A importância da Secretaria de Desenvolvimento
das Cidades
José Alberto Tostes
Esta semana será o
ato oficial de efetivação da Secretaria de Desenvolvimento das Cidades pelo
governo do estado do Amapá. No último sábado, gravei um depoimento sobre a
importância de cuidarmos melhor de nossas cidades. Nos últimos cinco anos defendi
a necessidade de maior participação do governo estadual junto aos demais
municípios, não posso afirmar qual será o futuro, mas, não dá mais para evitar
em combater o atraso em que as cidades do estado do Amapá estão metidas.
Ter um ente
institucional para pensar o desenvolvimento, que inclua o planejamento urbano e
a organização físico-ambiental das cidades é algo importante por conta das
condições em que se encontra a maioria de nossas cidades. Verifica-se a
ausência de planejamento urbano e ambiental nas cidades e, em virtude disto,
vários problemas surgem, tais como: a falta de coleta de lixo, oferta
insuficiente de infraestrutura de rede de água e esgoto, de habitação, de
equipamentos comunitários e de lazer, a pobreza e a consequente falta de
acessibilidade.
Todos estes
aspectos, refletidos em problemas atuais dos ambientes urbanos, deveriam ser
levados em consideração neste momento em que se começa a pensar concepções mais
sustentáveis para às cidades. A sustentabilidade
urbana também deve ser vista na conjugação sobre o uso e ocupação do solo urbano,
que tem sido objeto de estudo dos últimos 50 anos, diversos fatores tem
contribuído de forma substancial para que muitos pensadores defendam os seus
argumentos. A ocupação e o uso do solo têm sido utilizados para diversos fins,
não está somente dimensionado no sentido de observar o termo urbano enquanto
aquele que se refere às cidades, mas também sobre uma perspectiva de
compreender a denominação de rural.
Os projetistas do
Novo Urbanismo, também chamado de Urbanismo Sustentável, estão a favor de
comunidades menores e densas, com limites definidos e onde exista uma adequada
mescla de funções que incorporem espaços de recreação, comerciais,
institucionais e de serviços, em estreita vinculação com habitações de vários
tipos.
Estas habitações
seriam viáveis a diversos grupos socioeconômicos e seriam apropriadas de
maneira em que propiciem a diversidade também em termos de idade, sexo, raça,
etc. As viagens para fora destas áreas seriam minimizadas, reduzindo a
dependência do carro e o consumo de energia. As distâncias de um lugar a outro
poderiam ser percorridas a pé, e se poderia chegar caminhando até os terminais
de transporte público.
O novo urbanismo
propõe compreender melhor a natureza da ocupação do espaço primeiramente
observando os custos do processo de mobilidade urbana e também os critérios de
ordem econômico-social. O direito à cidade como diz Levrebve é relativo a
partir da conotação que é dado ao espaço ocupado. As cidades são ambientes de
inclusão e exclusão ao mesmo tempo, é possível dizer são espaços segracionistas
e que se aceleram a cada ano.
A problemática
urbana não é somente uma fórmula estabelecida por qualquer regra de
planejamento urbano, são inúmeras as leis já existentes no país para a área
ambiental que superam, em muito, a temática urbanística, ao mesmo tempo em que
os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA)
se sobrepõem a normas de uso e de ocupação do solo urbano, percebe-se aqui que
a questão urbanística está sempre ligada a fatos ambientais. Porém, o conjunto
destas leis, não tem sido suficiente para atenuar os graves problemas
ambientais. Pensar a organização da cidade e que vislumbra o novo urbanismo é
um passo efetivo para a redução do imenso custo social gerado pela imobilidade
urbana.
Entretanto, é
válido salientar que a temática urbanística tem sido reduzida e transformada a
uma parte da discussão ambiental. O documento da Agenda 21, que chegou a escala
municipal, diz que "a redução da pobreza só será possível mediante o
planejamento e a administração sustentável do solo" e na falta de
definições para o urbano, essa regra vem sendo aplicada para as cidades.
