Viajar é agora
Quer saber? Você nunca será tão jovem nem tão
livre como é agora. O tempo não volta, você sabe. Para que então continuar
adiando? O momento é este. Chega de fazer planos sem real previsão de
concretude, chega de projetar tanto à frente, sempre à frente, sem nunca,
jamais, chegar o instante. É agora. Você pode não ter o dinheiro suficiente,
mas tem a vontade, e isso já é muito, é o bastante.
Não haverá na vida, talvez, outro momento em
que o seu desejo de cair no mundo, conhecer lugares, vagar por aí seja tão
intenso e mais forte do que todos os pontos negativos e as circunstâncias
contrárias que poderiam te parar. Você sabe que é difícil, sim, por isso esteve
estático até aqui, mas, veja, a sua única bagagem, neste momento, é o seu
próprio desejo, é sua fome, é você mesmo. E isso não pesa. É leve, leve o
suficiente para te levar!
Não importa se você sonha em mochilar pelo
Brasil, pelos continentes, ou não consegue arrumar tempo sequer para ir bem
ali, conhecer Tartarugalzinho. As estradas são precárias, o trabalho não
libera, a grana é pouca, o dólar tá alto, até ontem você não sabia direito nem
o que ia comer hoje. Na sua despensa há: miojo e biscoito.
Você tem medo do dia de amanhã, tem medo de
tudo. Acabou de adentrar a vida adulta. Está tentando se erguer sobre as
próprias pernas. Mas a gente nunca para de ter medo, então, o que resta fazer
senão ir em frente, com medo mesmo?
E, me acredite, você nunca esteve tão bem
como agora. Tão dono de si, autossuficiente. O momento é este. O mundo se abre
para você, se descortina. Sabe aquelas coisas todas bem românticas que se
projetam sobre a juventude? A ideia de liberdade, de espírito livre, de um
desejo por conhecer terras longínquas, pedir carona... Bem, tudo isso, embora
tão romântico, idealizado, tem em si verdade, desejo de concretude. Não há
outro momento para buscar, brindar esta liberdade do que agora.
Depois, talvez, virão filhos, cônjuges,
obrigações trabalhistas inevitáveis, mil coisas. Mas, por ora, você não está
obrigado a nada, só a si mesmo. Então saia, corra, se despeça, apanhe a
mochila, vá à porta, desbrave o mundo! O mundo é também cruzar a cidade,
conhecer um bairro novo, um lugar novo. Experimentar fazer o que sempre se
sonhou, mas se pensava que não podia. Descobrir um hobby, um passatempo, uma
diversão gratuita.
Às vezes a nossa sede de mudança é tão forte
e tão imediata que não pode esperar até que a gente tenha todas as condições
necessárias para concretizá-la organizadamente, higienicamente. Então vá
caoticamente mesmo. Se não pode viajar pelo planeta, pode muito bem se conectar
aos planetinhas a cada esquina.
Conhecer os outros municípios de seu Estado,
ir de serra a sertão, atravessar pontes, mergulhar em rios, ir bem ali,
"no canto", sozinho, tomar um sorvete, porque você pode. Possuir sua
cidade, frequentar mais praças, praias, espaços que estão aí, clamando por
corpo, por gente.
Nessa viagem, que você deve começar a partir
de agora, agorinha mesmo, (chega de pensar e pesar prós e contras termine esse
texto e vá direto!), enquanto você descobre os caminhos novos ao fazer esses
próprios caminhos, vai perceber que se trata também de uma jornada de
autossuficiência, uma jornada pessoal. É o seu momento, as suas escolhas.
Ciclos que terminam, ficam para trás. Agora você está entregue a si.
É o momento da perda do medo, do
autoconhecimento. Conhecer lugares novos, hábitos novos, pessoas novas,
permitir-se amigos. É tempo de comer o que você nunca comeu, cheirar, sentir.
Trabalhar aqui e ali, não para se escravizar, mas para financiar a viagem e
prosseguir seu caminho. Cruzar a fronteira, conhecer cachoeiras. Viver no
limiar de um sonho. Sonho que se concretiza, sim, assim. Está aí, prontinho.
Simplesmente vá. O momento é já.
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