segunda-feira, 8 de junho de 2015

PPA INTERATIVO - FUNDO AMAPÁ





                                FUNDO AMAPÁ
                Recebe investimento de R$ 6 milhões para                          desenvolvimento sustentável



A iniciativa busca o desenvolvimento econômico e ambiental nas unidades de conservação do Estado. GEA cooperou com contrapartida de R$ 1 milhão.


Da Editoria

Visando o progresso sustentável na valorização de uma economia comprometida com a proteção ambiental e engajamento social, o Governo do Amapá, em parceria com a Organização Ambiental Conservação Internacional (CI-Brasil) e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO), lançou na última segunda-feira, dia 1º, no Salão Nobre do Palácio do Setentrião, o projeto ‘Mecanismos de Sustentabilidade Financeira (Fundo Amapá)’.

O Fundo Amapá faz parte das diretrizes do novo Plano Plurianual do Amapá (PPA), com o objetivo de promover o desenvolvimento econômico e ambiental do Estado com sustentabilidade. Através do projeto, a CI-Brasil, por meio da Global Conservation Fund (GCF), doou R$ 5 milhões para o fundo, que também teve a contrapartida de R$ 1 milhão do Governo do Amapá. Essa receita será destinada à consolidação e manutenção das áreas protegidas no corredor da biodiversidade do Estado.

O fundo objetiva garantir a preservação das unidades de conservação com fomento às atividades que protejam o ecossistema e beneficiem, mutuamente, as populações que vivem nessas áreas, através do desenvolvimento sustentável, na valorização da diversidade sociocultural e ecológica, com o intuito de reduzir as desigualdades sociais.
"Esse é um compromisso integral com a responsabilidade ambiental e social que nós temos com a vida, florestas, rios e igarapés e com tudo aquilo que tem significado direto com o nosso modo de ser. Somos desafiados todos os dias a, definitivamente, associar esse compromisso com a geração de oportunidade com o nosso povo na geração de emprego, a produzir e a transformar nossas riquezas em benefício primeiro dos que aqui vivem", disse o governador do Amapá, Waldez Góes, sobre a importância da preservação ambiental e de também beneficiar a população conjuntamente.

O chefe do Executivo frisou, ainda, a necessidade da contrapartida nos benefícios e projetos executados pelo Amapá. "Queremos confiança e apoio em mais essa estratégia. Precisamos de investimento em tecnologia, pesquisa e melhoramento genético como apoio para articular e ajudar o Amapá a percorrer o caminho do desenvolvimento", ponderou.

O Amapá é o Estado mais preservado do país, com 72% dos seus 14,3 milhões de hectares destinados a unidades de conservação e terras indígenas. As 19 unidades de conservação da região reúnem cerca de 9,3 milhões de hectares de área de preservação ambiental. O grande potencial das riquezas do ecossistema amapaense também ressalta a importância da economia verde como alternativa para o avanço econômico e a proteção do meio ambiente.

De acordo com o vice-presidente da CI- Brasil, Rodrigo Medeiros, a economia baseada na conservação ambiental é um grande desafio, mas é possível. "Apenas a conservação e a criação de áreas protegidas, às vezes, não são suficientes para o desenvolvimento. O nosso grande desafio é fazer uma economia baseada na conservação e no desenvolvimento, que integre a proteção do capital natural com o desenvolvimento econômico, que gere inclusão e distribuição de riqueza, mas mostraremos que isso é possível", garantiu.

Para o superintendente de programas do FUNBIO, Manoel Serrão, o Amapá é um Estado símbolo para a conservação no país. "O financiamento ambiental é um desafio global. O que o Amapá está fazendo hoje, aqui, é um exemplo para a Amazônia; um modelo a ser seguido", enfatizou.

Para o representante da Área Indígena Amapá e Norte do Pará, Demetriu Amissipa Tiryó, o Fundo Amapá vai melhorar significativamente a vida nas aldeias. "Para os povos indígenas, especialmente os Tiryó, e os demais povos do Amapá e Norte do Pará, é importante preservar florestas e as terras, porque é através delas que vivemos. Por isso, nós estamos felizes com o apoio do governo do Amapá e esperamos mais atenção, pois somos iguais aos povos não indígenas: precisamos viver bem com saúde, educação, saneamento básico e transporte, mas tudo isso com respeito a terra", disse.

A estrutura do fundo é construída pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amapá (SEMA), junto com a FUNBIO e com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore, e CI-Brasil. A ação prevê, ainda, a captação de novos e diversificados recursos, agilidade de execução e flexibilidade para a alocação nas áreas protegidas, de forma que seja adaptável à conjuntura e às reais necessidades das unidades. A aplicação dos recursos será submetida ao Conselho Deliberativo do Fundo, composto por membros da sociedade civil e órgãos públicos.

Inicialmente, o Fundo do Amapá priorizará as unidades de conservação estaduais, beneficiando a sociedade nos aspectos econômico, social e ambiental. O Governo do Amapá executará ações e projetos integrados com a iniciativa do fundo.


Parceria
Na ocasião, também foi assinado o termo de adesão à iniciativa de Gestão Compartilhada do Bloco das Áreas Protegidas do Escudo das Guianas. A proposta visa uma parceria através da gestão integrada entre o Amapá, Pará, Guiana Francesa e Suriname, a fim de compartilhar responsabilidades e discutir o uso de recursos e a biodiversidade em áreas de proteção ambiental e indígenas.

Para Marcelo Creão, o fortalecimento da gestão compartilhada das áreas protegidas da Amazônia vai beneficiar a política estadual de meio ambiente


A Amazônia está passando por inovações e avanços na consolidação e desenvolvimento. Precisamos mostrar para a própria Amazônia, Brasil, e para o mundo, como que é a política estadual de meio ambiente. Trabalhar nas áreas protegidas e indígenas é uma grande empreitada. As áreas de conservação têm um estreito relacionamento com todos os povos indígenas do Norte do Pará e do Amapá, a exemplo dos agricultores, extrativistas, pescadores e quilombolas e, juntamente com a Guiana Francesa e Suriname, mostraremos gestão das áreas protegidas”, explicou o secretário de Meio Ambiente do Amapá, Marcelo Creão.


Foto: Ana Lages/Agência Amapá

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