além da pista, locais para execução de categorias inerentes ao
atletismo (Caixa de areia, salto a distancia, lançamento de dardos, discos e
pesos)?
ET – Vamos abrir uma escola para atletas de Alto
Rendimento. Como isso será feito? Vamos às escolas e todos os municípios e
recrutaremos atletas que possam atender as diversas categorias atléticas. Além
de que, a pista atenderá corridas de 100, 200, 400, 800, 1500, 5000 até 10 mil
metros. Além dos saltos a distância, com vara, triplo, lançamentos de dardos,
discos e pesos. A ideia é formamos atletas, e para isso teremos 150 vagas e
estamos providenciando um convênio com o governo federal para recebermos todo o
material e equipamentos necessários para formamos nossos atletas. A perspectiva
é que tenhamos amapaenses nas Olimpíadas de 2020, que será em Tóquio.
TA – O governador Waldez Góes tem priorizado a ajuda de
passagens e hospedagem de atletas das modalidades competitivas – nacional e
internacional – e com referência aos do Complexo Esportivo Avertino Ramos,
Paulo Conrado e a Piscina Olímpica. Há previsão de reforma para esses espaços?
ET – Temos dado apoio a todas as modalidades, não temos deixado os nossos
melhores atletas de ‘Alto Rendimento’ na mão. Já conversamos com as federações
que não adianta pedir 20 passagens, temos de atender os melhores, para que eles
se mantenham sempre disputando e pontuando no ranking nacional e tenham índices
nacionais. Temos trabalhar os melhores. Caso de Venilton Teixeira, no
Taekwondo, melhores do Judô, Tênis de Mesa. Todos irão receber passagem, hospedagem
por conta do governo do Estado.
Quanto as obras na
Piscina Olímpica, foi realizado um serviço paliativo para que pudesse voltar a
funcionar. Porém, já temos a verba de $ 900 mil para sua reforma geral. O
Avertino Ramos, estaremos no fim desse mês apresentando ao governador um
relatório onde informamos que não existem mais condições de competições no
local. Está perigoso. Principalmente a questão elétrica e a própria quadra está
inviável e quem sabe no segundo semestre possamos realizar as obras de reforma
no ginásio. Quanto ao Paulo Conrado temos uma Emenda Parlamentar do ex-deputado
Evandro Milhomem, de R$ 3,5 milhões para a construção do Centro de Alto Rendimento
de Artes Marciais, onde deverá receber todas as modalidades.
TA – Temos atletas
com grandes chances de participar das Olimpíadas e das Paralimpíadas.
Nós
não temos ainda centros de excelência que possamos oferecer como outros Estados
oferecem. O que podemos fazer para estancar o êxodo de atletas amapaenses para
outros centros desportivos?
ET – Para evitar esse êxodo, precisamos ter, aqui no Amapá, estrutura para
formar os atletas. Com referência ao atletismo, já temos uma grande estrutura.
Com a inauguração do Centro de Artes Marciais, teremos outra grande estrutura.
No Futebol, devemos ter um estádio adequado para formar atletas de alto
rendimento também. Quando aos esportes de quadras, nos não temos quadras adequadas
para formar atletas de futebol de salão, de voleibol, handebol, basquetebol. O
nosso vôlei está em decadência, o basquetebol está ressurgindo. Já conversamos
com o governador Waldez Góes, para estruturarmos os espaços que temos, com bons
técnicos e equipamentos, assim passaremos a pensar em atletas de alto
rendimento, e isso não foi pensado ao longo dos tempos. Primeiro foi abandonada
a parte estrutural, segundo não temos local para essa formação e nem para a prática
do esporte local.
TA – A assinatura do termo de cooperação entre a Federação de Tênis de
Mesa do Amapá (FTMA) e a CBTM para o Centro de Alto Rendimento Raimundo Nonato
Dias Rodrigues foi feita pelo senhor. Assumindo o compromisso de investir, no
mínimo, um valor igual ao aporte da CBTM é um primeiro passo para a parceria em
outros CT?
ET – Fizemos uma parceria com a CBTM onde eles darão uma estrutura de um
Centro Técnico de Alto Rendimento assim como de equipamentos. Será um centro de
referência. Foi contratado um professor cubano e a SEDEL dará a hospedagem e
alimentação desse técnico em Macapá. Esse foi o acordado que vai gerar uma
participação de R$ 150 mil do governo do Estado. Além de que ajudaremos nas
competições regionais e nacionais. Já começamos a executar essa parceria
enviando uma equipe de mesatenista para na Copa do Brasil, em Manaus, e estaremos
enviando outra equipe para o Campeonato Brasileiro no Rio de Janeiro. Esse foi
o acordo: Fomentar e melhorar, descobrir e oportunizar. Foi o caso do Caio
Lucas, que é um atleta de Alto Rendimento nacional e, não tinha mais local e
treinador para seus treinos. A vinda do técnico cubano vai cobrir esse vácuo. E
não tenho duvida que dali deva sair muitos atletas olímpicos, de tênis de mesa,
com essa parceria entre Confederação e o Governo do Estado.

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