segunda-feira, 8 de junho de 2015

Balneário de Fazendinha




Balneário de Fazendinha
Um tradicional ponto turístico: Decadente por abandono do município

Já faz um bom tempo que essa área de lazer da cidade se encontra abandonada. Faz-se mais do que necessário que o Poder Público municipal revitalize esse bem que é do povo amapaense. Pela beleza do lugar e pela possibilidade de transformar o Balneário de Fazendinha num ponto de lazer, cultura, esporte e principalmente para a devida e tão necessária conscientização ambiental para todos, urge respostas imediatas e contundentes.  Que ele funcione o ano inteiro.

Reinaldo Coelho


Decadência, de acordo com os dicionários é uma ação ou efeito de decair; Condição ou estado daquilo que está se deteriorando ou tende a se extinguir; declínio: decadência da cultura antropófaga. É isso que está acontecendo com o tradicional balneário de Macapá, o de Fazendinha.
Num domingo de muito sol era obrigatória a visita a esse balneário e o movimento da população macapaense e de cidades vizinhas era impressionante. Local de encontro e de lazer, além da beleza natural que tão bem fazia a alma de qualquer ser humano em contato com a natureza. Era ali que os macapaenses procuravam o “banho” da Fazendinha.
Era o cartão de visita de Macapá, quando pessoas aqui chegavam recebiam o convite para degustarem o famoso “camarão no bafo” acompanhado de uma gelada e curtindo o Rio Amazonas.

Saudosismo? Não. Decepção! Pois o desejo era que o Balneário de Fazendinha fosse objeto de revitalização e de acordo com o Urbanista José Alberto Tostes “Na década de 1970, o Governo do Território do Amapá contratou um escritório de arquitetura em Belém do Pará para apresentar um projeto de grande envergadura, a ideia inicial era integrar o espaço onde hoje funciona a EXPO-feira até a área do Balneário”.


Tal projeto não foi materializado, esse fator, talvez tenha sido decisivo para que esta área se transformasse em anos posteriores em uma área eminentemente residencial, descaracterizando a concepção inicial para qual foi criada.
No Balneário da Fazendinha, este declínio é visível.  Apesar da afluência de visitantes nos fins de semana e feriados, alguns comércios (bares e restaurantes) pararam de funcionar desde 2010. Os proprietários cerraram as portas, transferiram móveis e equipamentos para outros endereços e largaram os imóveis “ao Deus dará”. Antigos estabelecimentos comerciais, com clientela fidelizada em anos de atendimento, estão desmoronando e virando abrigo de desocupados, viciados em drogas e esconderijo de delinquentes.


Balneário de Fazendinha


O surgimento do Balneário foi no final da década de 60, em função da população de Macapá e Santana não ter muitas opções de lazer e por tanto passou a procurar a localidade para divertimento e banho, acabou encontrando e aproveitando a presença e as belezas naturais do rio Amazonas e da praia, com o passar do tempo veio a se chamar Balneário de Fazendinha.

Desde então, chegaram mais famílias visando fixar residências no local, e foram assim surgindo os primeiros estabelecimentos comerciais e barzinhos ao longo da praia para atender aos banhistas.

A partir de então o Governo viu-se na obrigação de criar um lugar com mais infraestrutura de praia para atender às necessidades daqueles que procuravam a localidade e para tanto construiu: barraquinhas, estacionamento, calçadão, asfaltou a via que existe ali, e procurou melhorar também o sistema de transporte coletivo para que a população de baixa renda pudesse desfrutar deste lazer nos finais de semana.

Para José Alberto Tostes o crescimento das cidades de Macapá e Santana, e o aparecimento de outras fontes de entretenimento, desestimularam o aperfeiçoamento do Balneário da Fazendinha que foi sendo abandonado gradualmente e chegasse ao estado atual de decadência.


