Política de favores e gestão, incompatíveis.
A Democracia Representativa impõe legitimação
no referendo popular. Demo (Povo) Cracia (Poder), portanto o poder emana do
povo, e em nome dele deve ser exercido. Isso é política. Pessoas que se afinam
ideologicamente agrupam-se e disputando democraticamente o poder. Os cargos do
legislativo e executivo são decididos pela vontade soberana do cidadão/eleitor.
A escolha do presidente, governador ou prefeito legitima-se nas urnas, ganha
legalidade com a diplomação e posse. Mas não encerra aí. A administração
pública impõe ao sujeito princípios balizadores do seu comportamento na função
e diretrizes legais que devem ser seguidas, sob pena de responderam perante o
Poder Judiciário pelos abusos e excessos cometidos.
No artigo 37 da Constituição da República
Federativa do Brasil estão dispostos os cinco princípios basilares da
administração pública. Legalidade, Impessoalidade,
Moralidade, Probidade e Eficiência. Em assim sendo, o gestor não pode,
depois de eleito e empossado, esquecer o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes
Orçamentárias, a Lei Orçamentária Anual e todas as normas infraconstitucionais
e disciplinadores que mostram qual caminho a ser respeitado pelo gestor
público. Mas isso tudo é ignorado pelo eleito, quando ele, por um comportamento
deletério na gestão púbica, mete os pés pelas mãos e trata a gestão pública
como a extensão de seus negócios.
Essa é uma prática corriqueira no Brasil.
Esse é modelo nefasto para a sociedade, mas que infelizmente vem dando certo há
muito tempo. Era necessário quebrar esse paradigma comportamental e inaugurar
um modelo onde o poder fosse conquistado realmente pela vontade livre, soberana
e secreta do povo e que o único acordo possível e aceito fosse com o próprio
povo. Entra eleição e sai eleição e, a prática é a mesma. Em Macapá o prefeito
Clésio Luís já abriu a caixa de bondade na direção da edilidade. Fez a generosa
distribuição de cargos e dinheiro em troca do apoio para sua difícil reeleição.
E por que o Clésio faz isso? Porque tem absoluta convicção de que sua gestão
está sendo um fiasco. Optou por atender os amigos antigos e os de ocasião em
detrimento do povo, pois sabe ele que o que deveria ter feito, não fez.
Esse é um poço que nunca seca e não tem fim.
Os que se refestelam no Poder aprovam e não querem mudança no “status quo”.
Para eles está bom e o povo que se dane. Serão mais uma vez fisgados pela
barriga e pelo acúmulo de contas correntes (luz, água, telefone) aviamento de
uma receita ou até mesmo o pagamento de uma parcela atrasada do eletrodoméstico
comprado e que a crise financeira inviabiliza a quitação. Passada a eleição e a
chegada da inexorável vitória eleitoral, o povo passa novamente a fazer parte
de uma sociedade sem rosto e sem voz, que grita a dor provocada pelo mal que
ele mesmo, o povo, carente, pobre e miserável, cria.
É uma ciranda perversa, engendrada pela elite
que se apodera do Poder e utiliza-se dele para perpetuar-se no poder. Um dia o
Robin Hood das florestas irá inverter essa lógica daninha e passará a tirar do
rico e distribuir de forma equânime a riqueza produzida pelo povo com o povo.
Faça aquilo que o povo quer e precisa e não será necessário vender o Estado
para uma meia dúzia de abutres. Infelizmente essa história é verídica.
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