Prefeito Clécio Luís
se vê às voltas com mais um escândalo entre tantos de sua fraca e atrapalhada
gestão
Da Redação
Em três anos e meio
de governo o prefeito Clécio Luís, que venceu as eleições com uma plataforma de
promessas até hoje não cumpridas, já pode ter uma certeza, a de que vai ser
extremamente difícil conseguir a reeleição.
Ao longo do mandato,
que começou em janeiro de 2012, os eleitores não viram nada do que foi
prometido durante a campanha, com exceção da limpeza de canais, operações tapa
buraco e uma confusão com a Justiça para trazer à Macapá uma empresa de coleta
de lixo pertencente a um colaborador de campanha, o hoje deputado federal pelo
Pará, Edmilson Rodrigues, do mesmo partido de Clécio, o PSOL. Além disso, a
gestão da primeira prefeitura do partido no País é um fiasco total mergulhada
em trapalhadas e escândalos.
Os mais recentes
vieram à tona semana passada com o sorteio dos nomes que irão ocupar os
apartamentos do Conjunto São José, localizado na zona Sul de Macapá nos fundos
do Conjunto Hospital de Base.
Depois do sorteio
ocorrido no sábado, 30, veio à tona um festival de irregularidades. Uma delas a
duplicidade de nomes, onde uma mesma pessoa aparece duas vezes na relação.
Outra situação foi do registro de apenas um prenome, Elisangela. Segundo a
Prefeitura de Macapá em nota divulgada à imprensa, o cadastro foi feito por
conta do processo de separação conjugal pela
qual a candidata vem passando.
Já a Secretaria Municipal de Assistência
Social e Trabalho disse que equipes da Semast foram até a candidata para saber
qual o motivo do registro incompleto. A secretaria informou à imprensa que a
candidata trata-se de Elisangela Vieira da Silva, dona de casa que vive com
duas filhas em um quarto alugado. A Semast ainda informou que o restante dos
dados de Elisangela estão corretos, mas não soube informar a razão de apenas o
prenome ter sido aceito e chegado à etapa do sorteio.
Os imbróglios
envolvendo o processo de ocupação dos apartamentos do residencial na gestão do
PSOL estão longe de acabar.
EX-ESPOSA NO COMANDO
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| Mônica Dias, coordenadora de Habitação da PMM |
Prova disso foi a
nomeação assinada pelo prefeito Clécio Luís tornando sua ex esposa, a
antropóloga Mônica Dias, Coordenadora de Habitação da Prefeitura de Macapá.
Mônica e Clécio têm duas filhas.
O ato levantou dois
pontos de vista, ou o prefeito é ignorante com relação a leis ou adepto da
política do "se colar colou". Pela Lei existem impedimentos na
nomeação de ex cônjuges, o que é reforçado pela existência de filhos, que no
entendimento jurídico "amarra" o vínculo entre o casal mesmo com a
separação.
REFLEXO EM BRASÍLIA
As trapalhadas da
gestão de Clécio Luís no processo de ocupação do Residencial São José
repercutiram em Brasília. O deputado federal Roberto Góes (PDT) usou o Plenário
da Câmara para denunciar o que até agora está sendo visto como suspeitas de
fraude, mas que podem se confirmar.
Ele focou o discurso
nos episódios dos nomes repetidos encontrados na relação e no cadastro
preenchido apenas com o prenome de uma das candidatas.
As denúncias seguirão
para o Ministério Público Federal, Justiça e Polícia Federal. O objetivo é
fazer com que o processo de seleção dos futuros moradores seja revisado para
evitar o suposto beneficiamento de quem não precisa do imóvel.
O Conjunto
Habitacional São José deve ser concluído ainda este ano. De acordo com a Coordenação
Operacional do Programa Minha Casa, Minha Vida em Macapá, mais de 5 mil pessoas
concorreram a 712 unidades no primeiro grupo. No grupo 2, foram mais de 15 mil
disputando 238 apartamentos. O projeto foi licitado na gestão do então prefeito
Roberto Góes (hoje deputado federal) que saiu do cargo em janeiro de 2012.
ATÉ OS ALIADOS RECLAMAM...
