sexta-feira, 10 de julho de 2015

ARTIGO



A crise no mercado de trabalho e a desindustrialização precoce do Brasil - Parte I




José Eustáquio Diniz Alves 

O mercado de trabalho no Brasil já vem apresentando baixo desempenho desde 2012. Embora a taxa de desemprego estivesse baixa até o final de 2014, a criação de emprego não estava acompanhando a população em idade ativa. Agora em 2015 a crise bateu feia.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, iniciada em janeiro de 2012, a taxa de desemprego subiu para 8,0% no trimestre até abril deste ano, o maior nível já observado na série histórica. Para uma população economicamente ativa de cerca de 100 milhões de pessoas, o número de desempregados chegou a 8 milhões pessoas.
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, mostram que o emprego formal vem caindo mês a mês nos últimos 5 anos. Em 2010, houve uma criação de aproximadamente 300 mil vagas tanto no mês de abril, quanto em maio. Nos anos seguintes, a geração de emprego celetista foi diminuindo, mas se manteve positiva durante todo o período até 2014.
Porém, os dados do CAGED, mostram que foram eliminados 97.828 empregos celetistas em abril e 115.599 empregos em maio de 2015. Na série ajustada, que incorpora as informações declaradas fora do prazo, no acumulado do ano os dados mostram um decréscimo de 243.948 empregos, ou -0,59% do estoque de assalariados com carteira assinada. Nos últimos 12 meses a redução foi de 452.835 postos de trabalho (1,09% no contingente total de celetistas). No ritmo atual, o ano de 2015 deve terminar com a eliminação de cerca de um milhão de empregos formais no país.
Segundo dados da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país foi de 6,7% em maio de 2015, o quinto aumento consecutivo, conforme divulgou o IBGE. Trata-se da maior taxa desde julho de 2010 (6,9%), retornando, portanto, ao período anterior ao do primeiro governo Dilma Rousseff (2011 a 2014). Levando-se em contas, os meses de maio, é a maior taxa desde 2010 (7,5%). A população desocupada nas seis regiões metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre) da PME foi de 1,6 milhão de pessoas em maio de 2015.
 Entre os adolescentes de 15 a 17 anos a taxa de desemprego foi de 30,7% em maio de 2015. Entre os jovens de 18 a 24 anos foi de 16,4%. Entre as pessoas de 25 a 49 anos o desemprego foi de 5,6% e entre aqueles de 50 anos e mais a taxa foi de 2,6% em maio. Arranjar o primeiro emprego está cada vez mais difícil.
Ainda segundo a PME, o rendimento médio real do trabalho principal, habitualmente recebido por mês, pelas pessoas de 10 anos ou mais de idade, ocupadas no trabalho principal da semana de referência era de R$ 2.229,28 em maio de 2014 e caiu para R$ 2.117,10 em maio de 2015, uma queda de 5% no último ano. (http://www.ecodebate.com.br/2015/07/08/a-crise-no-mercado-de-trabalho-e-a-desindustrializacao-precoce-do-brasil-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/)


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