Balneário de Fazendinha
Um tradicional ponto turístico: Decadente
por abandono do município
Já
faz um bom tempo que essa área de lazer da cidade se encontra abandonada.
Faz-se mais do que necessário que o Poder Público municipal revitalize esse bem
que é do povo amapaense. Pela beleza do lugar e pela possibilidade de
transformar o Balneário de Fazendinha num ponto de lazer, cultura, esporte e
principalmente para a devida e tão necessária conscientização ambiental para
todos, urge respostas imediatas e contundentes. Que ele funcione o ano inteiro.
Reinaldo Coelho
Decadência, de acordo com os dicionários é uma ação ou efeito
de decair; Condição ou
estado daquilo que está se deteriorando ou tende a se extinguir; declínio:
decadência da cultura antropófaga. É isso que está acontecendo com o
tradicional balneário de Macapá, o de Fazendinha.
Num
domingo de muito sol era obrigatória a visita a esse balneário e o movimento da
população macapaense e de cidades vizinhas era impressionante. Local de
encontro e de lazer, além da beleza natural que tão bem fazia a alma de
qualquer ser humano em contato com a natureza. Era ali que os macapaenses
procuravam o “banho” da Fazendinha.
Era o cartão de visita de Macapá, quando pessoas aqui
chegavam recebiam o convite para degustarem o famoso “camarão no bafo”
acompanhado de uma gelada e curtindo o Rio Amazonas.
Saudosismo? Não. Decepção! Pois o desejo era que o Balneário
de Fazendinha fosse objeto de revitalização e de acordo com o Urbanista José
Alberto Tostes “Na década de 1970, o
Governo do Território do Amapá contratou um escritório de arquitetura em Belém
do Pará para apresentar um projeto de grande envergadura, a ideia inicial era
integrar o espaço onde hoje funciona a EXPO-feira até a área do Balneário”.
Tal projeto não foi materializado, esse fator, talvez tenha
sido decisivo para que esta área se transformasse em anos posteriores em uma
área eminentemente residencial, descaracterizando a concepção inicial para qual
foi criada.
No Balneário da Fazendinha, este declínio é visível. Apesar da afluência de visitantes nos fins de
semana e feriados, alguns comércios (bares e restaurantes) pararam de funcionar
desde 2010. Os proprietários cerraram as portas, transferiram móveis e equipamentos
para outros endereços e largaram os imóveis “ao Deus dará”. Antigos
estabelecimentos comerciais, com clientela fidelizada em anos de atendimento,
estão desmoronando e virando abrigo de desocupados, viciados em drogas e
esconderijo de delinquentes.
Balneário de Fazendinha
O surgimento do Balneário foi no final da década de 60, em
função da população de Macapá e Santana não ter muitas opções de lazer e por
tanto passou a procurar a localidade para divertimento e banho, acabou
encontrando e aproveitando a presença e as belezas naturais do rio Amazonas e
da praia, com o passar do tempo veio a se chamar Balneário de Fazendinha.
Desde então, chegaram mais famílias visando fixar residências
no local, e foram assim surgindo os primeiros estabelecimentos comerciais e
barzinhos ao longo da praia para atender aos banhistas.
Para José Alberto Tostes o crescimento das cidades de Macapá
e Santana, e o aparecimento de outras fontes de entretenimento, desestimularam
o aperfeiçoamento do Balneário da Fazendinha que foi sendo abandonado
gradualmente e chegasse ao estado atual de decadência.
Decadência
O Tribuna Amapaense visitou a Fazendinha, onde fez uma sessão
fotográfica para mostrar a estrutura física da área danificada. Bancos e mesas
estão quebrados, já não existe quadra de vôlei, nem quiosques e, muito menos,
todo aquele espaço de lazer antes citado.
É nítido o abandono do balneário. A maioria dos quiosques
está quebrada. As luminárias estão sem utilização, a concha acústica dos shows
do Macapá Verão está abandonada.
Distrito de Fazendinha
Localizado a 16 quilômetros de Macapá, o Distrito da
Fazendinha, com seus mais de 22 mil moradores, é formado pelo Igarapé da
Fortaleza, Alphaville, Pólo Hortifrutigranjeiro, Mini Pólo, Murici, Vale Verde,
Chefe Clodoaldo, Manari e Loteamento Por do Sol.
Nas últimas duas décadas estão registrados baixo nível de desenvolvimento econômico porque, segundo os
comerciantes locais, quem reside no distrito prefere fazer compras em Macapá.
“Infelizmente, gastam boa parte do dinheiro fora e o que circula nas diversas
comunidades são trocados”,
Moradores das ruas no entorno do balneário estão se
mobilizando por meio de um abaixo-assinado. No documento, eles exigem do poder
público uma manutenção mais eficaz no lugar.
Os moradores do distrito são unânimes em reafirmar as
péssimas condições das ruas e avenidas do distrito, além da grande quantidade
de lixo encontrado em vários trechos. “É só vocês entrarem em algumas ruas para
ver a sujeira espalhada por todos os lados. Aqui ninguém faz nada para melhorar
o bem estar dos moradores da Fazendinha. Estamos esquecidos”, reclamou a dona
de casa Marcia Peres.
Os moradores dizem que o distrito recebe a atenção do poder
público em duas ocasiões: no Macapá Verão e durante a Expofeira, eventos
realizados na região uma vez por ano, cada. “Fazendinha ganha alguma coisa
quando tem essas programações. Eles limpam os canteiros, fazem na verdade um
‘aga’ nessa época, mas passa muito rápido, e temos que esperar um ano para tudo
acontecer de novo”, lamentou o pedreiro Antônio Vilhena.
Já
faz um bom tempo que essa área de lazer da cidade se encontra abandonada.
Faz-se mais do que necessário que o Poder Público municipal revitalize esse bem
que é do povo amapaense, transformando-o de novo numa área de lazer e esportes
para a nossa juventude e população em geral. Pela beleza do lugar e pela possibilidade
de transformar o Balneário de Fazendinha num ponto de lazer, cultura, esporte e
principalmente para a devida e tão necessária conscientização ambiental para
todos, urge respostas imediatas e contundentes.
Macapá Verão - 34 anos
Foi um programa do governo do então Território Federal do
Amapá, implantado em 1981 iniciou em Fazendinha, como uma promoção do antigo
departamento de turismo da Secretaria de Planejamento, à época dirigida pelo
turismólogo pernambucano Flávio Zírpolli. O evento foi amplamente criticado por
setores políticos contrários ao governo de Annibal Barcellos, o último
governador do Amapá da era da ditadura militar.
Depois que a coordenação passou para a prefeitura, o Macapá
Verão foi ampliado por todo o município e passou a exigir um grande aparato
técnico e financeiro para a execução, dada a necessidade de contratação de
sonorizações e artistas de diversos segmentos. O evento tornou-se grandioso e
caiu na graça do macapaense. Para este ano, segue a expectativa sobre a realização
da programação durante as férias.
Mais como sempre a prefeitura de Macapá deixa para última
hora a “maquiagem” no balneário e depois esquece até o próximo evento.



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