A
repercussão de mais um escândalo na gestão combalida de Clécio Luís parece ser
maior do que pensavam que seria. Até os aliados declararam não apoiar o suposto
esquema que passa pela duplicidade de nomes na lista de candidatos até a
nomeação da ex esposa do prefeito para coordenar o programa de habitação do
município.
Uma
das vozes dissonantes vem de dentro do ninho da esquerda. Trata-se do vereador
Washington Picanço, do PSB, um dos principais partidos aliados de Clécio e que
esteve na aliança de ultra direita que o elegeu em 2011, embora camuflado
durante a campanha.
Picanço,
que até então se manteve calado contra outras situações de conduta duvidosa da
gestão municipal, agora resolveu protestar. Advogado, ele faz parte da Comissão
de Combate à Corrupção da Ordem dos Advogados do Brasil no Amapá. O vereador
teria sido procurado por muita gente que denunciava a suposta fraude nos nomes
de sorteados para ocupar os apartamentos do São José. A resposta do político foi usar o espaço
regimental na Câmara de Vereadores para levar as reclamações ao conhecimento dos
colegas e formalizar representação junto ao Ministério Público Federal. Assim
como Roberto Góes em Brasília, Washington Picanço espera que o processo de
seleção seja revisado.
A estrutura do São
José tem 1.449 apartamentos com valores globais de R$ 89,2 milhões. Os
sorteados divulgados pela Prefeitura de Macapá fazem parte do Grupo 1 e
responderam à faixa de 3 a 5 critérios, além do grupo 2, onde os candidatos
atingiram de 1 a 2 critérios estabelecidos pelo Ministério das Cidades e pelo
Comitê Gestor de Habitação de Macapá.
GESTÃO DE ESCÂNDALOS...
Antes do escândalo do
Residencial São José, um outro já havia "estourado" no começo do ano
quando nem bem Clécio Luís concluía as explicações da "farra dos
aluguéis" de carros e prédios alugados por valores acima do mercado local.
O caso foi trazido ao conhecimento da opinião pública por parte da
imprensa e o prefeito
que prometeu "fazer diferente", mais uma vez se via com uma bomba
detonada no colo.
A Polícia Federal
desencadeava a "Operação Limos" cumprindo mandados de busca e
apreensão dentro da Secretaria de Assistência Social e Trabalho e outros de
prisão em vários pontos da capital. Três pessoas foram presas, uma delas a
então secretária Eliane Gonçalves. A operação foi resultado de investigações na
execução do programa Bolsa Família que apontaram fraudes no benefício para
incluir ilicitamente pelo menos 800 famílias que passariam a receber o dinheiro
a partir de fevereiro deste ano.
Na operação foram
cumpridos três mandados de prisão temporária e seis de condução coercitiva,
além de nove de afastamento de função pública.
O prejuízo causado
com a suposta fraude, de acordo com a Polícia Federal chegaria a R$ 1,7 milhão.
As investigações foram iniciadas ainda em 2014.
O esquema, ainda
segundo a PF, funcionava no direcionamento de pessoas por distribuição de
papéis carimbados e com a assinatura dos envolvidos. Tais papeis serviriam como
senhas para o cadastro das famílias que depois seriam colocadas no Bolsa
Família em Macapá.
Com a
"senha" em mãos, a orientação era para que os futuros beneficiários
procurassem atendimento
sem passar por nenhuma fiscalização. Todos seriam dispensadas de preencher formulários
obrigatórios de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome, como fizeram as famílias inseridas de forma legal no programa. Ao todo, sete
servidores do município foram envolvidos, além de duas secretárias nomeadas por
Clécio Luís.
Eles irão responder
por estelionato, inserção de dados falsos em sistema de informações,
estelionato contra o poder público federal, falsificação de documento público, corrupção
ativa e passiva, falsidade ideológica, prevaricação, peculato e organização
criminosa. O processo está correndo na Justiça e as penas chegam a 66 anos de
prisão.
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| Eliane Gonçalves Secretaria da (Semast) presa pela (PF) |
Na época, o prefeito convocou uma
coletiva para dizer que tomou todas as medidas para apurar os fatos e que
afastou de imediato os envolvidos.
O objetivo era
combater novas irregularidades e o prejuízo a beneficiários.
Quatro meses depois a
situação se repete dentro de um dos maiores programas habitacionais criado pelo
governo federal com participação do município, que gerencia a execução. 





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