Entrevista com Thomé Azevedo –
produtor, roteirista e diretor de TV.
Thomé Azevedo trabalha profissionalmente como diretor, roteirista
e produtor de cinema, vídeo, teatro e televisão, desde 1982. Atuando
intensamente no mercado do audiovisual brasileiro, o realizador acumula em seu
currículo diversos filmes e peças para teatro. O teatro foi o começo ainda na
escola e durante as programações festivas no Bairro da Marambaia, em Belém do
Pará, onde viveu a infância e a adolescência. Depois foi morar em Brasília,
onde passou a trabalhar com vários grupos teatrais.
Com a peça “Mandrak Aí!”, montagem da Cia Belém-Brasília, o ator
foi com esse espetáculo a diversas capitais brasileiras. Depois dessa fase, foi
convidado a apresentar o musical do cantor Elói Iglesias, uma produção da TV
Cultura do Pará onde passou 10 anos trabalhando em vários setores ligados a
produção. Lá, foi assistente de maquiagem, maquiador, assistente de produção,
produtor executivo, redator e diretor de TV.
Acompanhe a entrevista:
Tribuna Amapaense (TA) – Como foi sua
opção pelo meio artística e cultural?
Thomé Azevedo (Taz) – A vida escolar me despertou o interesse pelas artes.
Eu gostava de recitar poesias no dia das Mães na programação organizada na sala
de aula. Gostava dos folguedos juninos também e foram essas atividades que me
levaram a estimular os amigos e a criar um grupo de teatro.
TA – Quais os desafios de um roteirista
para colocar seu texto em execução?
TAz
– Escrever roteiros é uma atividade solitária e que exige tempo. Conciliar a
batalha pela sobrevivência e essa prática é realmente muito difícil. Tenho
roteiros esboçados, outros em construção e outros esperando pra serem
executados. Tudo depende de tempo, dedicação e de dinheiro (patrocínio).
TA – No que diz respeito ao trabalho de
produtor, qual a maior diferença entre produzir um filme para TV e um filme
para o cinema?
TAz –
Em minha opinião a diferença está na velocidade. O tempo dramático da TV tem
uma dinâmica mais acelerada. No cinema esse tempo tem suas pausas dramáticas
maiores. O processo cinematográfico dentro de um “SET” de filmagem é outro
momento bem diferenciado do ambiente televisivo. Produzi programas de televisão
que eu levantava toda demanda em uma semana. Já a produção de cinema, coloque
aí um ano inteiro de articulação e muito trabalho.
TA – Qual é a realidade na execução das
atividades artística na Amazônia, em questão de apoio privado e público?
TAz –
Vencer a distância dos grandes centros onde a informação circula com mais
facilidade e de onde tudo pode escoar para todo o Brasil. As politicas públicas
para as artes demoram a chegar aqui e ainda precisamos nos capacitar para
participar dos editais federais. Nós não temos intimidade com editais aprovados
para a região Norte. Fiz a preparação de elenco e a assistência de direção do
curta-metragem “Agora Já Foi”, da jovem cineasta amapaense Manuela Oliveira,
para a Federação Espirita do Amapá e, que foi premiado no V Festival de Cinema
Transcendental de Brasília. Na cerimônia de estrega dos prêmios, pessoas de
outros Estados ficaram impressionadas ao ver que os principais prêmios foram
ganhos por um Estado que não tem a tradição cinematográfica. “Chupa!”, o Amapá
tá chegando e chegando com temas fortes e um cinema de utilidade para a humanidade,
em favor da vida.
TA – Quais foram as maiores dificuldades
de filmar na Amazônia? E, qual foi a melhor parte?
TAz –
Fazer um documentário com a equipe da TV Cultura do Pará, na praia de Romana,
município de Curuçá, nordeste paraense. Um lugar deserto que tivemos que levar
tudo, desde água potável. As dificuldades maiores são as distâncias. Viajamos
por horas e até dias para rodar um só trechinho, mas, tudo, sempre vale e muito.
A melhor parte sempre está em exibir o trabalho. Inesquecível foi o lançamento
do documentário “Marabaixo, ciclo de amor fé e esperança”, produzido por Ana
Vidigal, minha parceira de toda uma vida profissional. Esse lançamento foi na
sede da UNA. Estar junto daqueles pioneiros da cultura e percebê-los emocionados
em ver a luta deles reconhecida na telona. Realmente, não tem preço.
TA – Qual foi seu primeiro trabalho como
produtor e roteirista?
TAz –
Catalina e os 50 anos da Base Aérea de Belém. Foi meu primeiro roteiro para
documentário produzido pela TV Cultura do Pará. Um trabalho que me fez
mergulhar na história aérea na Amazônia.
TA – Já recebeu alguma premiação?
TAz –
Pelo conjunto da obra no 2° Festival de Cinema de Macapá e recentemente pelo
curta “Agora Já Foi”.
TA – Entre o seu conjunto de obras qual
foi a que mais te identificou como profissional, que mais o sensibilizou como
artista?
TAz –
A série “Curta Santana num Minuto”. Nesse projeto eu ministrei oficina de
roteiro e direção em parceria com o fotógrafo Willian Camilo. E o resultado
desse trabalho empolgou e sensibilizou muita gente para os temas da pobreza,
abandono e lixo urbano.
TA – Uma mensagem para quem está
começando a trilhar o caminho artístico?
TAz –
Procurar o que realmente te emociona. O que seja útil para humanidade. O que
nos transforme em seres humanos melhores. É preciso acreditar. Acreditar em
Deus, na gente com humildade e no futuro com perseverança. Boa sorte.


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