sexta-feira, 12 de junho de 2015

PIONEIRISMO

In memoriam   (  *1934    +  2004)


DONA BEBÉ, tacacazeira

Bebé atendia todos os seus fregueses muito bem, e pela ordem de chegada, sem distinção. Sua banca funcionava de segunda a sábado, na calçada do prédio da Diocese, local em que se instalaram as Livrarias Paulinas, e tinha um público eclético: ia de governador, juiz, promotor, deputado, até o povão. 


"Os antepassados sensíveis nos legaram um belo patrimônio fruto da riqueza e da inteligência de bem aplicá-la. Os insensatos gananciosos já destruíram muito", essa frase mostra a importância da participação dos homens e mulheres que vieram para o Amapá e que aqui nasceram com, ainda, naturalidade paraense nos legaram.

Esta semana temos a satisfação de registrar nas paginas e no blog do Tribuna Amapaense a história de mais uma pioneira amapaense e essa é da gema, pois nasceu no Distrito de Bilique, em 1934, quando o Amapá ainda pertencia ao Pará, mas ela era Tucuju, Raymunda Cezarina Rodrigues de La-Rocque, a dona Bebé, ou a Bebé Tacacazeira.

Nascida em 02 de abril de 1934, em Bailique, Distrito de Macapá, filha de Mário Palha Rodrigues e Raimunda de Carvalho Rodrigues, mais conhecida como Dona Dica. Porém, era prioridade na família a educação e Bebé foi estudar em Belém no tradicional educandário paraense, localizado em Santa Izabel do Pará, Colégio Antônio Lemos, em regime de internato até sua formatura, quando retornou à Macapá mais ou menos em 1948.

Colégio Antônio Lemos


De imediato  foi contratada pela Casa Leão do Norte, trabalhando como auxiliar da gerente-proprietária, Dona Clemência Zagury, ali ficou até seu casamento. Bebé contraiu núpcias com o paraense Alfredo Luiz Duarte de La-Rocque, no dia 15 de março de 1957, em Macapá. O casal teve três filhos, todos homens: Abel Rodrigues de La-Rocque (2 de setembro de 1958), Sérgio Roberto Rodrigues de La-Rocque (09/12/1959); Luiz Jorge Rodrigues de La-Rocque (30/08/62).
O engenheiro Sérgio de La Rocque

Abel Rodrigues de La-Rocque










Mãe tacacazeira - 
filha herdeira


Bebé com a sua tradicional banca de iguarias no canto da Igreja de São José
Nessa época Dona Dica já tinha sua mesinha de venda de tacacá e outras delícias, como vatapá, caruru, beijo de moça e cocada, na Praça Veiga Cabral, sob uma das imensas mangueiras que foram retiradas do leito da Rua São José. Porém, em 1962 os L-Rocque perdem sua matriarca e Bebé então assume o lugar da mãe e a banca se desloca para o canto da Igreja de São José. Em 43 anos de trabalho, Bebé transformou o tacacá da família Rodrigues de La-Rocque, e outras deliciam que vendia ao cair da tarde, em um atrativo da cidade de Macapá.

A figura emblemática de Dona Bebé era obrigatória a partir das 15 horas, quando sol se escondia atrás da residência dos padres da Paróquia São José. Jovens e adultos, crianças e idosos, disputavam o comprido banco ou sentavam-se nas calçadas, outros usavam o próprio carro, moto e bicicletas para aguardarem os saborosos quitutes dessa mulher guerreira.

Bebé atendia todos os seus fregueses muito bem, e pela ordem de chegada, sem distinção. Sua banca funcionava de segunda a sábado, na calçada do prédio da Diocese, local em que se instalaram as Livrarias Paulinas, e tinha um público eclético: ia de governador, juiz, promotor, deputado, até o povão. 

Ela conversava muito pouco enquanto trabalhava, e guardava a sete chaves os segredos que faziam do seu cardápio de comidas típicas uma gostosura que os macapaenses jamais irão esquecer. Ah, outra coisa: quando estava de folga não gostava de conversar sobre o seu trabalho… "Aqui eu sou outra Bebé, não sou a Bebé Tacacazeira".

Dona Bebé saiu de cena, doente, para falecer no dia 5 de março de 2004, em Belém do Pará.

Reconhecimento da 
sociedade amapaense

Seu corpo, em reconhecimento à sua figura carismática, foi velado no Plenário da Câmara Municipal, e foi sepultada no Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, no mesmo mausoléu da sua genitora.

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