O planejamento
antecede a gestão, ambos os termos são distintos, complementares e
indissociáveis, devem ser pensados em conjunto. Planejar
é comprometer-se com a ação transformadora, é a possibilidade de se escolher o
futuro, a falta de planejamento faz com que sejamos escravos das
circunstâncias. Caso que se observa muito nas nossas cidades, onde não existe
planejamento, onde atitudes são tomadas – geralmente por parte do poder público
– somente quando o problema ou a crise toma evidência.
Planejamento e
gestão são conceitos que não podem ser separados. O planejamento é uma
estratégia de desenvolvimento sócio-espacial. Planejamento e gestão vistos pela
ótica da ciência social são estratégias de desenvolvimento urbano, onde o
principal objetivo é a superação de problemas sociais, visando uma mudança
social positiva, e de melhoria da qualidade de vida.
A perspectiva
intra-urbana de análise para estas cidades estão, particularmente relacionados
à qualidade ambiental e à qualidade de vida intra-urbana, são, em última
instância, determinados pela complexa dinâmica do desenvolvimento histórico da
sociedade. É preciso salientar que os critérios de criação de nossos municípios
não foram econômicos, mas sim políticos. Um dos dados que mais caracteriza estas
áreas é que nos últimos censos realizados há uma taxa de estabilidade da
população ou em alguns casos até a redução de alguns indicadores.
A qualidade de vida
e o atendimento da população deveria ser o conceito primordial para qualquer
ação de planejamento urbano, as especificidades ambientais ou até mesmo
paisagísticas, bem como as peculiaridades e identidades dos bairros que forma o
caráter das cidades, devem ser sempre objeto de reflexão, com análise de caso
aprofundada, visto que estes aspectos influenciam diretamente na vida dos
cidadãos.
No Amapá? A única
vinculação com o tema da sustentabilidade urbana foi no slogan da administração
municipal, do primeiro mandato do prefeito João Henrique, denominado: “Macapá Sustentável”.
Como se apresenta este cenário entre o urbano e o ambiental nos dias atuais?
Macapá e Santana têm na sua estrutura urbana, problemas de todo tipo. Problemas
de falta de moradia o que tem ocasionado à ocupação de áreas de ressacas. Até
pouco tempo, era difícil presenciar nas cidades de Macapá e Santana, áreas
inundadas e alagadas em vários trechos. Não precisa ser especialista, para
entender, que com o passar dos anos o meio urbano seria totalmente afetado.
Portanto, que a
Secretaria de Desenvolvimento das Cidades através de gestores e técnicos, possa
cumprir um papel importante, que não fique restrito somente aos aspectos
burocráticos, possa avançar nos esforços de estabelecer uma política de
desenvolvimento equilibrada para nossas cidades, respeitar o material que já
produzido no próprio estado do Amapá, tais caminhos, serão primordiais para que
possamos alcançar melhores indicadores. É importante inserir os diversos atores
que fazem parte do cenário regional, unir esforços em direção à integração de
projetos considerados cruciais para a melhoria das cidades, evitar o
“atropelamento” das diferentes interfaces que envolvem o próprio estado, os
municípios e a União.
O livro publicado
no final do ano de 2014, Pensar a Cidade, surgiu com este propósito, de permitir
uma ampla avaliação sobre o que estamos fazendo com nossas cidades, o preço é
alto demais para pagar. Portanto, creio que a participação e a mobilização
social sejam fundamentais, visando evitar que não seja mais um órgão oficial,
que não fique restrito somente aos municípios menores, pois, as cidades de
Macapá e Santana juntas têm mais de 80% de toda a população, estão quase no
limite e na falência de tudo. É preciso pensar o desenvolvimento aliando vários
fatores: conhecimento e conceitos, mas acima de tudo, respeitando a ordem de
cada lugar.
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