FUNDO AMAPÁ
Recebe investimento de R$ 6 milhões
para desenvolvimento sustentável
A iniciativa busca
o desenvolvimento econômico e ambiental nas unidades de conservação do Estado.
GEA cooperou com contrapartida de R$ 1 milhão.
Da Editoria
Visando o progresso
sustentável na valorização de uma economia comprometida com a proteção
ambiental e engajamento social, o Governo do Amapá, em parceria com a
Organização Ambiental Conservação Internacional (CI-Brasil) e o Fundo
Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), lançou na última segunda-feira, dia
1º, no Salão Nobre do Palácio do Setentrião, o projeto ‘Mecanismos de
Sustentabilidade Financeira (Fundo Amapá)’.
O Fundo Amapá faz parte das diretrizes do novo
Plano Plurianual do Amapá (PPA), com o objetivo de promover o desenvolvimento
econômico e ambiental do Estado com sustentabilidade. Através do projeto, a
CI-Brasil, por meio da Global
Conservation Fund (GCF), doou R$ 5 milhões para o fundo, que também teve a
contrapartida de R$ 1 milhão do Governo do Amapá. Essa receita será destinada à
consolidação e manutenção das áreas protegidas no corredor da biodiversidade do
Estado.
O fundo objetiva garantir a preservação das
unidades de conservação com fomento às atividades que protejam o ecossistema e
beneficiem, mutuamente, as populações que vivem nessas áreas, através do
desenvolvimento sustentável, na valorização da diversidade sociocultural e
ecológica, com o intuito de reduzir as desigualdades sociais.
"Esse é
um compromisso integral com a responsabilidade ambiental e social que nós temos
com a vida, florestas, rios e igarapés e com tudo aquilo que tem significado
direto com o nosso modo de ser. Somos desafiados todos os dias a,
definitivamente, associar esse compromisso com a geração de oportunidade com o
nosso povo na geração de emprego, a produzir e a transformar nossas riquezas em
benefício primeiro dos que aqui vivem", disse o governador do Amapá,
Waldez Góes, sobre a importância da preservação ambiental e de também
beneficiar a população conjuntamente.
O chefe do Executivo frisou, ainda, a necessidade
da contrapartida nos benefícios e projetos executados pelo Amapá. "Queremos confiança e apoio em mais essa
estratégia. Precisamos de investimento em tecnologia, pesquisa e melhoramento
genético como apoio para articular e ajudar o Amapá a percorrer o caminho do
desenvolvimento", ponderou.
O Amapá é o Estado mais preservado do país, com 72%
dos seus 14,3 milhões de hectares destinados a unidades de conservação e terras
indígenas. As 19 unidades de conservação da região reúnem cerca de 9,3 milhões
de hectares de área de preservação ambiental. O grande potencial das riquezas
do ecossistema amapaense também ressalta a importância da economia verde como
alternativa para o avanço econômico e a proteção do meio ambiente.
De acordo com o vice-presidente da CI- Brasil,
Rodrigo Medeiros, a economia baseada na conservação ambiental é um grande
desafio, mas é possível. "Apenas a conservação
e a criação de áreas protegidas, às vezes, não são suficientes para o
desenvolvimento. O nosso grande desafio é fazer uma economia baseada na
conservação e no desenvolvimento, que integre a proteção do capital natural com
o desenvolvimento econômico, que gere inclusão e distribuição de riqueza, mas
mostraremos que isso é possível", garantiu.
Para o superintendente de programas do FUNBIO,
Manoel Serrão, o Amapá é um Estado símbolo para a conservação no país. "O financiamento ambiental é um desafio
global. O que o Amapá está fazendo hoje, aqui, é um exemplo para a Amazônia; um
modelo a ser seguido", enfatizou.
Para o representante da Área Indígena Amapá e Norte
do Pará, Demetriu Amissipa Tiryó, o Fundo Amapá vai melhorar significativamente
a vida nas aldeias. "Para os povos
indígenas, especialmente os Tiryó, e os demais povos do Amapá e Norte do Pará,
é importante preservar florestas e as terras, porque é através delas que
vivemos. Por isso, nós estamos felizes com o apoio do governo do Amapá e esperamos
mais atenção, pois somos iguais aos povos não indígenas: precisamos viver bem
com saúde, educação, saneamento básico e transporte, mas tudo isso com respeito
a terra", disse.
A estrutura do fundo é construída pela Secretaria
de Estado de Meio Ambiente do Amapá (SEMA), junto com a FUNBIO e com apoio da
Fundação Gordon e Betty Moore, e
CI-Brasil. A ação prevê, ainda, a captação de novos e diversificados recursos,
agilidade de execução e flexibilidade para a alocação nas áreas protegidas, de
forma que seja adaptável à conjuntura e às reais necessidades das unidades. A
aplicação dos recursos será submetida ao Conselho Deliberativo do Fundo,
composto por membros da sociedade civil e órgãos públicos.
Inicialmente, o Fundo do Amapá priorizará as
unidades de conservação estaduais, beneficiando a sociedade nos aspectos
econômico, social e ambiental. O Governo do Amapá executará ações e projetos
integrados com a iniciativa do fundo.
Parceria
Na
ocasião, também foi assinado o termo de adesão à iniciativa de Gestão
Compartilhada do Bloco das Áreas Protegidas do Escudo das Guianas. A proposta
visa uma parceria através da gestão integrada entre o Amapá, Pará, Guiana
Francesa e Suriname, a fim de compartilhar responsabilidades e discutir o uso
de recursos e a biodiversidade em áreas de proteção ambiental e indígenas.
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| Para Marcelo Creão, o fortalecimento da gestão compartilhada das áreas protegidas da Amazônia vai beneficiar a política estadual de meio ambiente |
“A Amazônia está passando por inovações e
avanços na consolidação e desenvolvimento. Precisamos mostrar para a própria
Amazônia, Brasil, e para o mundo, como que é a política estadual de meio ambiente.
Trabalhar nas áreas protegidas e indígenas é uma grande empreitada. As áreas de
conservação têm um estreito relacionamento com todos os povos indígenas do
Norte do Pará e do Amapá, a exemplo dos agricultores, extrativistas, pescadores
e quilombolas e, juntamente com a Guiana Francesa e Suriname, mostraremos
gestão das áreas protegidas”, explicou o secretário de Meio Ambiente do
Amapá, Marcelo Creão.
Foto: Ana Lages/Agência Amapá



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