sexta-feira, 4 de setembro de 2015

ENTREVISTA



Entrevista com Thomé Azevedo – produtor, roteirista e diretor de TV.




Thomé Azevedo trabalha profissionalmente como diretor, roteirista e produtor de cinema, vídeo, teatro e televisão, desde 1982. Atuando intensamente no mercado do audiovisual brasileiro, o realizador acumula em seu currículo diversos filmes e peças para teatro. O teatro foi o começo ainda na escola e durante as programações festivas no Bairro da Marambaia, em Belém do Pará, onde viveu a infância e a adolescência. Depois foi morar em Brasília, onde passou a trabalhar com vários grupos teatrais.
Com a peça “Mandrak Aí!”, montagem da Cia Belém-Brasília, o ator foi com esse espetáculo a diversas capitais brasileiras. Depois dessa fase, foi convidado a apresentar o musical do cantor Elói Iglesias, uma produção da TV Cultura do Pará onde passou 10 anos trabalhando em vários setores ligados a produção. Lá, foi assistente de maquiagem, maquiador, assistente de produção, produtor executivo, redator e diretor de TV.


Acompanhe a entrevista:

Tribuna Amapaense (TA) – Como foi sua opção pelo meio artística e cultural?
Thomé Azevedo (Taz) – A vida escolar me despertou o interesse pelas artes. Eu gostava de recitar poesias no dia das Mães na programação organizada na sala de aula. Gostava dos folguedos juninos também e foram essas atividades que me levaram a estimular os amigos e a criar um grupo de teatro.

TA – Quais os desafios de um roteirista para colocar seu texto em execução?
TAz – Escrever roteiros é uma atividade solitária e que exige tempo. Conciliar a batalha pela sobrevivência e essa prática é realmente muito difícil. Tenho roteiros esboçados, outros em construção e outros esperando pra serem executados. Tudo depende de tempo, dedicação e de dinheiro (patrocínio).

TA – No que diz respeito ao trabalho de produtor, qual a maior diferença entre produzir um filme para TV e um filme para o cinema?
TAz – Em minha opinião a diferença está na velocidade. O tempo dramático da TV tem uma dinâmica mais acelerada. No cinema esse tempo tem suas pausas dramáticas maiores. O processo cinematográfico dentro de um “SET” de filmagem é outro momento bem diferenciado do ambiente televisivo. Produzi programas de televisão que eu levantava toda demanda em uma semana. Já a produção de cinema, coloque aí um ano inteiro de articulação e muito trabalho.

TA – Qual é a realidade na execução das atividades artística na Amazônia, em questão de apoio privado e público?

TAz – Vencer a distância dos grandes centros onde a informação circula com mais facilidade e de onde tudo pode escoar para todo o Brasil. As politicas públicas para as artes demoram a chegar aqui e ainda precisamos nos capacitar para participar dos editais federais. Nós não temos intimidade com editais aprovados para a região Norte. Fiz a preparação de elenco e a assistência de direção do curta-metragem “Agora Já Foi”, da jovem cineasta amapaense Manuela Oliveira, para a Federação Espirita do Amapá e, que foi premiado no V Festival de Cinema Transcendental de Brasília. Na cerimônia de estrega dos prêmios, pessoas de outros Estados ficaram impressionadas ao ver que os principais prêmios foram ganhos por um Estado que não tem a tradição cinematográfica. “Chupa!”, o Amapá tá chegando e chegando com temas fortes e um cinema de utilidade para a humanidade, em favor da vida.

TA – Quais foram as maiores dificuldades de filmar na Amazônia? E, qual foi a melhor parte?
TAz – Fazer um documentário com a equipe da TV Cultura do Pará, na praia de Romana, município de Curuçá, nordeste paraense. Um lugar deserto que tivemos que levar tudo, desde água potável. As dificuldades maiores são as distâncias. Viajamos por horas e até dias para rodar um só trechinho, mas, tudo, sempre vale e muito. A melhor parte sempre está em exibir o trabalho. Inesquecível foi o lançamento do documentário “Marabaixo, ciclo de amor fé e esperança”, produzido por Ana Vidigal, minha parceira de toda uma vida profissional. Esse lançamento foi na sede da UNA. Estar junto daqueles pioneiros da cultura e percebê-los emocionados em ver a luta deles reconhecida na telona. Realmente, não tem preço.



TA – Qual foi seu primeiro trabalho como produtor e roteirista?
TAz – Catalina e os 50 anos da Base Aérea de Belém. Foi meu primeiro roteiro para documentário produzido pela TV Cultura do Pará. Um trabalho que me fez mergulhar na história aérea na Amazônia.

TA – Já recebeu alguma premiação?
TAz – Pelo conjunto da obra no 2° Festival de Cinema de Macapá e recentemente pelo curta “Agora Já Foi”.

TA – Entre o seu conjunto de obras qual foi a que mais te identificou como profissional, que mais o sensibilizou como artista?
TAz – A série “Curta Santana num Minuto”. Nesse projeto eu ministrei oficina de roteiro e direção em parceria com o fotógrafo Willian Camilo. E o resultado desse trabalho empolgou e sensibilizou muita gente para os temas da pobreza, abandono e lixo urbano.

TA – Uma mensagem para quem está começando a trilhar o caminho artístico?

TAz – Procurar o que realmente te emociona. O que seja útil para humanidade. O que nos transforme em seres humanos melhores. É preciso acreditar. Acreditar em Deus, na gente com humildade e no futuro com perseverança. Boa sorte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

ARTIGO DO GATO - Amapá no protagonismo

 Amapá no protagonismo Por Roberto Gato  Desde sua criação em 1988, o Amapá nunca esteve tão bem colocado no cenário político nacional. Arri...