Decadência






O entorno das barracas sobre o calçamento em frente aos bares e restaurantes é outro retrato dessa decadência. O mato alto e o lixo acumulado, pois demora ser recolhido exalando um odor insuportável em alguns pontos da praia. A areia está cheia de cascas de coco, tocos de cigarro, pedaços de jornal, restos de comida.



O Tribuna Amapaense visitou a Fazendinha, onde fez uma sessão fotográfica para mostrar a estrutura física da área danificada. Bancos e mesas estão quebrados, já não existe quadra de vôlei, nem quiosques e, muito menos, todo aquele espaço de lazer antes citado.
É nítido o abandono do balneário. A maioria dos quiosques está quebrada. As luminárias estão sem utilização, a concha acústica dos shows do Macapá Verão está abandonada.

Distrito de Fazendinha
Localizado a 16 quilômetros de Macapá, o Distrito da Fazendinha, com seus mais de 22 mil moradores, é formado pelo Igarapé da Fortaleza, Alphaville, Pólo Hortifrutigranjeiro, Mini Pólo, Murici, Vale Verde, Chefe Clodoaldo, Manari e Loteamento Por do Sol.
Nas últimas duas décadas estão registrados baixo nível de  desenvolvimento econômico porque, segundo os comerciantes locais, quem reside no distrito prefere fazer compras em Macapá. “Infelizmente, gastam boa parte do dinheiro fora e o que circula nas diversas comunidades são trocados”,
Moradores das ruas no entorno do balneário estão se mobilizando por meio de um abaixo-assinado. No documento, eles exigem do poder público uma manutenção mais eficaz no lugar.
Os moradores do distrito são unânimes em reafirmar as péssimas condições das ruas e avenidas do distrito, além da grande quantidade de lixo encontrado em vários trechos. “É só vocês entrarem em algumas ruas para ver a sujeira espalhada por todos os lados. Aqui ninguém faz nada para melhorar o bem estar dos moradores da Fazendinha. Estamos esquecidos”, reclamou a dona de casa Marcia Peres.



Os moradores dizem que o distrito recebe a atenção do poder público em duas ocasiões: no Macapá Verão e durante a Expofeira, eventos realizados na região uma vez por ano, cada. “Fazendinha ganha alguma coisa quando tem essas programações. Eles limpam os canteiros, fazem na verdade um ‘aga’ nessa época, mas passa muito rápido, e temos que esperar um ano para tudo acontecer de novo”, lamentou o pedreiro Antônio Vilhena.
Já faz um bom tempo que essa área de lazer da cidade se encontra abandonada. Faz-se mais do que necessário que o Poder Público municipal revitalize esse bem que é do povo amapaense, transformando-o de novo numa área de lazer e esportes para a nossa juventude e população em geral. Pela beleza do lugar e pela possibilidade de transformar o Balneário de Fazendinha num ponto de lazer, cultura, esporte e principalmente para a devida e tão necessária conscientização ambiental para todos, urge respostas imediatas e contundentes.


Macapá Verão - 34 anos
Foi um programa do governo do então Território Federal do Amapá, implantado em 1981 iniciou em Fazendinha, como uma promoção do antigo departamento de turismo da Secretaria de Planejamento, à época dirigida pelo turismólogo pernambucano Flávio Zírpolli. O evento foi amplamente criticado por setores políticos contrários ao governo de Annibal Barcellos, o último governador do Amapá da era da ditadura militar.
Depois que a coordenação passou para a prefeitura, o Macapá Verão foi ampliado por todo o município e passou a exigir um grande aparato técnico e financeiro para a execução, dada a necessidade de contratação de sonorizações e artistas de diversos segmentos. O evento tornou-se grandioso e caiu na graça do macapaense. Para este ano, segue a expectativa sobre a realização da programação durante as férias.
Mais como sempre a prefeitura de Macapá deixa para última hora a “maquiagem” no balneário e depois esquece até o próximo evento.


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